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Pentax Q: (mais) uma câmera DSLM ultra-compacta

Depois da Sony e da Panasonic, chegou a vez da Pentax entrar na onda das câmeras compactas de lente intercambiável com seu próprio padrão de baioneta e lentes ainda menores que o Micro-Four Thirds.

Batizada de Pentax Q, o modelo de estréia mede apenas 9,8 x 5,8 x 3,1 cm (LxAxP) e 200 gramas de peso (sem a lente) sendo ligeiramente menor que a nova Lumix GF-3 e que de um certo modo revive outro clássico da empresa — a Pentax Auto 110 — considerada a menor SLR de todos os tempos.

Mas, ao contrário da GF-3, acreditamos que a Pentax Q fará mais sucesso entre o público masculino com seu desenho meio retrô e cheio de botões, dials e seletores externos (eu contei 17 só no corpo) que todo entusiasta de fotografia gosta de ficar apertando, girando e selecionando. Seu corpo é todo em magnésio fundido e estará disponível nas cores preto e branco.

Mais do que mais uma SLRM compacta no mercado, a Pentax Q introduz uma nova baioneta batizada de “Q Mount” que a empresa afirma ser 20% menor que a sua histórica baioneta Pentax K, cujo desenho básico mantém-se o mesmo desde da sua introdução em 1975. Devido a pouca distância entre a baioneta e o plano do sensor acredito que com o tempo apareçam no mercado adaptadores para usar lentes novas e antigas de outros fabricantes na Pentax Q a exemplo do que já acontece hoje com o padrão Micro Four Thirds e com a Sony NEX.

Fora isso, ele também adota um novo sensor CMOS de 1/2,3″ (6,17 x 4,55 mm) de 12,4 megapixels que chega a ser 88,4 % menor que o Micro-Four Thirds (18,0 × 13,5 mm). Ela consegue bater até 5 fotos por segundo no modo contínuo e sua sensibilidade ISO varia de 125 até 6.400.

O uso de um sensor menor traz uma vantagem muuuuito interessante que é de abrir espaço no seu interior para a instalação de um sistema de establização de imagem do tipo sensor shift (tecnologia NR) no corpo da máquina. Isso faz com que qualquer lente possa contar com esse recurso, ao contrário da linha NEX da Sony e toda linha de DSLMs da Panasonic que implementaram esse recurso em algumas lentes alegando falta de espaço no corpo da máquina. Fora isso, ele também conta com filtro ultrassônico (tecnologia DR II) que remove eventuais impurezas que possam grudar no sensor.

Sua tela LCD de 3,0″ de 460 mil pontos ocupa praticamente toda a parte de trás da câmera. O painel de comando me parece ser simples e intuitivo. Ela é capaz de capturar imagens de até 4.000 x 3.000 pixels no formato 4:3 (c0m opção de mudança para 3:2, 16:9 e 1:1)  e vídeos em Full HD.

Além dos tradicionais modos manuais ou de prioridade de velocidade/abertura, a Pentax Q oferece diversos modos criativos:

  • Brilliant Color: Cria uma atmosfera animada, elevando o nível de saturação quase ao ponto do seu limite.
  • Unicolor Bold: Cria uma imagem monocromática de alto contraste ao mesmo tempo que mantém uma determinada cor na imagem.
  • Vintage Color : Produz um efeito semelhante a das obtidas com Toy Cameras, com opção de dar alguns toques finais.
  • Cross Processing: Produz uma imagem única, com cores incomuns cuja técnica nasceu na época da fotografia analógica onde um filme era processado com a química de outro tipo.
  • Warm Fade: Cria uma imagem de baixo contraste com o balanço de branco ligeiramente deslocado para tons rosados.
  • Tone Expansion: Produz uma imagem dramática com um toque artístico, muito parecido com o efeito HDR (High Dynamic Range).
  • Bold Monocrome: Produz uma imagem mocromática de alto contraste fortemente puxada para o preto.
  • Water Color: Cria um efeito aquarela.
  • Vibrant Color Enhance: Cria um clima acentuado com cores vibrantes.
  • User: combina algumas preferências de imagem e um filtro digital.

Para quem quiser explorar esses modos existe um simulador desses efeitos no site do Japão.

Na lateral esquerda temos o acesso para o seu cartão de memória padrão SD/SDHC/SDXC. Curiosamente o compartimento da bateria localiza-se no lado direito e não na sua base…

… local onde fica sua interface USB e porta de vídeo micro-HDMI:

Um detalhe muito curioso do seu desenho é o seu flash que, quando acionado, se estende para uma posição bem afastada da lente o que ajuda a minimizar o efeito de olhos vermelhos. Como alternativa o usuário pode encaixar uma unidade externa na sua sapata de flash.

Junto com a nova câmera, a empresa já anunciou alguns acessórios opcionais como capas, visores, correias, filtros etc. e cinco objetivas para a nova baioneta Q que será dividida em diversas séries (01 a 05) identificadas por números gravados na própria lente.

Entretanto o que realmente me chamou a atenção foram as chamadas Toy Lens (é sério!)  uma curiosa linha de lentes que impressionam pela sua simplicidade já que além de usar mais plástico na sua construção (incluindo o engate com a câmera), elas possuem abertura fixa (uia!) e foco manual (uia! uia! uia!) o que simplifica/reduz em muito o seu custo de produção e consequentemente seu preço sugerido que varia de 5.980 até 9.800 ienes (R$ 119 ~ R$ 195).

 

(clique na imagem para ver suas especificações)

Segundo a Pentax a idéia por trás das Toy Lens é de criar uma linha de produtos que incorporem elementos de imprevisibilidade na captura de imagens — algo popularizado pela Lomografia, que revolucionou a fotografia trash transformando-a numa nova forma de expressão artística. Para isso, a Pentax incorporou alguns “defeitos especiais” nessas lentes não corrigindo distorções nem aberrações de imagem, permitindo assim obter imagens tão ruins artísticas quanto uma câmera de brinquedo.

No Japão, o preço sugerido da Pentax Q varia de 69.800 ienes (R$ 1.382) para o kit com a lente série 01 normal (49 mm/f 1.9) ou 89.800 ienes (R$ 1.778) para a versão com a lente série 01 normal mais uma zoom série 02 de  27,5 ~ 83,0 mm/ f 2.8~4.5. Nos EUA seu preço inicial vai ser de US$ 800 com a lente série 01.

Para quem achava que a Pentax iria entrar em decadência ou mesmo deixar de existir depois de ser adquirida pela Hoya é ótimo ver que a marca vai bem obrigado e que mostra disposição para chutar traseiros com produtos criativos e inovadores.

Mais informações aqui.

 

Desde o século passado Mario Nagano analisa produtos e já escreveu sobre hardware e tecnologia para veículos como PC Magazine, IDGNow!, Veja e PC World. Em 2007 ele fundou o Zumo junto com o Henrique assumindo o cargo de Segundo em Comando, Editor de Testes e Consigliere.

  • Ricardo Kawabe 26/06/2011, 12:40

    Belíssima máquina!