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O que podemos esperar do Intel Atom?

Com o próximo Intel Developer Forum no horizonte, espero esclarecer algo que está na minha cabeça desde o lançamento do novo processador Intel Atom:

Todos nós já sabemos que ele é lindo, maravilhoso, fácil de programar e consome pouca energia.  Mas o que esperar dele em termos de desempenho?

Ciscando uma informação aqui e ali, começo a achar de que não deveremos esperar muito desse chip para jogar Crysis ou editar ví­deos – e isso pode estar acontecendo não porque o produto seja ruim (longe disso!) e sim que ele possa estar sendo mal compreendido.

Anunciado no iní­cio de março, o Atom surgiu num momento muito feliz para a empresa de Santa Clara, já que o mercado anda meio hipnotizado pelo sucesso da microarquitetura Core que, a cada nova geração, tem correspondido í s expectativas em termos de desempenho e consumo de energia, enterrando de vez a má impressão causada por aquele “maldito chip que nunca deveria ter entrado no mercado” (palavras de uma fonte local).

Por causa disso, mesmo que não seja a intenção da Intel, acho que algumas qualidades simplesmente “grudaram” no Atom por associação – entre elas, alto desempenho – já que ele não é feito no processo de fabricação de 45 nm + hi-k metal gate, o mesmo usado no Penryn? Resposta: não necessariamente, processo de fabricação é uma coisa e desenho do projeto é outra.

Eu me lembro que na época da última Computex em Taiwan, tive a oportunidade de perguntar (via conference call) para Eric Mentzer, vice-presidente do grupo de mobilidade e gerente geral do grupo de chipset e gráficos da Intel, o que esperar do Atom em termos de desempenho, principalmente se comparado com um PC ou notebook de linha?

Sua resposta foi que em atividades como navegar na web, trocar e-mails, bater papo, usar VOIP, ouvir músicas e coisas do tipo, o Atom apresentará um excelente desempenho, mas se o usuário estiver interessado em aplicações que demandem mais do processador como editar imagens, ele será melhor servido com um computador convencional.

(Hein?)

Ontem (16/07), Paul Hales, do Inquirer, publicou uma nota intitulada Why Intel really hates the Atom onde ele cita um comentário de Paul Otellini sobre o Atom.

Abre aspas:

Of Atom, said CEO Otellini yesterday, “You’re dealing with something that most of us wouldn’t use.”

Eh?

He compared it to a Centrino, saying the Atom only had a third of the performance of the chipmaker’s favoured mobile platform. Atom is principally designed for Web access, he said. You can’t even edit photos with it.

Fecha aspas.

Interessante como Mentzer e Otellini fazem o mesmo comentário sobre o mesmo produto. Será que essa resposta já tinha sido preparada pela sua equipe de comunicação? Sei lá…

No último dia 15, quando a Sony lançou seu novo VAIO série FW com Centrino 2, pude bater um papinho informal com o pessoal da Intel e falamos um pouco da plataforma Centrino Atom. O que aprendi é que assim como seu irmão maior, o Centrino Atom seria uma plataforma formada por vários componentes incluindo o processador homônimo, voltado para dispositivos de acesso í  internet – como os netbooks – mas que numa escala de valor, ele ficaria abaixo, por exemplo, das soluções como o Celeron Mobile atualmente usadas no Classmate 1.5 e eee PC.

(Heim? Heim?)

Assim, creio que podemos até esperar muito do Atom em termos de autonomia e mobilidade, mas nem tanto na sua capacidade de devorar números já que uma coisa está normalmente associada com a outra, ou seja, mais energia para andar mais rápido.

Melhor ainda é aguardar os primeiros produtos chegarem ao mercado para vermos o que esse chip é realmente capaz de fazer. :^)

Desde o século passado Mario Nagano analisa produtos e já escreveu sobre hardware e tecnologia para veículos como PC Magazine, IDGNow!, Veja e PC World. Em 2007 ele fundou o Zumo junto com o Henrique assumindo o cargo de Segundo em Comando, Editor de Testes e Consigliere.

  • Fernando Bock

    Quanto à questão de economia de energia… Atom ainda não é O Bixo. Eu acredito muito mais em processadores que logo logo irão ser lançados pela Qualcomm e até da Via (que já possui algum), mas principalmente processadores dessa área de celulares que irão migrar para portáteis, com evolução é claro, e abocanhar o mercado de “eee pcs” e netbooks, que o que basicamente fazem é levar a ineternet pra todo lugar, com mais conforto que um smartphone e muito leves, portanto portáteis. Ah, também com um custo final bem mais em conta do que um Intel 😀

  • É por estas e outras que aguardo outras soluções interessantes, como o NVIDIA Tegra 650 (http://www.nvidia.com/object/tegra_600.html) e alguma novidade da AMD/ATI.

  • Na minha opinião, acho que nesse caso, o pessoal de Santa Clara deve estar mais preocupada com outra empresa com nome de três letras que se soletra assim: “V” de véio, “I” de Igreija e “A” de abeia:

    http://zumo.com.br/2008/06/07/a-guerra-dos-nanicos/