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Hands-on: Olympus OM-D E-M5

Assim como a Pen Digital, a nova Olympus OM-D inspirou-se no passado para criar seu novo sistema Micro Four Thirds, e o resultado é uma câmera moderna, jeitosa e cheia de personalidade.

Anunciada em fevereiro deste ano, a OM-D E-M5 — ou mais exatamente a câmera Olympus OM-D modelo E-M5 — chegou ao mercado em uma época bastante conturbada para a Olympus, abalada por uma séria crise financeira (e acusações de fraude) descoberta no final do ano passado — que quase a tirou suas ações da bolsa de valores de Tóquio — e cujo patrimônio intelectual é cobiçado por diversos concorrentes locais (Sony, Fuji Film e Panasonic) e até de fora (Samsung).

Isso mostra que, apesar dos tempos bicudos, a companhia fundada por Takeshi Yamashita em 1919 não é de se jogar fora, já que ela é lider no segmento de endoscópios (cujo primeiro modelo com haste flexível ele ajudou a desenvolver) e dona da maior fatia do mercado de câmeras DSLM (sem caixa de espelho) do Japão.

Assim de um certo modo, o sistema OM-D reflete o desejo de recuperação da empresa, já que um dos slogans criados para ele é exatamente “o começo do novo” (“The Beginig of the New“) citado no fim do seu vídeo de lançamento:

E para comprovar minha teoria de que Olympus é uma câmera de fresc(err…) quero dizer, voltado para um público diferenciado:

Como muitos já sabem (ou já devem ter desconfiado), o visual da E-M5 é inspirado na Olympus OM lançada no início dos anos 1970 e que na época, se destacou da concorrência graças ao seu desenho compacto, visor amplo, mecanismo preciso e suave, óptica sublime, além de adotar diversas soluções de design e controles que fogem do padrão estabelecido por marcas como Nikon e Canon — algumas bem interessantes, outras nem tanto.

Fora isso, é importante ressaltar que essa nova câmera não é uma Pen Digital com visor fixo e sim um animal completamente diferente. De fato, uma boa comparação entre a E-M5 x E-P3 x E-5 pode ser vista aqui.

Mas voltando ao que interessa, a E-M5 está disponível em duas versões. Os fãs do estilo retrô podem preferir o modelo na cor prata com detalhes em preto e acabamento da empunhadura que lembra couro. O curioso é que esse visual era o mais comum oferecido para o consumidor final e hoje em dia é considerado um tom diferenciado que entra e sai de moda.

Já os profissionais preferem a versão toda em preto por ser mais sóbria e não chamar tanto a atenção em público, com seu visual bem mais “sintético” incluindo o acabamento da sua empunhadura.

E qual a cor mais desejada? Difícil dizer já que num oceano de câmeras pretas, o corpo prata realmente chama mais a atenção e pode ser a escolha daqueles que desejam se descolar do grupo. Fora isso ela tem a vantagem de combinar bem com todas as lentes Olympus, incluindo os novos modelos na cor prata (como a M. Zuiko ED 45mm f/1.8 ou a M. Zuiko ED 12mm f/2.0) o que — na minha opinião — não é o caso do preto.

Em contrapartida, o pretinho básico é um tom que nunca sai de moda, combina com qualquer ambiente/ocasião, é super discreto e carrega um certo ar de “profissionalismo” o que conta pontos para alguns consumidores. A boa notícia é que a empresa não cobra a mais ou a menos pelo modelo preto ou prata, algo incomum nesse mercado.

A Olympus aproveitou a deixa e também desenvolveu uma nova “lente padrão” para esse produto — a  M. ZUIKO DIGITAL ED 12-50mm F3.5-6.3 EZ — que também está disponível na cor prata, apesar dela não acompanhar os combos oferecidos nos EUA. :-/

E já que estamos falando no mercado americano, pelo visto a E-M5 está vendendo muito bem por lá — ou está sendo oferecida em quantidades bem limitadas — já que muitos varejistas online como a Amazon.com ou mesmo a própria Olympus America estão pedindo até três meses para entregar o produto pelo preço sugerido — que por sinal, não é nenhum troco de bala (US$ 999 apenas o corpo, US$ 1.099 com lente 14~42 mm e US$ 1.299 com lente 12~50mm).

Já aqueles que tem o produto para pronta entrega, estão cobrando um adicional que varia de US$100 a US$ 200.

Apesar de todas essas dificuldades, consegui ter acesso a um exemplar dessa nova câmera na sua versão preta com lente M. Zuiko Digital ED 14-42mm f/3.5-5.6 II R (MSC) , a mesma que acompanha as Pen Digital e que apesar do seu jeitão de brinquedo de plástico (material usado até no engate da baioneta), ela felizmente segue a tradição da empresa de não abrir mão da qualidade óptica, mesmo que ela seja um modelo de entrada. Curiosamente, esse combo de US$ 1.099 não é oferecido na versão prata.

Eu particularmente gostei dessa objetiva já que ela me parece não ser tão delicada/frágil quanto a 14-42 mm original. Seu sistema de foco é interno e bastante silencioso (graças a tecnologia MSC) o que resolveu um problema que sempre atormentou os usuários de Pen que era a captação do som gerado pelo sistema de foco da lente na hora de capturar vídeos.

Fora isso, o seu sistema de recolhimento da lente que reduz o seu comprimento total de 7,1 cm para apenas 5 cm, o que facilita em muito o seu manuseio e transporte, principalmente se comparado com a 12-50mm EZ (8,3 cm de comprimento e que não é retrátil). Observe porém que esta última possui zoom manual/motorizado (mais adequado para gravar vídeos), modo macro e é protegida contra pó e respingos d’águacaracterística também presente na E-M5 e até no adaptador MMF-3 para lentes Four Thirds.

Outra grande curtição de se ter uma câmera Micro Four Thirds é a possibilidade de adaptar lentes de diversas marcas e padrões na câmera por meio de adaptadores. Tanto a Olympus quanto a Panasonic comercializam modelos para lentes clássicas como Olympus OM, Leica M/R e obviamente Four Thirds para Micro Four Thirds.

Entretanto a grande farra está na possibilidade de utilizar objetivas antigas como Canon FD, Pentax K, Nikon F, T-Mount, rosca universal (M42) ou mesmo lentes ainda mais exóticas de fabricantes que nem existem mais (como Konica, Minolta MD, Exakta, Zeiss, Pen F, Contarex, Pentacon Six/Kiev, Pentax 110, Contax/Yashica, Praktica, etc.) e que por isso até podem ser adquiridas por preços bastante módicos em lojas de câmeras antigas. No exemplo abaixo, temos uma lente Voiglander Super Dinarex 135 mm/f4.0 (que veio junto com minha Bessamatic de 1959)  montada na E-M5 graças ao uso de um adaptador de baioneta padrão Deckel (também usado nas Kodak Retina S) para Micro Four Thirds:

Interessante notar que outras câmeras DSLM como Fuji X-Pro 1 e Sony Nex e até Nikon 1 também começam a explorar esse mercado.

Uma coisa que talvez não fique claro nas imagens de divulgação é como a E-M5 é pequena — seu corpo mede apenas 12,2 x 8,9 x 4,3 cm (LxAxP) e quando colocada ao lado da minha Olympus E-30 (padrão Four Thirds) dá para se ter uma idéia melhor das suas reais dimensões.

E como nas Pen E-P1/P2/P3 o corpo da E-M5 é feito de liga de magnésio, material que passa uma agradável sensação de solidez ao produto e que também justifica o seu peso: 433 gramas com bateria instalada ou 538 gramas com sua lente inclusa.

Além de valorizar o produto, o corpo metálico proporciona a rigidez estrutural necessária para que ela suporte o peso de lentes e acessórios até maiores que a câmera, como a Panasonic G Vario 14-140mm f/4.0-5.8 que pesa 460 gramas.

O anel de engate também é de metal e ao fundo podemos ver o novo sensor Live MOS de 16.1 MP (aparentemente a mesma usada nas novas Lumix como a DMC-G3) e que vem para suceder a versão de 12 MP que apesar de ainda ser usada na E-P3 já mostra sinais de idade. Curiosamente, seu processador de imagem continua a ser é o mesmo — o Truepic VI.

Talvez a maior novidade da E-M5 seja o seu novo Sistema de Estabilização de Imagem (IS) de cinco eixos, contra dois dos modelos anteriores.

Ao contrário de concorrentes, como Canon, Nikon e Panasonic que implementam o seu sistema de IS nas lentes (lens Shift) — a Olympus, Sony e Pentax, adotam um sistema de estabilização no corpo — também chamado de sensor shift que gira o sensor Live MOS tanto na vertical (Pitch) quanto na horizontal (Yaw) para compensar trepidações na imagem. Já o novo sistema de cinco eixos movimenta o sensor também na vertical (Vertical Translation Motion) e horizontal (Horizontal Translation Motion) além de girá-lo apenas no sentido horário e anti-horário (rolling). Assim, ela afirma que a EM-5 é capaz de capturar imagens e até vídeos em Full HD  sem trepidação mesmo com o usuário andando ou correndo com a câmera. Fora isso, pela primeira vez é possível tirar proveito desse sistema também para pré-visualizar a cena antes de tirar a foto.

O vídeo abaixo mostra bem o novo sistema em ação:

Essa tecnologia porém, possui uma característica bem peculiar já que ela gera um zumbido dentro da câmera que lembra vagamente uma ventoinha de processador, som que só é percebido em ambientes muito silenciosos ou quando encostamos o ouvido na câmera. E ela não some mesmo quando desativamos o IS.

Segundo alguns grupos de discussão que consultei na web, a Olympus está ciente desse fenômeno, diz que isso é normal e não tem intenções de corrigí-lo (pelo menos nessa versão).

Então tá bom, né?

A parte de trás da E-M5 é dominada pela generosa tela OLED de 3″ de 610 mil pontos que além de ser articulada reproduz cores vibrantes e que permite a inserção de alguns comandos de toque. A tecnologia é do tipo capacitivo, o que impede o uso de protetores de tela de vidro.

E assim como a E-PL3  a tela da E-M5 é articulada o que pode ser útil para fazer fotos de cima para baixo ou de baixo para cima. Infelizmente ela não gira para frente (como a Panasonic G1/G2/G3 ou mesmo a Canon G11/G12)  o que facilitaria o seu uso em auto-retratos.

Para implementar uma tela tão grande num corpo tão pequeno, a Olympus teve abrir mão de alguma coisa, e nesse caso foi o tamanho e a disposição dos botões de controle que ficaram espremidos no canto inferior direito e logo acima do apoio do polegar. Note a ausência do anel giratório montado ao redor dos botões de navegação que passou para a frente da câmera, ou mais exatamente para o botão de disparo.

O acesso e uso desses botões não é de todo ruim, mas também não é das mais confortáveis (em especial para pessoas com mãos grandes ou com luvas). Para mim os mais chatos são os de reprodução de imagem / Fn1 (originalmente programado com a função de AE Lock) que até se projetam para fora do corpo com o objetivo de alcançar mais facilmente o dedo do usuário.

Dito disso, alguns podem até achar que a E-M5 não tenha uma boa pegada. Mas para resolver essa questão, a Olympus implementou um grande ponto de apoio emborrachado para o polegar…

… que ajuda a segurar a E-M5 de maneira bastante firme e até confortável — algo notável para uma câmera com visual retrô onde o estilo às vezes tem prioridade sobre o conforto de uso.

Na parte de cima da E-M5 podemos ver (a partir da esquerda) o seletor de modos de operação, a cabeça do visor e os controles de ajustes traseiro e frontal sendo que esse último rodeia o botão disparador. Mais a direita ainda demos dois botões de função — o chamado “Multiuso” e o de gravação de vídeo — que podem ser reconfigurados de acordo com a preferência do usuário. Note também o leve aumento da espessura da câmera no lado direito que proporciona uma melhor pegada da câmera.

Mas o que parece ser a cabeça do visor reflex é na realidade o visor eletrônico (EVF) de 1,44 MP fabricado pela Epson. Ele proporciona uma excelente qualidade de imagem e com taxa de atualização de 120 Hz produz bem menos arrasto que os modelos de 60 Hz.

E assim como a Lumix G1, esse visor conta com um sensor de proximidade do olho (seta) que pode ser usado para ligar/desligar o visor quando este não tiver sendo usado. Curiosamente, essa função pode ser desativada no menu de configurações da câmera.

Mais detalhes do que pode ser feito com esse visor podem ser conferidos no vídeo abaixo. Destaque para o Highlight/Shadow Control que permite ajustar o nível de detalhes das áreas mais claras/escuras da cena diretamente no visor, antes de bater a foto.

Interessante  notar que o visor da E-M5 também possui um ajuste de dioptria (-4 até +2)  do lado esquerdo:

E um controle que permite configurar a maneira como o visor EVF interage com a tela OLED…

…  o que inclui um modo que não usa a tela para enquadrar as fotos (algo comum nas câmeras sem visor) e sim apenas para apresentar as informações do seu painel de controle (o chamado de Super Control Panel) comportando-se assim da mesma maneira que uma DSLR. Curiosamente, essa interface não funciona com toque (booo!)

E ao contrário do que costumamos ver nas câmeras compactas, o slot de cartão de memória (SD, MMC, SDHC e SDXC) da E-M5 não fica escondido na base junto com a bateria e sim montado na lateral direita, dentro de um compartimento próprio.

Vale a pena destacar que essa câmera é preparada para ter uma melhor interação com os cartões Eye-Fi, na forma de mensagens na tela que informam que as imagens estão sendo transmitidas para o computador, comandos que permitem ligar/desligar a rede sem fio do cartão para poupar energia e até impedir que a câmera se auto-desligue antes que todas as imagens sejam transferidas.

Do lado esquerdo (debaixo de uma cobertura de borracha) ficam as saídas HDMI Mini (embaixo)  e outra que combina as interfaces USB 2.0 e Áudio/Vídeo analógico em uma única porta de desenho proprietário.

Eu particularmente não gosto desse tipo de solução:  de um lado ecomomiza-se uma porta e do outro obriga o usuário a carregar mais cabos do que seriam necessários caso a Olympus trabalhasse com portas padronizadas. Os três furinhos na base da foto são a saída de som do alto-falante da câmera.

Na base da E-M5 podemos ver (a partir da esquerda) o compartimento da bateria, a base de comunicação com o suporte de bateria Olympus HLD-6, o soquete para tripé de 1/4″ e as etiquetas de identificação do produto, incluindo uma meio ufanista que diz “Designed by Olympus in Tokyo — Made In China“.

Interessante notar que ao remover alguns protetores (que por sinal, podem ser facilmente perdidos) temos acesso aos contatos da sapata de flash e a porta de acessórios AP2.

Isso permite que diversos acessórios criados para a Pen possam ser usados na E-M5 como o  como o macro iluminador MAL-1, adaptador de microfone externo SEMA-1, e o compartilhador de imagens PENPAL PP-1.

Curiosamente, essa câmera também aceita os visores eletrônicos VF-2 e VF-3 só que nesse caso, o visor interno é automaticamente desativado e obviamente, não é possível instalar um flash externo. Este pode ser do simples FL-300R até o novíssimo FL-600 RC  (embaixo) criado especialmente para a E-M5 e que já vem equipado com um mini-luminador a LED para ser usado nas gravações de vídeo.

Apesar da câmera ser compatível com os modelos mais antigos como o FL-36/FL-50, o ideal é usar os modelos com sufixo R/RC como o FL-36R/FL-50R que podem ser disparados remotamente por meio de sinais de rádio, recurso presente na E-M5. Mais detalhes sobre o nível de compatibilidade entre os flashes da marca podem ser encontrados aqui.

Apesar da E-M5 não vir com flash embutido, ele já vem acompanhado de uma pequena unidade externa FL-LM2 que, curiosamente, também pode ser usada na Pen E-PL3 e E-PM1:

Para usá-lo basta encaixá-lo na sapata de flash (que fica firme no lugar graças a um mecanismo de trava)…

… e levantar sua cabeça para ligá-lo. Com um número guia de 10 (metros em ISO 200) não se trata de um flash potente, mas como já vimos no passado na Fujifilm X-10 os resultados podem ser bem satisfatórios se combinado com o uso de um ISO mais alto.

Finalmente, sua bateria é um novo modelo BLN-1 de 7,6 volts x 1.220 mAh que — por enquanto — ainda não é usada por mais nenhuma outra câmera da marca.

Para recarregá-la é necessário usar um carregador modelo BCN-1 que é do tipo bivolt e se conecta com a tomada por meio de um cabo de força comum de dois pinos.

Segundo a Olympus, essa bateria tem uma autonomia estimada de 360 fotos segundo o padrão CIPA, o que não é um número impressionante, principalmente se levarmos em consideração que câmeras desse tipo utilizam intensivamente a tela LCD/OLED (e nesse caso, o visor EVF) ).

Assim, se sua intenção é de sair de casa sem o carregador e usar intensivamente a OM-5 durante um dia inteiro, melhor se prevenir e investir em uma segunda bateria BLN-1 de reserva  ou mesmo em um suporte para bateria adicional (também chamada de Power Grip) como o Olympus HLD-6, um curioso acessório específico para a E-M5 que — ao contrário de outros acessórios deste tipo — é formado por duas peças em vez de de uma.

A primeira é a empunhadura, que pode ser usada apenas para melhorar a ergonomia da câmera e que replica a função do botão de disparo e do disco de seleção frontal…

… e o suporte de bateria que adiciona mais 3 cm na sua altura total, além de uma empunhadura extra (com botão de disparo + disco de seleção dianteiro e traseiro)…

… e mais dois botões de função (B-Fn1 e B-Fn2), também reconfiguráveis pelo usuário. Note a alavanca “Lock” que ativa/desativa todos os botões dessa base e a abertura para a fixar uma correia de mão (Grip Strap GS-4).

Interessante observar que, ao contrário de outros acessórios deste tipo, a bateria original não precisa ser removida da câmera o que faz com que o suporte abrigue apenas uma bateria adicional. Uma vantagem dessa solução é que assim é possível configurar a E-M5 para consumir primeiro a bateria do suporte antes de começar a usar a interna. Em contrapartida é necessário remover o grip para remover a bateria da câmera.

Fora isso, esse suporte também possui uma entrada de alimentação para adaptador de rede elétrica de 9 volts Olympus AC-3 cujo conector é (surpresa! surpresa!)  de desenho proprietário e disponível apenas na Europa e Ásia.

Fotografando:

As câmeras da Olympus sempre foram apreciadas pela sua combinação de inovação tecnológica, excelência óptica e seus algoritmos de processamento que produzem belas imagens em formato .jpeg.

Entretanto, elas sempre ficaram atrás da concorrência quando o assunto é desempenho do autofoco (precisão, velocidade etc.) o que as deixam de fora de diversos nichos, em especial na fotografia de ação e esportes.

Sob esse ponto de vista, a E-M5 traz um novo sistema de foco de alta velocidade (FAST AF) com acompanhamento de foco em 3D e capacidade de bater até 9 fotos por segundo. Quer dizer, quando a cena permite altas velocidades de exposição (1/100 , 1/1000 etc.) De fato, se comparado com as Pen de primeira e segunda geração (como a E-P1 e E-P2) o desempenho da E-M5 melhorou dramaticamente, em especial em ambientes mais escuros graças a implementação de um iluminador de LED laranja que, por sinal, incomoda bem menos que a antiga solução baseada no estrobo de flash.

Fora isso, a E-M5 trabalha com sensibilidade ISO vai de 200 a 25.600 que, combinado com o sistema IS, permite que ela seja capaz de capturar imagens dentro de condições de iluminação bem complexas:

A tela de Live View (presente tanto no visor EVF quanto na tela OLED) apresenta as informações de maneira simples e clara sem muita firula visual. Apesar da Olympus ter sido uma das primeiras a adotar sensores de de movimento para ajudar o usuário a nivelar a câmera, ela ainda adota o sistema de barras laterais enquanto que concorrentes como Fuji e Panasonic utilizam linhas de referência do tipo “horizonte artificial”.

Com relação aos comandos de toque, eles ainda se limitam a algumas funções básicas como selecionar pontos de foco e bater uma foto apenas tocando na tela, navegar pelas fotos tiradas, fazer zoom e passear pela imagem. Isso pode causar uma certa frustração para o usuário, já que nesse contexto existe uma tendência natural das pessoas de tentarem tocar em tudo na tela pra ver se acontece algo e, na maioria dos casos, a resposta será não.

Acredito que esse uso até que tímido desse recurso tão poderoso esteja relacionado com uma questão de consistência da sua interface já que ela é essencialmente a mesma usada em todas as câmeras da marca, sendo que a maioria delas não dispõe de tela de toque.

Em contrapartida, devido as pequenas dimensões da E-M5, fora os comandos essenciais como Menu, Info, Play, Delete etc. praticamente todos os outros botões disponíveis são configuráveis pelo usuário (sendo que alguns deles estão presentes em acessórios como o suporte da bateria e até na lente padrão), o que pode ser um processo trabalhoso e até meio chato…

…  já que muitas funções muito interessantes ficam meio escondidas em nada mais, nada menos que 11 menus de personalização (de A até K), sendo que cada um deles pode ter até nove sub-opções que dão acesso a até dois ou mais sub-níveis o que torna essa opção um verdadeiro labirinto ou caça ao tesouro.

Fora isso, algumas funções importantes estão escondidos por trás de botões sem identificação como como modo de flash (seta para direita), modo de foto contínuo/temporizador (seta para baixo) ou a trava de abertura/exposição (Fn1). Resumindo: melhor dar uma boa lida no manual antes de dizer que esse ou aquele recurso não existe.

Com relação aos modos de cena, a E-M5 conta com 23 opções sendo três especialmente voltados para uso de lentes auxiliares (acopladas na frente da lente 14-42 mm) e um curioso modo 3D que pode funcionar de dois modos: por meio de deslocamento lateral (sweep 3D) ou com o uso da notória lente 3D da Panasonic (uia!). Curiosamente, apesar da E-M5 oferecer diversos modos de bracketinga câmera não processa imagens em HDR.

Já na seção de filtros artísticos, além dos tradicionais Arte Pop, Diorama, Foco Suave, Processo Cruzado, Cor Suave & Clara, Sépia Suave, Tom Claro, Tom Dramático, Filme Granulado, Câmara Pinhole e Bracketing ART (ART BKT ) a novidade fica por conta do Linha Chave (Key Line) um filtro que chapa as cores e ressalta os contornos da cena fazendo com que ela pareça mais uma ilustração:

Eu particularmente gosto muito do modo Pop Art, que satura exageradamente as cores:

Fora isso, cada uma dessas opções ainda podem ser personalizadas de acordo com o gosto do usuário.

No geral, fiquei bastante impressionado com a E-M5 já que ela é o resultado de anos de melhorias e refinamentos introduzidos a cada nova geração de câmeras, sendo o melhor exemplo a E-P1 que chegou no mercado sem visor eletrônico (implementado na E-P2) ou flash embutido (implementado E-P3).

De um certo modo, a E-M5 não deixa de ter tudo aquilo que os usuários da E-P3 gostariam de ter a mais como um visor EVF embutido, sensor mais moderno, proteção contra pó e água e a possibilidade de receber uma bateria adicional, expandindo assim a sua autonomia.

Entre os pontos negativos dessa câmera eu diria é que devido as suas dimensões compactas, ela não é a mais confortável de ser usada por pessoas com mãos grandes (apesar de que sua pegada melhora — e muito — com o uso do power grip HDL-6). Outra coisa que realmente me incomoda é o excesso pecinhas — como anéis, capinhas e tampas protetoras — que protegem as áreas mais sensíveis da câmera e que precisam ser removidos com certa frequência para instalar qualquer acessório na porta AP2, parassol da lente ou mesmo o grip e que podem ser facilmente esquecidos/perdidos em qualquer lugar:

Fora isso a OM-D não é um sistema barato  — só o corpo sai por US$ 999 — principalmente se comparado com a Panasonic Lumix GX1 (US$ 699) ou mesmo a Lumix G3 (US$ 599) – que vem equipada com o mesmo sensor de 16 MP e visor EVF embutido. Mas é claro que a OM-D é um produto novo, cheio de novas tecnologias, bastante versátil e o mais importante, dono de um charme próprio, do mesmo tipo que fazem as pessoas sonharem em ter um carro esportivo europeu, apesar dele ter a mesma funcionalidade de um carro de frota nacional.

Como sempre digo, é tudo uma questão de gosto e satisfação pessoal.

Eu gostei!

 

Desde o século passado Mario Nagano analisa produtos e já escreveu sobre hardware e tecnologia para veículos como PC Magazine, IDGNow!, Veja e PC World. Em 2007 ele fundou o Zumo junto com o Henrique assumindo o cargo de Segundo em Comando, Editor de Testes e Consigliere.