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Notebook ultracompacto reinventa teclado clássico da IBM

Novo Portabook XMC10 da King Jim roda Windows 10 e incorpora um engenhoso “teclado full” num portátil com tela de 8 polegadas.

Numa entrevista que participei em 2012 com David Hill, vice-presidente do grupo de Identidade Corporativa e Design Guru da Lenovo, tive a oportunidade de perguntar se ele já teve o desejo de relançar alguma ideia já usada no em algum ThinkPad. Sua resposta foi a seguinte:

Bom, existem diversos marcos fascinantes em toda a carreira desse produto, mas o meu favorito sempre foi o ThinkPad 701c com seu teclado expansível (também conhecido como butterfly). Tenho dois deles em casa e ainda os levo de vez em quando para mostrar às pessoas e a reação é sempre a mesma — elas ficam embasbacadas ao ver o sistema funcionando. E é sempre divertido ir ao museu de arte moderna de Nova York e ver um ThinkPad sob o mesmo teto de um Picasso, o que me faz sentir uma pessoa especial.

ThinkPad-701C_Butterfly_small

Também nesta entrevista, Hill comentou que ele já tentou reintroduzir esse conceito em projetos mais recentes, mas essa ideia nunca vingou já que a proposta do butterfly era de oferecer um teclado grande e confortável num notebook de tela pequena e o que o mercado anseia até hoje são por modelos leves,  finos e com telas grandes.

De fato, sua proposta de um novo ThinkPad com teclado butterfly foi abandonada em favor de um outro projeto que estava cozinhando no escritório de Yamato (codinome “Kodachi”) que resultou no ThinkPad X300, o precursor de um padrão de formato que chamamos hoje de Ultrabook.

Mas assim como nas Ilhas Galápagos, lá no Japão a tecnologia costuma evoluir de uma maneira bem diferente do resto do mundo, sendo talvez um dos poucos lugares do planeta onde os consumidores ainda apreciam notebooks ultra-compactos — como o finado Sony Vaio P — e estão até dispostos a pagar um pouco mais por isso.

Dai não é de estranhar que o conceito de teclado grande num note pequeno foi reinventado lá na terra dos nipões e anunciado no início deste mês pela fabricante de artigos de papelaria/escritório King Jim: o Portabook XMC10 

portabook_02

Medindo apenas 20,4 x 3,4 x 15,3 cm (fechado) e 830 gramas de peso, o Portabook vem equipado com um processador Intel Atom x7-Z8700um chip quadcore de 1,6~2,4 GHz com GPU Intel HD Graphics de oitava geração (Cherry Trail) do mesmo tipo usado no Broadwell.

Portabook_fechado

Ele também vem com 2 GB de SDRAM DDR3, 32 GB de disco SSD eMMC, slot para cartão SD/SDHC/SDXC/UHS-I, tela LCD de 8″ com resolução nativa de 1.280 × 768 pixels, webcam de 2 MP + array de microfone, saída de áudio, alto-falantes estéreo de 2 watts, uma porta USB 2.0, saída de vídeo VGA e HDMI (com suporte para 4K) e portas de comunicação Bluetooth 4.0 + EDR, Wi-Fi 802.11 b/g/n. Como nos smartphones e tablets, ele possui uma entrada de alimentação na forma de uma porta USB micro de 5 volts que recarrega sua bateria interna, cuja autonomia (segundo o fabricante) é estimada em torno de 5 horas. Um carregador de 5 volts x 2 amperes (do mesmo tipo usado em smartphones) já acompanha o produto.

Portabook_portas1

Seu teclado (quando montado) aumenta a largura do portátil para 26,6 cm e oferece um espaçamento de 1,8 cm (H) x 1,5 cm (V) entre as teclas, o que é praticamente a mesma medida de um teclado-padrão de PC — 1,8 cm (H) x 1,8 cm (V) — isso porque elas são retangulares e não quadradas. Já o seu curso é de 1,5 mm e seu dispositivo apontador, apesar de parecer um TrackPoint, é do tipo óptico, ou seja, ele possui uma câmera que identifica o movimento da ponta do dedo sobre o mesmo e o transforma em movimento do cursor na tela, algo que já vimos no teclado bluetooth para ThinkPad Tablet.

Portabook_teclado1a

Vale a pena observar que, ao contrário do teclado do butterfly — que abria e fechava automaticamente — a versão do Portabook tem de ser montada e desmontada manualmente o que, de um certo modo, indica um design mais simples, barato e até mais original na sua concepção que a versão da IBM.

Portabook_teclado2a
Outro detalhe que chama a atenção nesse produto é o fato dele já vir com Windows 10 pré-instalado, assim como as versões Mobile do MS Office (Word Mobile, Excel Mobile, PowerPoint Mobile), além do OneNote e uma licença de um ano do Office 365.

Some-se a isso o fato de a sua tela não ter interface de toque, o que nos leva a crer que esse portátil é mais indicado para estudantes, profissionais liberais e até força de vendas que precisam de um equipamento simples e funcional para fazer notas, coletar dados, navegar na Web e trocar mensagens e texto, voz ou mesmo fazer videoconferência. De certo modo, ele não deixa de ser um netbook revitalizado, apesar de que, com apenas 2 GB de RAM e 32 GB de disco eMMC, ele se encaixa na categoria de CloudBook da Microsoft.

O interessante é que a King Jim já tem uma “máquina de escrever” compacta  — o Pomera DM10 — mas este se limita a escrever e gerenciar arquivos de texto, ao contrário do XMC10 que tem todas as funcionalidades de um notebook de linha.

pomera

Segundo a empresa, o Portabook chega ao mercado japonês em fevereiro de 2016 com preço ainda a ser definido. Mais informações aqui.

 

Desde o século passado Mario Nagano analisa produtos e já escreveu sobre hardware e tecnologia para veículos como PC Magazine, IDGNow!, Veja e PC World. Em 2007 ele fundou o Zumo junto com o Henrique assumindo o cargo de Segundo em Comando, Editor de Testes e Consigliere.

  • Cesar Cardoso 12/12/2015, 20:03

    O Portabook parece um filho entre um tablet e um Pomera. Não que eu ache ruim, pelo contrário.

  • Sidney Pontes 13/12/2015, 12:01

    mais um produto que não será visto no mercado brasileiro, oque uma pena…sou fã de UMPCs, então tive uma certa afinidade com a ideia. so lamento que produtos como chromebooks e cloudbooks não vão ter um preço competitivo,devido as caracterisiticas do nosso mercado. acabamos infelizmente com produtos caros e somos ‘local de desova” de alguns produtos que não venderam bem, e outros que nunca chegaram aqui por ser possivel que a venda não compense….

  • dflopes 14/01/2016, 18:48

    depois de usar (ainda está em casa, em algum lugar) um viliv S5 e conhecer um vaio P, sou aficionado por produtos portáteis de fato.

    até hoje fico sonhando com um HTC Shift, com windows full e mobile no mesmo aparelho – precisa de potência? usa windows
    precisa de tempo de bateria sem necessidade de muitos recursos? Windows Mobile.

    Espero que o Modo Continuum chegue aos desktops de modo inverso aos smartphones.