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Review: Panasonic Gourmet Cooker SR-DF181

A Pansonic lançou sua primeira panela de arroz (modelo EC-36) em 1956 sendo que, pela primeira vez, ela traz oficialmente para no Brasil dois modelos batizados de Gourmet Cooker. Leia o review.

Utensílio doméstico indispensável em qualquer casa japonesa, a panela de arroz elétrica tem suas origens na década de 1930, época em que o exército japonês desenvolveu um modelo bastante primitivo na forma de uma caixa de madeira com dois eletrodos instalados nos seus lados opostos.

Quando cheia com arroz e água e ligada a uma corrente elétrica, a água entra em ebulição e, à medida que o arroz cozinha, com a redução da água e o aumento da resistência, a temperatura cai, mantendo assim a comida quente. Trata-se de um sistema bem simples e engenhoso, mas que envolve muitos riscos — entre eles o de eletrocutar o cozinheiro — de modo que ela ainda não era considerada boa para uso doméstico.

Reza a lenda de que um dos primeiros produtos criados pelo fundadores da Sony — Akio Morita e Masaru Ibuka — foi exatamente uma panela elétrica (abaixo). O produto foi um fiasco, já que a qualidade do cozimento dependia muito da qualidade do grão e até da água, de modo que o arroz podia sair mal-cozido ou até mesmo queimado o que não era do agrado das donas de casa japonesas nos tempos bicudos do pós-guerra. De fato, o desenvolvimento desse utensílio foi longo e tortuoso (baseado em tentativa e erro), até que em 1956 a Toshiba Electric lançou sua primeira panela bem-sucedida, que utilizava um sistema de dois compartimentos que lembra vagamente o “banho-maria“: o arroz é cozido dentro de um segundo compartimento cheio de água aquecida.

Essa panela original até possuía um termostato que desligava a panela caso a água secasse, evitando assim que o arroz queimasse.

Esse sistema de aquecimento indireto foi posteriormente substituído por outro que dispensava o uso de água e, em 1965, a empresa Zojirushi introduziu o toque final, introduzindo um modelo equipado com um circuito regulador de temperatura capaz de manter o arroz cozido em uma temperatura morna, porém alta o suficiente para evitar o crescimento do perigoso Bacillus cereus que pode provocar intoxicação alimentar.

No geral, essas são as características mais comuns encontradas nessas panelas atuais, apesar de novos modelos apresentarem novidades como timers inteligentes, diferentes ciclos de cozimento, aquecimento por indução, micro-ondas e até comunicação com smartphones. Assim como podemos ver, a evolução desse produto tem tudo a ver com comodidade e facilidade de uso.

A Pansonic lançou sua primeira panela de arroz (modelo EC-36) em 1956 sendo que, pela primeira vez, ela traz oficialmente para no Brasil dois aparelhos batizados de Gourmet Cooker, com modelos SR-DF101 (à esquerda) e SR-DF181.

No geral, a diferença está na sua capacidade interna — 1,0 litro e 1,8 litros, respectivamente — de modo que a menor é mais indicada para pessoas solteiras ou casais sem filhos, enquanto que a maior é mais interessante para famílias maiores. Para aqueles já familiarizados com o jargão desses produtos, o SR-DF101 tem capacidade de 1 até 5,5 copos (de medida) de arroz cru, enquanto que a SR-DF181 aceita de 1 até 10 copos.

O modelo que recebemos para teste aqui na Zumo-caverna é a SR-DF181, o modelo de maior capacidade cujo visual lembra muito as panificadoras domésticas…

… porém em uma escala menor já que ela mede apenas 27,7 x 26,7 x 38,1 (LxAxP) e 2,8 kg de peso sem o seu kit de acessórios…

… formado pelo cabo de força, colher especial para pegar/remexer o arroz cozido, copo de medida…

… e uma bandeja especial para cozinhar legumes no vapor. Também acompanha o produto um manual com instruções de uso e algumas receitas básicas sendo que outras podem ser encontradas no hotsite do produto.

No geral, trata-se de um modelo simples e honesto que foca os seus recursos no essencial sem se perder em muitas firulas tecnológicas como temporizadores ou comunicação com a internet. Isso na minha opinião é algo positivo já que isso pode ser traduzido em operação mais simples e direta e manutenção mais fácil.

Interessante notar que essa panela possui alguma inteligência embarcada (baseada em fuzzy logic) que, segundo a Panasonic garante um desempenho ideal para a receita desejada, pois adapta o sistema de cozimento para cada estágio de preparo do alimento. Fora isso, a panela conta com quatro funções pré-programadas que possibilitam preparar diversas receitas. A saber:

Cozimento rápido/vapor: Trata-se de um ciclo de cozimento que permite fazer polenta (25 min) ou frituras rápidas normalmente preparadas em frigideiras como filé de frango (18min),  fritada (11min), omelete (11min), banana em fatias (14min) etc.

Arroz: Este é o ciclo clássico para fazer arroz branco e grelhados de frigideira como costelinha de porco (1h12min), almôndegas (42min), linguiça calabresa (25 min) etc.

Bolo/Arroz integral: Como o nome sugere, é um ciclo de longa duração para preparar arroz integral e assar pequenos bolos e tortas salgadas como brownie (1h20min), bolo de cenoura (1h20min), bolo formigueiro (1h20min), pão (1h20min), torta de atum (1h20min).

Mingau/sopa: Esse ciclo é mais voltado para preparar alimentos cozidos em água como lentilha (1h30min), frango com legumes (1h30min), sopa de ervilha (1h30min), grão de bico (1h30min), mandioca e, é claro, mingau (15min).

Ela também conta com um controle de temperatura controlado por microprocessador para manter a comida aquecida e um botão para desligar o aparelho.

O seu sistema de cozimento é por meio de compartimento duplo (sem água), sendo que a panela interna é aquecida por meio de uma chapa quente na base ativado por meio de um sensor de peso:

A tampa superior possui uma segunda tampa interna de alumínio com isolamento por meio de um anel de borracha de silicone…

… o que a fecha hermeticamente, agilizando assim o processo de cozimento. O excesso de calor/vapor escapa por cima…

…controlada por uma simples válvula de segurança de fácil limpeza e manutenção.

Vale a pena notar que a panela possui recessos ao redor da panela interna que retêm pequenos vazamentos de líquidos, impedindo assim que eles escorram para fora.

A panela interna é revestida de material anti-aderente e pode ser facilmente removida para limpeza. Note que ela possui diversas escalas internas que indicam o nível correto de água para certas quantidades de comida a ser cozida…

… todas representadas em CUP (= copos) que é a unidade básica de medida dessas panelas.

Para preparar o arroz branco estilo japonês (só cozido com água), basta escolher e lavar bem algumas medidas de arroz (neste caso quatro copos)…

… colocar na panela e completar com água até a medida corresponde no interior da panela…

… fechar a tampa e ativar o programa Arroz. A partir desse momento o cozinheiro pode fazer outras coisas já que o procedimento é totalmente automático.

Monitorando o consumo da panela podemos ver os ciclos de aquecimento da panela. O consumo máximo de energia ficou em torno de 550 watts chegando a quase zero no fim do cozimento, entrando automaticamente na função manter aquecido.

Note que mesmo na função manter aquecido o consumo de energia é quase zero, de modo que acreditamos que o consumo deva subir apenas quando a temperatura do arroz cair para um valor abaixo do programado, economizando assim energia.

Interessante notar que, durante o cozimento, a panela não mantém o seu consumo constante trabalhando sim com pulsos de aquecimento. Não sabemos se isso faz parte do funcionamento dessa panela ou se trata se alguma estratégia para consumir menos energia.

O tempo de cozimento é de aproximadamente 40 minutos sendo que o resultado final pode ser visto abaixo. É recomendável que nesse ponto o cozinheiro pegue a pazinha de arroz que acompanha a panela e remexa o arroz para que ele fique mais fofinho antes de servir.

Como era de se esperar, o arroz está no ponto e bem ao gosto do paladar japonês ou seja, sem tempero, fofinho e levemente grudento.

Pela minha experiência, é possível preparar arroz branco a moda brasileira: basta refogar os grãos de arroz cru no óleo, juntar os temperos, colocar na panela com a quantidade de água ligeiramente menor e usar o mesmo programa. Neste caso, os grãos não ficam tão soltinhos como o feito no fogão, mas o sabor é praticamente o mesmo.

Essa é outra receita que está no manual do usuário — Arroz com Frango. Mas analisando alguns de seus ingredientes como raiz de bardana, cogumelo shitake, aguê (tofu frito) e o resultado final, isso me parece mais uma receita de mazegohan ou seja, outra receita japonesa.

Esse é o bolo de cenoura, outra receita do manual…

… e que leva aproximadamente 1 hora e 30 minutos para ficar pronta:

. Nesse momento a massa ainda está bem úmida de modo que o ideal é aguardar uns 10 minutos antes de desenformá-la.

Uma coisa que notamos nessa receita é que a quantidade de bolo é relativamente pequena (algo como quatro porções individuais). Daí surgiu a dúvida se não seria possível fazer um bolo maior apenas dobrando ou triplicando a receita. Levamos essa dúvida para a Panasonic do Brasil e a resposta que tivemos foi “não”, de modo que caso o usuário queira mais bolo é necessário fazer uma receita de cada vez, o que pode levar diversas horas.

Nossas conclusões:

Para mim o sucesso da panela de arroz elétrica tem tudo a ver com comodidade: ela é fácil de ser usada (coloque arroz, complete com água, ligue a panela e vá fazer outra coisa) e o resultado final é sempre o mesmo — um arroz quente e gostoso a toda hora. Proposta semelhante é a das panificadoras domésticas que prometem pão quente e fresquinho todo dia para o café da manhã e sem precisar ir à padaria.

Sob esse ponto de vista, a Gourmet Cooker da Panasonic faz o que promete e com um pé nas costas. Entretanto, eu entendo que esse produto é muito focado no consumidor oriental, que consome arroz cozido em água, o que pode ser um problema para os consumidores ocidentais que preferem receitas mais elaboradas e com mais sabor mais rico (literalmente falando), apesar de que arroz temperado pode ser feito sem problema com algumas adaptações na receita.

Assim, para esse produto conquistar a essa nova clientela, os fabricantes tiveram que inventar novas aplicações e receitas para esse utensílio — como fritar linguiça, fazer uma omelete ou cozinhar mandioca — o que, apesar de possível, me parece meio fora de contexto já que isso pode ser feito de maneira até mais rápida com uma panela no fogão.

De fato, isso até me lembra a chegada dos fornos de micro-ondas nos anos 1980, época em que os fabricantes prometiam que ele era capaz de fazer de tudo — de fritar bife até ovo cozido — mas que, com o passar do tempo (ou depois de tentar secar meias ou comer um bife cozido no micro-ondas) as pessoas descobriram que a aplicação matadora desse produto é, de fato, descongelar carnes, requentar pratos, fazer bolo de caneca ou estourar pipoca.

Fora isso, é bom ressaltar que uma das grandes sacadas dessa panela é que ela praticamente faz tudo sozinha. Enquanto o arroz cozinha, o cozinheiro (ou a cozinheira) pode ir fazer outras coisas como preparar uma carne, verdura ou mesmo um bolo e tudo ao mesmo tempo — algo impossível de ser feito com a Gourmet Cooker — já que ou você faz o arroz ou faz a mistura, sendo que algumas delas pode demorar mais de uma hora.

Assim, é importante que o consumidor interessado nessa panela esteja ciente que estará adquirindo — na sua essência —  um utensílio cuja função principal é de fazer arroz e, eventualmente, outros pratos.

RESUMO: Pansonic Gourmet Cooker SR-DF181

O que é isso? Panela elétrica para fazer arroz e outros alimentos.
O que é legal? Excelente para fazer arroz. Fácil de usar.
O que é imoral? Algumas receitas podem não sair da maneira esperada.
O que mais? Também disponível numa versão menor, mais indicado para pessoas solteiras ou casal sem filhos.
Avaliação: 6,0 (de 10). Entenda nosso sistema de avaliação.
Preço estimado: R$ 269
Onde encontrar: www.panasonic.com.br

Desde o século passado Mario Nagano analisa produtos e já escreveu sobre hardware e tecnologia para veículos como PC Magazine, IDGNow!, Veja e PC World. Em 2007 ele fundou o Zumo junto com o Henrique assumindo o cargo de Segundo em Comando, Editor de Testes e Consigliere.