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Positivo traz a plataforma BBC micro:bit para o Brasil

Pessoal de Curitiba anuncia aliança estratégica para trazer, localizar e distribuir o microcontrolador educacional Inglês micro:bit primeiro no Brasil e depois para o resto da América Latina.

A Positivo Tecnologia por meio da sua área de inovação educacional anunciou ontem (24) um acordo com a Micro:bit Foundation que levará aos alunos brasileiros e de outros países da América Latina o BBC micro:bit, uma plataforma computacional baseada em um micro-computador programável que estimula o interesse por tecnologia, inovação e empreendedorismo que são as bases da cultura maker que está ajudando a formar uma nova geração de inovadores nas áreas de ciência e tecnologia.

Essa plataforma é baseada no micro:bit, uma micro plaquinha microprocessada de 4 x 5 cm equipada com um processador ARM Cortex M0 de 32 bits, 16 KB de RAM, sensores magnéticos e de movimento, uma porta micro USB, dois botões programáveis e uma curiosa tela formada por 25 LEDs organizados numa matriz de 5 x 5 pontos luminosos.

Ela pode ser alimentada tanto pela porta Micro USB quanto por uma bateria externa, sendo que os sinais de entrada e saída trafegam através de um conector de 23 pinos localizados na sua base.

Conceitualmente falando, o micro:bit está mais para um microcontrolador programável (como o Arduino) do que um microcomputador programável (como o Raspberry Pi).

Isso por que, na prática, um microcomputador possui uma interface com o usuário (como o desktop do Windows) que permite que o usuário desenvolva e rode programas diretamente no sistema,  enquanto que o microcontrolador isso não é possível porque ele não tem interface.

Assim, para programar o micro:bit é necessário escrever o código em outro computador utilizando um editor de código JavaScript…

… para depois transferir o código de máquina diretamente para a memória do micro:bit via porta USB.

O micro:bit começou a ser distribuído gratuitamente em 2016 para cada aluno do sétimo ano das escolas na Inglaterra e em Gales, além de estudantes na Irlanda do Norte e na Escócia com idades à partir de 11 anos (o início do ensino médio) e hoje já é usada por um milhão de alunos em programas educacionais desenvolvidos pela BBC com resultados comprovados.

Segundo pesquisas realizadas junto a estudantes e professores revelam que o projeto teve um impacto forte e muito positivo, com 90% dos estudantes afirmando que o BBC micro:bit ajudou a mostrar que qualquer pessoa pode programar, 88% descobriu que programação não é tão difícil como pensava, e 45% dos alunos disseram que considerariam TIC e ciência da computação como uma opção no futuro (antes do projeto, esse índice era de 36%). Entre as garotas, o impacto foi ainda mais expressivo: de 23% antes do micro:bit para 39% depois – um aumento de 70%.

Entre os professores, os resultados também são positivos: 75% dos educadores usaram ou têm intenção de usar o micro:bit, 85% concordam que o projeto fez com que as disciplinas de TIC e ciências da computação se tornassem mais agradáveis para seus alunos e 80% que ajudou os jovens a perceberem que programação é menos difícil do que parece.

Além disso, metade dos educadores que usaram o micro.bit dizem que se sentem mais confiantes como professores, em particular aqueles que dizem que não se sentiam tão seguros ao ensinar computação.

Diante desse sucesso, foi criada a Micro:bit Educational Foundation e a plataforma começou a ser implementada em outros países. Hoje, há projetos em andamento em 40 países, como Finlândia, Irlanda, Noruega e Holanda e a Positivo Tecnologia foi o parceiro escolhido pela Micro:bit Foundation para o Brasil e a América Latina.

Esse acordo de cooperação tecnológica e pedagógica tem o apoio da Secretaria de Políticas de Informática (Sepin) do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC). Ele prevê a introdução da plataforma micro:bit no Brasil e a participação da Positivo em seu desenvolvimento, aperfeiçoando-a e adaptando-a para uso no país e, sucessivamente, em outros países da América Latina.

A área de inovação educacional da Positivo já está trabalhando em projetos-piloto que serão implementados em três escolas, que ainda estão sendo definidas, para alunos da mesma faixa etária do projeto do Reino Unido – crianças a partir de 11 anos.

O investimento inicial é de cerca de R$ 1 milhão e faz parte dos recursos destinados à pesquisa & desenvolvimento (P&D). A Positivo Tecnologia vai localizar programas desenvolvidos pela BBC, desenvolver novos programas e também criar kits de acessórios e módulos periféricos para expandir ainda mais as funções e ligações do micro:bit com o currículo escolar.

O anúncio oficial da parceria aconteceu nesta terça-feira, 24 de outubro, no estande do MCTIC na Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT), com a presença de Maximiliano Martinhão, presidente da Telebras, Otávio Caixeta, Diretor na Secretaria de Informática do MCTIC (representando o Secretário de Informática do MCTIC, Thiago Camargo Lopes), Kavita Kapoor, COO da Micro:bit Foundation, José Scodiero, head da Micro: Bit para América Latina, e Alvaro Cruz, Vice-presidente de Inovação Educacional da Positivo Tecnologia.

O micro:bit e suas aplicações podem ser conhecidos durante toda a SNCT 2017, que acontece de 23 a 29 de outubro, no Pavilhão de Exposições no Parque da Cidade de Brasília.

Para mais informações visite o blog do site VC.Maker editado pelo nosso colega, chapa e ex-Ztop Rafael “WireHead” Rigues!

Desde o século passado Mario Nagano analisa produtos e já escreveu sobre hardware e tecnologia para veículos como PC Magazine, IDGNow!, Veja e PC World. Em 2007 ele fundou o Zumo junto com o Henrique assumindo o cargo de Segundo em Comando, Editor de Testes e Consigliere.

  • Djalmir Messias

    Então a ideia é levar microcontrolador para as escolas públicas ou privadas?

    • Mario Nagano

      Com certeza ele será integrado ao sistema de ensino da Positivo adotado por diversas escolas privadas.

      Mas devido ao baixo custo desse hardware e como o governo está envolvido, entende-se que ele também possa chegar as escolas públicas.

      Só espero que o micro:bit não tenha o mesmo destino do ClassMate PC, o notebook educacional da Intel criado no Brasil, mas que nunca foi adotado por aqui como estratégia nacional de ensino 🙁

      By the way, o Classmate PC foi montado no Brasil pela Positivo e CCE.

      • TakoKuOko

        Talvez a Positivo tenha algum volume devido à vantagem que você citou : “Sistema Positivo de Ensino”. Eu não conhecia essa plataforma…mas, comparando com o Arduino = Microcontrolador, a desvantagem é grande, no entanto, em oposição à solução da LEGO, é mais “Robótica” do que esta.. Penso que a Positivo irá cobrar o “olho da cara” por essa feature nas escolas onde tem o seu sistema implantado. Agora, é um puta mercado… mal explorado, por sinal.

        • Mario Nagano

          Sim, tb acho que o Arduino seja uma plataforma mais flexível e criativa.

          Porém, eu acredito que ao contrario do Arduino que é um controlador programável para uso geral, o Micro:Bit deve ter sido pensado para ser primeiro uma plataforma didática o que talvez explicaria a presença do seu pequeno display de LEDs + dois botões de ação, ou seja, sozino ele já consegue fazer coisas mínimas como acender luzinhas e formar figurinhas simples, ao contrário do Arduino que você precisaria no mínimo de espetar um LED no mesmo,

          E isso sem falar que a medida que essa plataforma começe a se espalhar em grande quantidade pelo mercado, existe a tendência natural de surgir um pequeno ecossistema de produtos e serviços ao redor do mesmo (revistas, livros e vídeos no YouTube), além da criação e venda de acessórios:

          https://www.kitronik.co.uk/microbit/bbc-micro-bit-accessories.html

          E como a Positivo começou como cursinho pré-vestibular, eles sabem muito bem como operar nesse mercado e criar produtos e serviços beem interessantes:

          http://www.vcmaker.com.br/

          Outra plataforma desse tipo que sempre achei interessante é o Micromite Companion, uma plaquinha microcontrolada que já vem com conexão para teclado PS/2, som, monitor VGA e um interpretador MMBASIC ou seja, ele pode funcionar como um microcomputador à moda antiga:

          https://uploads.disquscdn.com/images/af680e6bd6ba5e84975ccafffb814997a1f136cf265c4fe086a3c2c39af21494.jpg

          Outra grande sacada dessa engenhoca é que ela também vem com uma placa de ensaio (breadboard) integrada o que permite criar pequenos circuitos controlados pelo programa em BASIC por meio de novos comandos implementados na linguagem.

          Eu só acho que esse produto não estourou no mercado porque sua lógica de programação “linear” é bem antiquada se comparado com as linguagens mais modernas, de modo que o seu potencial didático é meio que limitado.

          https://www.ztop.com.br/retrotech-micromite-companion/

  • Adriano De Lima

    Tomara que vá muito pra frente esse projeto.

  • Sandro De Jesus Soares

    Positivo ainda não perdeu sua fagulha de inovação. Esperando pra ver se um dia resolvem trazer mais iniciativas interessantes para o Brasil, por exemplo o Android One.