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Positivo Motion revive a plataforma Cloudbook da Microsoft

Com apenas 32 GB de armazenamento interno, o novo portátil da Positivo já vem com 64 GB na nuvem oferecido pela própria Positivo

A Positivo informática anunciou no início da semana passada (23/out) o lançamento do Positivo Motion (modelo Q232A) um modelo leve e fino com tela de 14″ (1.366 x 768 pixels) e preço sugerido de R$ 1.079.

Ele vêm equipado com um processador  Intel Atom Z8350 “Cherry Trail” quadcore de 1,44~1,92 GHz com aceleradora gráfica Intel HD Graphics 400 integrada, webcam, 2 GB de RAM (não expansível), interface Wi-Fi 802.11 b/g/n, bluetooth, uma USB 2.0 e uma USB 3.0, saída de vídeo HDMI, som e slot para cartão micro SD. Sua bateria é de 10.000 mAh com autonomia estimada de ~6 horas dependendo do uso.

Note também que esse portátil já não vem com porta de rede padrão Ethernet (boo!)

Fora isso, ele mede (fechado) 33,5 x 1,8 x 22 cm (LxAxP), pesa ~1,43 quilos e já vem equipado com o Windows 10 Home pré-instalado junto com versões de avaliação do Office 360, antivírus, etc.

Até ai nada demais se não fosse pelo fato desse portátil vir com apenas 32 GB de SSD (eMMC?) de armazenamento interno de modo que a idéia, neste caso, é que o usuário armazene seus arquivos na núvem, sendo que o pessoal de Curitiva já oferece mais 64 GB no serviço de armazenamento da própria Positivo — batizado de Positivo Nuvempelo período de um ano.

A primeira vista, esse valor pode até parecer pouco (um pen drive já armazena isso hoje), mas vale a pena lembrar outros serviços gratutos na web como o OneDrive da Microsoft oferece 5 GB e o Goggle Drive 15 GB.

A propósito, essa proposta nos fez lembrar do Cloudbook, uma plataforma móvel criada pela Microsoft em 2015 para competir com o Chromebook do Google, mas que nunca decolou no Brasil devido a ausência de uma estratégia clara de implementação e uso no Brasil — já que — lá nos EUA, esse tipo de computador é muito utilizados nas escolas, enquanto que por aqui a impressão que temos é que seu único atrativo é de ser um notebook barato (pero no mucho, diga-se de passagem).

De fato, na época a única empresa por aqui que levantou essa bandeira e comercializou oficialmente um Cloudbook no Brasil foi a Acer por meio do Acer Aspire ES 14 Cloudbook que analisamos detalhadamente em 2016 e nos revelou algumas características bem peculiares — para não dizer alarmantes — como o fato de que boa parte dos seus 32 GB de disco SSD é ocupada pelo próprio Windows 10 e outros programas pré-instalados, restando pouco mais de 8 GB de memória livre para armazenar dados

… o que nos faz crer que o Motion também não ofereça muito mais do que isso.

O curioso é que outros big players locais também lançaram portáteis com a mesma configuração do ES 14, só meio que sem chamá-lo de tal, incluindo a própria Positivo que na época, comercializava ainda comercializa o Stilo One XC3630 com 32 GB de Flash + 100 GB na Nuvem (por dois anos). De fato, o Motion também não é descrito como Cloudbook.

Segundo o pessoal de Curitiba, esse lançamento vem para atender à demanda de jovens e adultos que buscam um aparelho com ótima relação de custo x benefício, sem abrir mão da tecnologia atualizada — além de apostar na idéia de utilizar os recursos de armazenamento na nuvem para salvar suas fotos, vídeos e documentos.

Isso para nós não deixa de ser uma visão meio cor de rosa da computação na nuvem já que, para nós, 64 GB de armazenamento na rede é uma capacidade até que bastante modesta, principalmente se levarmos em consideração que no nosso mercado ainda é comum as empresas oferecerem desktops e notebooks com HDs de 500 GB até 1 TB, cujos dados podem ser facilmente acessados a qualquer hora e em qualquer local sem depender de acesso à internet, outro assunto por sinal também bastante polêmico, já que nem todos no Brasil tem acesso rápido, fácil e barato a internet de alta velocidade.

Sob esse ponto de vista, não acreditamos que o Positivo Motion seja necessariamente a melhor opção para ser o primeiro PC da casa (ou como se dizia antigamente — “o centro da sua vida digital“) mas tem sim condições de ser o segundo e até o terceiro compuador da casa, assumindo até o papel dos tablets na hora de consumir conteúdo on-line, além de ser uma plataforma mais confortável e produtiva na hora de gerar conteúdo.

Fora isso, não podemos subestimar e/ou ignorar o potencial desse produto tanto no mercado profissional (em tarefas simples como terminal de informações, coleta de dados, preencher pedidos, gerenciar acesso, etc.) quando no educacional — onde a Positivo também mantêm uma forte presença — sendo que o Motion apoiado por ferramentas de gerenciamento/segurança adequadas como o Intune para Educação da própria Microsoft poderia em tese bater de frente com o Chromebook.

E já que estamos no campo das especulações, o que impediria a Positivo de trocar o SO dessa máquina pelo sistema do Google e relançá-lo como um Chromebook por um preço ainda mais em conta? 😉

Mais informações aqui.

Desde o século passado Mario Nagano analisa produtos e já escreveu sobre hardware e tecnologia para veículos como PC Magazine, IDGNow!, Veja e PC World. Em 2007 ele fundou o Zumo junto com o Henrique assumindo o cargo de Segundo em Comando, Editor de Testes e Consigliere.

  • Nagano, a Positivo já vende um Chromebook, o CH1190. É mais voltado ao segmento de educação, mas também pode ser encontrado em alguns varejistas como a Americanas.com e Walmart.com por R$ 999. É um ARM Quad-Core com 2 GB de RAM e 16 GB de memória interna (+slot para SD), e apesar das specs soarem “baixas” para quem está acostumado com notebooks com hardware Intel, é uma maquininha bem valente que dá conta da maioria das atividades do dia-a-dia sem reclamar.

    • Mario Nagano

      Isso é super bacana Rigues! Não sabia que existiam Chromebooks com ARM

      Mas no fim das contas, esse novo Motion é ou não é um Cloudbook?

      E esse serviço de armazenamento na nuvem pode ser extendido por mais tempo? O usuário pode expandir esses 64 GB? Haveria um custo para essas opções?

    • Álvaro Lassance

      Tenho um Chromebook da Positivo e foi meu única forma de acesso ao trabalho durante minhas férias de 20 dias. Grande vantagem dele em relação aos concorrentes no Brasil: ARM Quad Core enquanto os outros são Celeron Dual Core. Suporta mais abas abertas e bateria dura 10 horas. Rafael, o CloudReady é legal, mas pago para uso comercial. Uma boa solução para equipamentos nem tão antigos (Core 2 Duo ou acima), mas se vc pensar que vai ter que comprar uma bateria nova (que ela durar de 2 a 3 horas) e seu notebook vai continuar com 2,3Kg, compre o Chromebook, ganhe autonomia e leve somente 1Kg na pasta. Em tempo: o Chromebook foi desenvolvido para o mercado educacional, mas funciona muito bem em qualquer atividade para quem está inserido no ambiente Google. O Pixelbook nada mais é que um Chromebook turbinado (ainda não testei).

  • Em tempo, dá pra testar o ChromeOS por conta própria, sem depender da Positivo. É só instalar o CloudReady, da Neverware, que transforma qualquer PC em um “Chrome Device”. Não testei no Motion Q232A, mas funcionou sem problemas em notebooks mais antigos da Samsung e ASUS em casa.

    • Será que funciona no Asus EEE 701?
      Estou com um parado aqui em casa…

      • Provavelmente não. Essas máquinas são MUITO antigas, e não tem RAM o bastante.

  • Adriano De Lima

    Acho mais viável ter um celular que às vezes posso usar numa dockstation como se fosse um PC do que esse tipo de equipamento.
    Fora que o preço não é nada acessível.

  • Gabriel Resende

    Essa logomarca…. putz….
    Aqui em Brasília alguns vão lembrar também da DEMACOL material de construção e seu slogan “Senti firmeza Demacol!”. Atualmente é um “meme” local, pejorativo…

  • tuneman

    Falando em cloudbook…, como eles se saíram lá fora? tornaram-se mesmo uma ‘ameaça’ aos chromebooks?

    • Mario Nagano

      Pelo que pesquisei o Cloudbook original com Windows 10 Full + 32 GB de SSD não decolou, mas aparentemente a MS anunciou no ínício deste ano uma nova plataforma CloudBook baseada num Surface mais barato com o chamado Windows 10 Cloud:

      https://www.windowscentral.com/microsofts-push-education-right-move-time

      Agora conversando com uma fonte local, o que ele me disse é que a MS Brasil ainda apoia a plataforma original no Brasil, na forma de descontos no SO e no Office 365 (cujo período do trial é de um ano) só que outros fatores como a ausência de um fornecedor local da memória eMMC de 32 GB impacta negativamente no custo final do produto, fazendo com que a produçào local não seja lá muito atraente.

      Falando especificamente sobre o mercado de educação, o Chromebook já está sendo usado por aqui em algumas escolas e faculdades, apesar do seu número ainda não ser comparado com o americano já que a própria matéria acima diz que fora dos EUA, o Chrome OS é dono de apenas 6% do mercado, atrás da MacOS (9%), Android (17%) e Windows 10 (65%) o que talvez até explique a falta de animo da MS Brasil em divulgar a plataforma.

      Fora isso, os Chromebooks tinham uma vantagem sobre o CloudBook porque eles contam com um boa estratégia de gerenciamento/uso dos computadores nas salas de aula (monitoração/direcionamento de conteúdo, bloqueio de sites inapropriados durante a alua como o FB, etc.) ao contrário do sistema da MS que só recentemente conta com algo semelhante chamado Intune para Educação.

      Dai o que posso dizer é que, como em outros casos, a MS pode não acertar de primeira quando lança um novo produto mas, depois, ganhou pela insistência!

  • Sidney Pontes

    Não sei o quanto % os produtos positivo são originais , falo em relação a ser uma versão de algum produto de fora montado no Brasil mas ele lembra muito alguns modelos que vejo a venda no site gearbest. Segundo a própria reportagem a RAM é soldada mas seria possível substituir o disco rígido por outro modelo de maior capacidade ? É uma coisa a se testar quando for possível um banda on.

    • Mario Nagano

      Assim como muitas empresas daqui (e de fora) os notebooks da Positivo são baseados em modelos de referência oferecidos por empresas como Compal ou Quanta e que chegam por aqui na forma de CKD que são montados no Brasil para que a empresa usufrua de alguns incentivos fiscais.

      Mas devido ao seu porte, quando a Positivo vai negociar com essas empresas, ela tem condições de otimizar esses desenhos de referência para criar um produto mais com a sua cara, o que pode ir muito além do que simplesmente colar a etiqueta da marca na mesma.

      Com relaçào aos 32 GB de armazenamento, não afirmamos categoricamente que esse note da note usa um chip eMMC, já que o que escrevemos foi (eMMC?) ou seja será que ele usa eMMC?

      Essa observação é na verdade uma uma especulação nossa baseada no que vimos no Cloudbook da Acer…

      https://www.ztop.com.br/acer-cloudbook/

      … que não deixa de ser a maneira mais simples e barata de implementar esse recurso.

      Ainda no campo da especulação, pode até ser que esse note tenha um espaço vago para um HDD de 2,5″ mas o bom senso nos diz que ele possa não ter o conector SATA solado na placa e nem os circuitos de apoio, já que isso seria um custo desnecessário para um equipamento voltado para o segmento de valor.

      De fato também foi isso que o pessoal a Acer fez no Cloudbook deles:

      https://www.ztop.com.br/wp-content/uploads/2016/05/Acer_Cloudbook_ES14_base_MB_SATA_HD.jpg

  • Nagano, com um cartão de 64Gb, já daria pra fazer muita coisa off line,
    mas nada de edição de mídia – já que nem o processador aguenta.

    Mas trabalhos escolares, pesquisas educacionais e programação em arduino não fariam feio.