Depois do IoT, a IoD: Internet dos Cães

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Serviço da Petz utiliza tecnologias de reconhecimento facial e aprendizado de máquina para identificar o nível de interesse do animal pelo objeto a venda. Até parece 1o de abril, mas o serviço é bem real e muito divertido.

Da série “como é que ninguém pensou nisso antes” a rede de pet shops Petz lançou o Pet-Commerce

… o primeiro serviço de compras online do mundo onde o melhor amigo do homem pode escolher livremente o produto que mais lhe agrada no site da empresa e ainda passa a conta pro homem!

Criada pela Ogilvy Brasil e desenvolvida pela D2G Tecnologia e Hogarth, o Pet-commerce utiliza a tecnologia de reconhecimento facial para medir o nível de interesse do cachorro pelo objeto apresentado na tela – que é quantificado numa escala de 1 a 5 (ossinhos) sendo aqueles que ultrapassam um certo limite, faz com que o produto seja automaticamente colocado no carrinho de compras.

A conclusão da transação ainda é feita pelo dono.

Esse sistema também tira proveito das novas tecnologias de aprendizado de máquina (ou machine learning) onde uma rede neural foi treinada para identificar o comportamento do cachorro por meio da análise de milhares de imagens de cães de diversas raças, incluindo vira-latas.

Segundo Leonardo Ogata, adestrador e profissional que auxiliou no treinamento da inteligência artificial, ao olhar para a câmera, se as orelhas apontam em direção da lente e o animal não olha para trás ao ver o site, isso são sinais de que o cão gostou da brincadeira e se interessou pelo produto apresentado.

Outro detalhe importante que foi levando em consideração na hora do desenvolvimento desse serviço foi a visão e audição dos cachorros.

Como assim? — Diferente dos humanos, eles enxergam numa escala de amarelos e azuis. Além disso, eles não prestam atenção em imagens estáticas. Por isso, todos os produtos do Pet-Commerce são apresentados em forma de vídeos, na paleta de amarelos e azuis:

E, pra completar, o áudio também foi ajustado para os cachorros conseguirem perceber melhor o som.

Segundo Sandra Azedo, diretora de comunicações da Ogilvy Brasil, esse serviço é inédito no mundo e vai de encontro com a filosofia da Petz que é de que a relação entre pets e suas famílias seja melhor a cada dia.

Ela explicou que essa página de pet-commerce irá oferecer inicialmente 40 itens entre brinquedos, bolinhas e ossos com previsão de ampliar esse número com o passar do tempo.

Quando perguntamos, por que não oferecer outros itens como roupinhas ou até mesmo petiscos e rações, Azedo observou que coisas como uma bolinha ou ossinho são coisas que chamam a atenção e o interesse do cachorro — que pode ser identificado pelo sistema de pet-commerce do site — ao contrário de um chapéu, coleira ou roupinha que seria mais uma manifestação do desejo ou gosto do seu dono e não necessariamente do pet.

Já no caso das comidas, é importante lembrar que um dos sentidos mais aguçados do cachorro é o seu olfato de modo que apresentar um saco de ração na tela do computador não irá dizer muito para o cão, já que ele não vai conseguir cheirar a comida para saber se gosta.

E essa aplicação também serve para gatos? — Segundo a executiva, por enquanto não, porque o comportamento de um gato é bem diferente de um cachorro de modo que eles ainda estão pesquisando o assunto e, quem sabe, um dia eles também não desenvolvem um serviço de IoC (Internet-of-Cats?).

Matilda, a gata preta do Henrique, ignorou a notícia 😉

“Gato não compra, manda buscar”, Matilda

Mais informações aqui.

Sobre o autor

Mário Nagano

Desde o século passado Mario Nagano analisa produtos e já escreveu sobre hardware e tecnologia para veículos como PC Magazine, IDGNow!, Veja e PC World.
Em 2007 ele fundou o Zumo junto com o Henrique assumindo o cargo de Segundo em Comando, Editor de Testes e Consigliere.

Por Mário Nagano

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