Com a OneStep 2, a Polaroid volta ao mercado de câmeras instantâneas (uia!)

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Depois de uma década, a OneStep volta do passado atualizada e pronta para bater de frente com a Instax da Fuji.

Como muitos sabem (até com uma certa tristeza) em 2007 a Polaroid caiu fora do mercado de câmeras e filme instantâneo, um mercado por sinal que o seu fundador Edwing Land literalmente criou do nada exatamente 80 anos atrás ao inventar a fotografia instantânea inspirado por um pedido de sua filha de apenas três anos.

E passados dez anos, a Polaroid está de volta sob uma nova marca — a Polaroid Originals — junto com uma nova câmera analógica, a OneStep 2:

 

Tecnicamente falando, a Polaroid Originals é o novo nome da Impossible Project (entenda essa história aqui) empresa fundada em 2008 por Florian Kaps, André Bosman e Marwan Saba — que assumiram o controle de uma unidade de produção da Polaroid (com maquinário, alguns ex-funcinários e tudo!) na Europa, com o objetivo de continuar a fabricar filmes instantâneos. Depois de alguns altos e baixos, a produção em massa teve início em 2012 com um único produto (um filme preto e branco) mas que depois evoluiu e diversificou para outras mídias (tanto mono quanto em cores) compatíveis com as câmeras Polaroid SX70, 600 e Spectra.

Impossible_I_film

Depois disso a empresa também começou a comercializar câmeras Polaroid recondicionadas e, no ano passado, anunciou sua primeira câmera de desenho próprio, a Impossible I-1

… que parece ter sido o ponto de partida para o desenvolvimento da OneStep 2

… cujo design é inspirado na OneStep 600 original de 1977:

Tecnicamente falando a nova câmera difere da original por adotar um novo tipo de filme batizado de I-Type …

… que é uma variação do filme 600 que não vem com bateria integrada ao cartucho, o que torna esse produto ecologicamente correto e mais em sintonia com os nossos atuais padrões de sustentabilidade.

Curiosamente — e até por uma questão de retrocompatibilidade — o filme 600 ainda pode ser usado na nova câmera.

Até por causa disso, a OneStep 2 vem equipada com uma bateria recarregável de íons de lítio de 1.100 mAh com autonomia estimada em 60 dias. Ela também vem equipada com flash eletrônico e uma objetiva feita de “puro cristal acrílico” (Optical grade Polycarbonate and Acrylic lenses) de 106mm com tratamento antireflexo e foco fixo, ou seja, qualquer assunto que esteja entre 0,6 metros até o infinito sairá nítido na foto.

O ângulo de visão desta lente é de 41° na vertical e 40° na horizontal, o que fica perto de uma lente normal de 50mm em câmeras de filme 35mm.

Já o seu corpo também é feito de plástico ABS e mede aproximadamente 9,5 x 11,0 x 15,0 cm (LxAxP) e 460 gramas de peso sem o cartucho de filme.

Curiosamente, ao contrário da OneStep original o seu visor de enquadramento não tem a forma de luneta e se parece mais com uma mira de enquadramento, o que parece estar mais de acordo com os usuários dos dias de hoje que se acostumaram a tirar fotos com a câmera um pouco afastada dos olhos. Note a presença de um botão liga/desliga do lado direito assim como a porta USB micro usada para recarregar sua bateria interna.

Também acompanha o produto uma correia de pescoço e cabo USB micro.

E além do tradicional modelo com a frente na cor branca, ela também está disponível na cor grafite:

O preço sugerido da OneStep 2 é de US$ 100 (~R$ 313) e já está em pré-venda na lojinha da empresa com previsão de entrega para o próximo dia 16 de Outubro de 2017.

Já o filme i-Type sai nessa mesma loja por US$ 16 (~R$ 50).

Vale a pena ressaltar que uma dos atrativos do filme i-Type/600 é que o tamanho da sua imagem impressa (7,9 x 7,9 cm) é ligeriamente maior que o novo formato Instax Square da Fuji (6,2 x 6,2 cm).

Em contrapartida, o cartucho da Polaroid vem com oito chapas contra dez da Fuji.

Mais informações aqui.

Ainda em tempo:

Essa não é a primeira vez que a Polaroid tenta “voltar” ao mercado de câmeras instantâneas. Em 2010 a empresa lançou em alguns mercados a Polaroid 300 e o filme PIF-300  que nada mais era que o a câmera Instax Mini 7s da Fuji e o seu respectivo filme com a marca americana. Para mim, algo tão distópico quanto a Apple começar a vender desktops com Windows com a marca Macintosh.

Edwin Land deve ter se remexido no caixão quando soube disso.

Sobre o autor

Mário Nagano

Desde o século passado Mario Nagano analisa produtos e já escreveu sobre hardware e tecnologia para veículos como PC Magazine, IDGNow!, Veja e PC World.
Em 2007 ele fundou o Zumo junto com o Henrique assumindo o cargo de Segundo em Comando, Editor de Testes e Consigliere.

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