Oscar Clarke reaparece (e de camisa nova!)

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Nosso gerente geral de empresa favorito e chapa deste Zumo Oscar Clarke fez sua primeira reaparição para a imprensa ontem — saiu da Intel e agora é o novo presidente da HP Brasil — e estivemos lá para ouvir suas idéias para manter a liderança da sua empresa e como conquistar novos mercados. O que inclui a criação do primeiro computador educacional da empresa.

Depois de liderar a Intel Brasil por mais de cinco anos, Clarke disse que sua sensação era de ter fechado um ciclo (leia-se: colocar seu chip em mais de 80% da máquinas comercializadas por aqui) e que novos desafios o esperam na HP na direção da divisão de Enterprise Business e como presidente da empresa. E como é de seu estilo, seus planos não são modestos — aumentar o market share (ou “fair share” como ele diz) nas áreas onde sua empresa já é lider e correr atrás daquelas que ela ainda não domina.

Ele diz que isso não é arrogância e sim a afirmação de que ele conta com o maior portfólio de produtos e serviços de tecnologia e um grupo de profissionais capazes de oferecer para o mercado a melhor e a mais completa solução para seus clientes independente do seu porte e tamanho. Para alcançar esses objetivos, ele pretende aumentar o nível de sinergia e troca de informações entre as suas principais unidades de negócios — sistemas pessoais, imaging e serviços — e ele explica que isso não tem nada de complicado, já que por exemplo, se estamos indo numa empresa para vender uma solução administrativa, porque não levar junto alguém do setor de imaging para oferecer um serviço de impressão sob demanda? — e isso esse filho de mãe piauiense e pai inglês tira de letra.

E com relação ao mercado de computadores? Clarke confessa que esse é um dos setores que realmente tiram o seu sono — e como ele gosta de dormir à noite — ele está determinado a conquistar seu fair share do mercado independente do mercado cinza ou de qualquer outra cor que ela tenha. E se o problema for preço — uma característica inerente ao nosso mercado — a HP estará disposta a desenvolver um produto local de menor custo que atenda a esse público, em especial a classe D que ainda está adquirindo seu primeiro computador. Quando perguntado se ele teria autonomia para fazer isso? Ele disse que sim, desde que o produto tenha escala e fabrica eles tem quatro aqui no Brasil.

Mas levando em consideração o passado recente da empresa onde ela assimilou conhecimento, novas tecnologias e até mercado por meio de aquisições de empresas — caso da EDS, 3Com e Palm — aproveitei para perguntar se não seria mais fácil a HP simplesmente comprar alguns concorrentes deste setor (ou mais exatamente uma fabricante lá de Curitiba). Oscar explicou que uma aquisição desse tipo só faria sentido se ela trouxesse  algo que complementasse o seu negócio ajudando o mesmo a melhorar, o que não seria o caso do pessoal de Curitiba. Aliás, ele disse que respeita muito uma empresa local que consegue bater de frente com uma big player mundial, mas isso não vai impedir sua determinação de conquistar seu fair share nesse mercado (e de voltar a dormir à noite).

Henrique comenta: falando em perder o sono, o Clarke pode não esquentar agora com a Positivo, mas já ouvi de VP mundial da HP, alguns anos atrás, que os curitibanos eram uma pedra no sapato da HP. E, só complementando o discurso do Nagano, sim, o Oscar Clarke é mesmo nosso gerente-geral favorito (sem puxa-saquismo, o cara é gente boa mesmo!)

A grande surpresa (pelo menos para mim) é que essa estratégia também será aplicada em um outro projeto local — a criação do primeiro computador educacional da HP — que a empresa pretende oferecer na próxima licitação do governo para o projeto UCA (um computador por aluno).

Quando perguntei se a HP iria fazer como a CCE e Positivo e ofercer praticamente o mesmo produto — baseado na plataforma Classmate PC da Intel — Oscar disse que não mas como o Classmate, ele será um computador portátil mas será desenvolvido pela própria HP  “independente do tipo de processador que ele terá lá dentro” (uia!)

E esse por sinal foi a grande deixa para ele responder aquela pergunta que acho que todo mundo queria fazer mas não tinha coragem de perguntar: e a AMD? E como ninguém fez ele já foi logo respondendo:

Agora sou uma pessoa agnóstica e não me interessa mais que tipo de processador vai dentro do computador. O importante agora é que os usurários tenham o melhor produto que, para mim, leva a marca HP!

Sobre o autor

Mário Nagano

Desde o século passado Mario Nagano analisa produtos e já escreveu sobre hardware e tecnologia para veículos como PC Magazine, IDGNow!, Veja e PC World.
Em 2007 ele fundou o Zumo junto com o Henrique assumindo o cargo de Segundo em Comando, Editor de Testes e Consigliere.

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