ZTOP+ZUMO

Olympus desiste das câmeras baratas, Itautec, dos PCs

Dois sinais claros – um no Brasil, outro no Japão – de que uma economia do mundo pós-PC (onde o computador não é mais o principal integrante da vida digital, mas sim os smartphones e tablets) está em andamento. Olympus e Itautec exemplificam o caso.

Exemplo 1: Olympus (a culpa é dos smartphones)

A fabricante japonesa vai encerrar a produção dos modelos abaixo de US$ 200 concentrando seus esforços nas suas câmeras DSLM.

Estava lendo um PPT sobre os resultados financeiros da Olympus (encerrado em março de 2013) e segundo essa apresentação o ano passado foi difícil para a sua divisão de imaging, em especial entre os modelos compactos/de entrada, cujas vendas ficaram abaixo do previsto ou -34%. Já os entre os modelos DSLM com lente intercambiável (Pen Digital/OM-D), a diferença foi bem menor -4,7%:

Olympus_rtesults_0

Já as expectativas para este ano (2013~2014) são bem melhores, apesar de a companhia ainda esperar uma uma queda nas vendas de -16,9% entre os seus modelos compactos.  Esse prejuízo deve ser compensado com a melhora nas vendas dos modelos DSLM cuja previsão de vendas deve ser de +12,2% — o que deve ajudar a fechar as contas no azul, já que esse segmento é bem mais lucrativo que o de entrada.

Olympus_rtesults_1

Assim, a estratégia da Olympus para os próximos anos é de “minimizar seus riscos” reduzindo sua linha de câmeras de entrada e fortalecendo os modelos mais sofisticados que possuem mais valor agregado (=lucrativos) além de ser mais ágil em responder às demandas do mercado.

Olympus_rtesults_2

Assim, a Olympus decidiu reduzir substancialmente sua linha de modelos compactos o que inclui parar de produzir modelos de baixo custo (abaixo de US$ 200), como os modelos da linha V como a VG-120 e a VR-320 (que costumam ser OEMs da Sanyo) e cortar pela metade a previsão de vendas para este ano.

Olympus_rtesults_3

De um certo modo, esse fenômeno é um reflexo de algo que já a algum tempo é percebido no mercado que as câmeras digitais de entrada estão perdendo espaço para as câmeras de celulares que, se ainda perdem um pouco (ou até muito) em qualidade de imagem, ganham em versatilidade especialmente no que se refere a facilidade de transferir suas imagens favoritas para serviços on-line como o Flickr e redes sociais como Facebook e Instagram.

De fato, fabricantes como Samsung, Nikon, Panasonic e até a própria Olympus estão investindo em conectividade nas suas câmeras mas elas ainda não são páreo para os celulares, principalmente no quesito custo x benefício ou neste caso quanto preciso gastar para ter minhas fotos no Facebook?

Assim, fica claro que aquelas empresas que ficarem na lenga-lenga de oferecer apenas “mais do mesmo” não se preocupando em oferecer recursos realmente inovadores estão fadados a extinção, a exemplo da TV de tubo, do videocassete e do despertador de corda.

Ficaremos de olho.

Exemplo 2: Itautec  (concorrência!)

Itautec_AIO

Na última quarta-feira, a Itautec publicou um lacônico comunicado à imprensa avisando da sua nova parceria no mercado de automação e serviços com a Oki japonesa. E, no final, um breve parágrafo sobre o fim das operações na área de computação:

A unidade de computação da Itautec será paulatinamente desativada sem qualquer prejuízo ao cumprimento integral de todos os contratos e obrigações de fornecimento, manutenção e garantia dos equipamentos da marca Itautec/InfoWay, bem como o atendimento ao consumidor e os serviços associados a essa manutenção.

Nos últimos anos, a Itautec se tornou uma companhia que vendia PCs e notebooks (e até se arriscou em tablets) para o mercado corporativo, sem investir nada no consumidor final.

Com concorrentes locais ganhando contratos e mais contratos como o governo (leia-se Positivo) e a chegada dos grandes players mundiais (ASUS, Lenovo, Samsung e sua máquina de marketing, pra citar três casos apenas), não sobrou espaço para a Itautec (no longínquo ano de 1995, o CPD do colégio do Henrique era equipado com “Itautrecos” ligados em rede Novell. BRRR!).

Reza a lenda que a Itautec esteve na mira da Lenovo (assim como Positivo, mas quem foi comprada foi a CCE no final), e talvez essa falta de incentivo externo ($$$) tenha acelerado o fim da turma do Tatuapé.

Que descanse em paz com a Metron e tantas outras que também não conseguiram.

Desde o século passado Mario Nagano analisa produtos e já escreveu sobre hardware e tecnologia para veículos como PC Magazine, IDGNow!, Veja e PC World. Em 2007 ele fundou o Zumo junto com o Henrique assumindo o cargo de Segundo em Comando, Editor de Testes e Consigliere.