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Olympus OM-D: pode uma câmera revisitada salvar a fabricante?

Depois de ressuscitar a Olympus Pen, a fabricante japonesa quer fazer o mesmo com sua clássica linha de câmeras SLR.

Abalada por uma crise financeira (e acusações de fraude) que quase a tirou da TSE (bolsa de valores de Tóquio) na semana passada, a Olympus está enviando sinais de fumaça para o mercado de que vai lançar uma nova família de câmeras DSLM. De fato, o site da Olympus nos EUA até já botou um ar um teaser que fala de um novo começo — que, por sinal, casa bem com a atual situação da empresa:

Segundo rumores do mercado — a exemplo do que aconteceu com a marca Pen (que virou Pen Digital) — essa nova linha será inspirada na sua clássica família de câmeras SLR dos anos 1970~80 e se chamará OM-D.

O primeiro modelo que deve ser anunciado ainda neste semestre (outros dizem em um mês) é um modelo topo de linha equipado com sensor de 16 megapixels, estabilizador de imagem e  com preço estimado acima dos 100 mil ienes (~ US$ 1.300 ou R$ 2.280) e que será oferecido inicialmente para o mercado americano, europeu e partes da Ásia.

De um certo modo, a OM-D pode ser para a Olympus o produto que marca a recuperação da empresa que se envolveu num sério escândalo financeiro descoberto no final do ano passado. A parte mais triste desta história é que ela é dona de uma rica e respeitada linha de produtos, da maior fatia do mercado de câmeras DSLM do Japão, mas que todo esse patrimônio pode ir para o buraco ou para as mãos de algum concorrente só por que foi mal administrado.

Para mim, essa notícia vai de encontro de um rumor que circula faz tempo de que a Olympus estava desenvolvendo uma nova câmera DSLM micro 4/3 topo de linha com visor do tipo EVF embutido no seu corpo, como já existe na Lumix G1/G2/G3, Nikon V1 e na Sony Nex-7. E já que estamos viajando na maionese, meu palpite é que a lente para essa nova câmera deve ser a nova M.ZUIKO DIGITAL ED 12-50mm F3.5-6.3 EZ anunciada no final do ano passado e que pelas suas características únicas — entre elas a primeira micro 4/3 da casa a ser à prova de pó e respingos d’água — que nada tem a ver com a atual linha Pen, mas que se encaixaria bem numa câmera de perfil mais profissional/avançado como nas DSLR Olympus E-1/E-3/E3-5.

Fora isso esse tipo de zoom — que equivale á uma grande-angular (24 mm) para meia tele (100 mm) — é considerada hoje uma lente de uso geral e que normalmente acompanha uma câmera nova (wink! wink!)

Fora isso — a exemplo do que fez a Fuji Film com sua FinePix da série X — especula-se que o corpo da OM-D seja dona de um visual retrô fortemente inspirado na OM-1 original de 1972 que, na época se destacou da concorrência graças ao seu desenho leve e compacto, visor amplo, mecanismo preciso e suave, óptica sublime, além de adotar diversas soluções de design pouco usuais porém bem elegantes — muitas por sinal vindas da cabeça de Yoshihisa Maitani, Design Guru da empresa que também ajudou a desenvolver a Pen F “meio-quadro” e a Olympus XA — entre elas estão a montagem o seletor de velocidade em um anel ao redor do engate da baioneta, deslocando assim o anel de abertura para a frente da lente.

Internamente a OM-1 possuía um sistema de amortecimento “a ar” (air damp) que minimiza o efeito de vibração causado pelo espelho quando este se movia rapidamente para expor o filme, o que tornou esse sistema particularmente interessante para os amantes de fotos sob luz natural/noturna, astrônomos amadores e microscopistas.

Apesar disso, o desenho da OM-1 não foi uma unanimidade, já que muitos criticavam o fato de dela não possuir sapata de flash integrado (o que podia ser implementado por meio de um acessório opcional) e a troca de alguns controles normalmente encontrados na forma de botões por dials (bem mais difíceis de serem usador). Fora isso — se comparada com patolas como as SLRs da Nikon e Canon da época — a OM-1 parecia muito frágil e delicada para ser usada com muita intensidade, o que causou um certo distanciamento de certos profissionais como os jornalistas de campo que na época cobriam guerras com uma Nikon F no pescoço.

Curiosamente, essa câmera foi chamada originalmente de Olympus M-1, mas devido a uma queixa do pessoal da Leitz que já tinha uma linha de câmeras “Leica M”, o pessoal de Tóquio resolveu no ano seguinte rebatizá-la de OM-1. Sua última incarnação foi o modelo OM-4T/Ti, uma OM-4 com partes do corpo em titânio lançada em 1986 e descontinuada em 2002.

Ainda em tempo:

Alguns sites de rumores já estão publicando algumas imagens supostamente vazadas de alguma fonte. O site 4/3 Rumors publicou o detalhe de uma câmera que eles dizem ser da OM-D. Já o Photo Rumors publicou outra imagem de corpo inteiro que me parece ser uma fotomontagem bastante grosseira de um corpo de uma Pen-P3 com a frente de uma OM-1 — com direito ao mesmo botão de levantar espelho (numa câmera sem espelho) e tudo mais.  E o autor ainda tem coragem de dizer que não conhece a fonte nem se a imagem é autêntica ou seja, se colar colou né?

 

Desde o século passado Mario Nagano analisa produtos e já escreveu sobre hardware e tecnologia para veículos como PC Magazine, IDGNow!, Veja e PC World. Em 2007 ele fundou o Zumo junto com o Henrique assumindo o cargo de Segundo em Comando, Editor de Testes e Consigliere.

  • Bruno Doiche 23/01/2012, 11:51

    Faz sentido que depois do revival da Pen, façam o revival da série OM. por ter sido minha primeira reflex fico com sentimentos dúbios da simples caquinha que eles possam fazer, tal como a olympus nunca ter aproveitado o formato micro four thirds para fazer uma rangefinder e ter o mundo todo pagando um pau para a fujifilm com a série X. Gostaria de ser surpreendido pela Olympus, mas 10 anos de gerenciamento tétrico não ajudam em nada.

  • mnagano 23/01/2012, 12:25

    Pelo que já conversei com o pessoal da Fuji, o visor híbrido é um conceito genial porém obscenamente caro — tanto que ele não existe na X-10 — e ocupa bastante espaço o que, de um certo modo comprometeria as dimensões da Pen Digital.

    Assim como a Finepix X-100 a primeira Pen Digital — a E-P1 — foi no geral um produto bem legal, mas que não se safou de críticas como a falta de um visor EVF na câmera (resolvido na E-P2 ) e de um flash embutido (que apareceu inicialmente na E-PL1/PL2 e só agora na E-P3).

    Para mim, a grande vantagem das Pen em relação as Lumix G da Panasonic é o fato de todos os modelos da Olympus virem equipados com estabilizador de imagem no sensor — ao contrário das Lumix cujo recurso foi implementado em algumas lentes, a exemplo do que fez a Sony com a linha NEX.

    Em contrapartida todos os modelos da Pana contam com flash embutido, o visor EVF embutido das G1/G2/G3 são uma das melhores do mercado ao contrário do modelo externo da GF-1 que, na minha opinião é bem inferior ao modelo da Olympus, deficiência que foi corrigida no visor externo para a nova Lumix GX-1 que eu experimentei na CES que até incorpora algumas idéias que vi na X100 como o a existência de uma linha de "horizonte artificial" que ajuda o fotógrafo a alinhar o enquadramento da sua foto,