Opera: foco em TV (pro futuro) e na classe C (agora!)

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A Opera Software é a típica empresa que você até sabe alguma coisa, já usou algum produto, mas depois acaba descobrindo que, bem, ela pode ser gigante em determinado setor.

O Opera Mini, carro-chefe dos navegadores para featurephones (nome besta para aparelhos celulares que não são smartphones), por exemplo, é usado por mais de 152 milhões de pessoas em todo o mundo. Mas, pela conversa que tive hoje com Sabrina Zaremba, gerente regional para América Latina, e Mike Taylor, “web opener” da Opera, sim, o Mini ainda é importante, mas vem um monte de coisas novas por aí.

Nas palavras de Sabrina, “a Opera tem o olho aberto para a América Latina”. A expansão da companhia norueguesa ao Brasil começou em meados de 2010, quando a operadora TIM foi a primeira a lançar o Opera Mini para seus clientes, em uma versão customizada. “Quem usa o Mini tem o perfil da internet pré-paga, com aparelho básico. E consegue uma navegação melhor do que em um browser nativo do celular”, explica.

Hoje, a Opera consegue ganhar dinheiro nas suas parcerias com operadoras, fornecedores de conteúdo (como o Terra, por exemplo), busca, loja de aplicativos (para celular, smartphone e TV) e publicidade no navegador – Motorola, Unilever, Netshoes e Coca-Cola já divulgaram produtos via Opera Mini no Brasil.

Tal barulho propagandístico tem um foco: o usuário do Opera Mini no Brasil. “É essa nova classe C, que tem um featurephone e quer navegar na internet com um plano pré-pago”, diz Sabrina. “A demanda é muito grande para internet no celular, e esse público está migrando para o smartphone”, afirma.

Tá, mas qual o próximo passo da Opera, já que os featurephones não devem durar muito tempo antes de serem substituídos pelos smartphones? “Hoje na China você encontra Androids por 100 dólares ou menos. O preço vai cair muito no futuro, e hoje um aparelho atual de US$ 600 (como o Galaxy Nexus que ele tira do bolso) vai custar menos e menos. E, quando isso acontecer, talvez o featurephone importe menos”, comenta Taylor. “E aí o consumidor vai migrar do Opera Mini para o Opera Mobile, mais completo, com renderização de Javascript direto na página e suporte a HTML5 e CSS3”, completa.

Mas nem só de navegadores vive a Opera: já têm uma solução de loja de apps para celulares e apostam – de um jeito um tanto único nesse mercado – que os apps para TVs virão com força total. E a loja da Opera, chamada de TV Store, foi anunciada na CES 2012 e pode vir, em um futuro próximo, a ser uma solução que pode unificar as lojas das TVs conectadas: é baseada em HTML5 e roda em qualquer televisor compatível – como na foto abaixo. Já combinei com a Sabrina (não é a pessoa da foto abaixo…) de ver uma demo da Opera TV Store no Mobile World Congress, no final do mês.

 

 

Sobre o autor

Henrique Martin

Henrique Martin é o fundador do ZTOP+ZUMO e da newsletter de tecnologia Interfaces. Já escreveu na PC World, PC Magazine, O Estado de São Paulo, Folha de S. Paulo e criou o ZTOP+ZUMO em 2007, referência em conteúdo original sobre tecnologia em um mundo pós-PC.

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