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Podcast Sem Filtro S01E07 – O smartphone dobrável

Nesta edição do Sem Filtro, Henrique Martin e Emily Canto Nunes falam sobre o Royole FlexPai, o primeiro smartphone dobrável do mundo – na véspera do anúncio de uma tecnologia similar pela Samsung no evento de desenvolvedores que ocorre na quarta (07/11).

Tem ainda curiosidades da viagem do Henrique pela Coreia e um comentário geral sobre o preço dos novos iPhones no Brasil – que chegam às lojas no final desta semana.

ATENÇÃO: FEED NOVO

 

Nagano comenta: Após ouvir esse episódio, eu gostaria de endossar um comentário da Emily sobre a tela flexível que seria “qual é sua real utilidade?” ou seja, se não existir uma “killer app” de verdade capaz de motivar hordas de usuários ensandecidos a irem correndo para uma loja da Samsung e trocar tapas com outros clientes para comprar a unidade de demo que sobrou na bancada.

Acredito que um bom exemplo do passado de um recurso à procura de uma utilidade são os computadores com duas telas, como o Acer Iconia (que vimos em cores e ao vivo em 2010). Era brilhante no conceito, mas nunca decolou nas vendas pela falta de utilidade (um erro por sinal, que não foi repetido pela Lenovo quando do lançamento do seu Yoga Book):

Já um exemplo muito bem sucedido — para não dizer brilhante — do uso correto de duas telas é o bom e velho Nintendo DS lançado em 2004 que mostrou (e ainda mostra hoje) como é possível tirar proveito das duas telas para criar novas experiências de interação, maximizando assim o seu prazer de utilizá-lo:

De fato, até hoje não me esqueço do meu estado de admiração da minha cara de besta quando descobri que, para remover uma camada de pó depositada sobre um mapa numa fase do jogo The Legend of Zelda: Phantom Hourglass bastava “soprar” no microfone.

(Tudo bem que isso nada tem a ver com as duas telas —  mas que foi uma sacada genial e brilhante… ah isso foi! —  já que quase abri um buraco na tela de baixo de tanto esfregar o mapa com o stylus!)

Dai apresentar seu novo sistema de tela dobrável durante a próxima Samsung Developer Conference faz todo sentido, já que vão ser os desenvolvedores que irão criar os aplicativos que irão tirar proveito da nova tela e, quem sabe, deles também sairão a(s) Killer App(s) que a nova plataforma tanto precisa.

Sem isso, essa tecnologia se arrisca a se tornar apenas mais um produto besta no mercado que serviu mais para fazer barulho na rede e que pode ser esquecido depois de algum tempo — se já não está sendo — já  que começam a pipocar na rede supostos “vazamentos” que mostram os possíveis sucessores do (não mais polêmico) notch/franjinha na testa dos smartphones, o que para mim, é uma nova maneira simples e barata de fazer focus group a custo zero — ou seja — um representante (até da própria empresa) mostra discretamente um protótipo/prova de conceito/mockup para um ou mais veículos e depois monitora e analisa o barulho que ele fez na rede.

Fora isso, também assino embaixo as observações do Henrique sobre essas visitas a fábricas/centros de pesquisa de pode ser tanto uma fascinante jornada pela cultura da empresa quanto um verdadeiro programa de índio onde você muitas vezes viaja para o outro lado do planeta para ver um monte de coisas que você já viu ou já conhece (como uma linha de produção) — ou pior, ver coisas que você não entende e, se perguntar, ainda se arrisca a levar uma evasiva do tipo “não posso dizer, segredo industrial!”

Já conversei sobre isso com um executivo da área e o que ele me explicou é que, no passado, essas visitas às fábricas eram bem mais informais e abertas. Só que até por causa disso, eles tiveram experiências bem desagradáveis com visitantes que entendiam bem mais do assunto do que aparentavam e, só com uma batida de olho, descobriam como a empresa fazia isso ou aquilo ou como esta ou aquela máquina estava regulada resolvendo assim este ou aquele problema — e o pior — isso acabou no ouvido da concorrência.

Isso de um certo modo explica essas visitas onde as empresas querem mostrar coisas (mas não mostrando muito).

Mesmo assim, tivemos diversas oportunidades de fazer visitas muito produtivas como a da nova sede da Nvidia ou do laboratório de testes da Lenovo no Japão, além de conversar abertamente com gente muito bacana como David HillPaul Struhsaker, Louis KaneshiroMark Davis entre outros.

Henrique Martin já escreveu na PC World, PC Mag, Folha de S. Paulo e criou o Zumo em 2007. Em 2011, o Zumo se transformou no ZTOP, referência em conteúdo original sobre tecnologia em um mundo pós-PC. Siga-o no Twitter: @henriquemartin