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Cenas de uma fábrica de placas-mãe em Taiwan

Ao contrário do que a maioria pensa, Taiwan não é mais um país cheio de fábricas: a maioria delas, incluindo as das suas principais empresas (como Asus, Acer e HTC), está na China continental. A Gigabyte mantém ainda duas plantas na ilha (e mais duas do outro lado do Mar da China). Deu tempo para fugir uma tarde da Computex 2012 e ir conhecer uma delas, a de Nan-ping.

A fábrica, em um prédio de oito andares, leva o nome da rua (Nan-ping Road) e está a pouco mais de 45 minutos de ônibus do centro de Taipei.

No caminho de ida, Tim Handley, diretor de marketing para placas-mãe da Gigabyte, fez a explicação clássica (e vendedora, claro) de que produtos feitos em Taiwan têm maior qualidade e as empresas aqui sofrem menos com os problemas de mão-de-obra em comparação com os concorrentes com plantas na China continental.

Chegando lá, na entrada do prédio, duas coisas curiosas: uma réplica do edifício produzida com peças de placa-mãe…

…E um pequeno museu de tecnologia, com as primeiras placas produzidas pela Gigabyte no já distante ano de 1986.

Uma parada rápida para checar e-mails (Wi-Fi grátis no saguão da fábrica), tomar água e fazer xixi – e deparar com uma aula rápida de inglês para os funcionários:

Depois, subimos para o oitavo andar para ter aula de como se fabrica placa-mãe (e ouvir de novo o mantra “feito em Taiwan é melhor”, “nossos trabalhadores são superqualificados e a maioria tem mais de cinco anos de casa”, “o desktop não está morrendo, a maioria das nossas placas vendidas é high-end” e “nossas placas-mãe são livres de taxa de suicídio” (sério), mas zero comentários sobre como a fábrica recicla componentes e materiais):

O tour pela fábrica teve três estágios: passar primeiro pelo sétimo andar, onde ocorre o processo de SMT (impressão e montagem robótica de circuitos eletrônicos na placa-mãe), testes e primeiras inspeções, depois seguir para o quinto andar, com a inserção de peças maiores de forma manual e mais testes e, finalmente, chegar ao segundo andar, onde tudo é embalado. Entre os visitantes, jornalistas (maioria da Europa e Ásia) e clientes da Gigabyte.

Basicamente, é parecido com o que já vi na fábrica de PCs, só que aqui a placa-mãe é produzida do zero, e não só montada como ocorre no Brasil.

A boa notícia? Fotos e vídeos liberados para os visitantes. Tem mais fotos no nosso Facebook.

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No sétimo andar:

Antes de entrar na linha de produção, uma passada rápida na máquina que faz FUUUUU para garantir menos sujeira e estática lá dentro.

De cara, vemos a máquina que molda a base da placa-mãe (pense em impressão de camisetas via silk-screen, só que mais tecnológico).

De lá, a placa vazia segue para os robôs que inserem centenas de peças e transistores em segundos (uma das máquinas chega a 15 peças inseridas por segundo).

Cada peça fica em carretéis, como uma grande máquina de costura.

E o que parece com uma placa-mãe começa a surgir:

Olha o chipset aí:

Uma primeira máquina de solda para juntar tudo…

E a placa tem mais cara de placa:

Depois, inspeção, inspeção, inspeção:

Na linha de produção em paralelo, o tema eram placas de vídeo (mas não era o foco da visita, apesar de o processo ser o mesmo):

Daí, desce dois andares – e tem vista para fora da fábrica!

No quinto andar:

Aqui, a Gigabyte insere as peças maiores – como portas USB, slots para encaixe de memória e placa de vídeo, saídas de som etc. – na placa-mãe. E é trabalho manual, de formiguinha. Cada funcionário insere uma pecinha por vez.

E quando falo em “linha de produção”:

Depois de tudo encaixado, a placa-mãe segue para a soldagem final  – e é rápido e quente.

Para sair uma placa prontinha para uma nova rodada de testes:

E mais inspeção visual para garantir que cada coisa está no seu lugar:

Depois vêm os testes de componentes:

No segundo andar:

Placas prontas e testadas, hora de embalar:

 

Depois de prontas, colocar na caixa e despachar para o destino final. Naquele dia, vi placas que iam para Hong Kong e para a Europa. Deu também para entender porque fotos estavam liberadas nesse dia: essa placa é uma das mais básicas da Gigabyte – o que representa cerca de 14% do mercado de placas da Gigabyte. Valeu, pelo menos, para matar a curiosidade de ver uma fábrica de placas-mãe de perto.

Por sinal, esse andar foi o único que deu para ver algo além do chão de fábrica estéril, com algumas informações dos funcionários…

E até um espaço mais que limitado para itens pessoais – neste caso, um recipiente de chá/água…

e algumas plantinhas (!). Foi o máximo de individualidade expresso dentro da linha de produção.

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Henrique Martin já escreveu na PC World, PC Mag, Folha de S. Paulo e criou o Zumo em 2007. Em 2011, o Zumo se transformou no ZTOP, referência em conteúdo original sobre tecnologia em um mundo pós-PC. Siga-o no Twitter: @henriquemartin