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O que pode vir depois do Full HD?

Zumo na Coréia 2008 (momento flashback) — Hoje de manhã eu me lembrei de algo que me deixou meio encafifado desde que o Zumo voltou da Coréia no ano passado.

Numa entrevista com Sang-heung Shin, vice-presidente sênior da divisão de Visual Display da Samsung, tive a oportunidade de perguntar se o Full HD seria o padrão de vídeo ideal para todas as aplicações de TV, ou se poderíamos esperar por algo de novo num futuro próximo.

Shin respondeu que seu grupo já tem funcionando em seus laboratórios um protótipo do sucessor do Full HD,  que ele chamou de Ultra HD. Sua resolução nativa é de 7.680 x 4.320 pixels no padrão 16:9, algo como um retângulo formado por quatro telas full HD de largura por quatro telas full HD de altura. Segundo Shin, o maior número de pontos não será apenas para fazer telas maiores, mas a maior concentração de pontos permitirá reproduzir um maior número de tons de cores, resultando numa imagem ainda mais natural e rica em detalhes.

Desde então fiquei pensando como um maior número de pontos poderia gerar mais tons de cores, e a idéia que eu tive hoje é que uma maior concentração pontos poderia fazer com que vários pixels de imagem Ultra HD poderiam se comportar como um sub-pixel de imagem atual. Assim, em vez de um ponto de imagem ser formado essencialmente por tons de RGB, um ponto Ultra HD poderia ser formado por sub-pixels “mais coloridos” permitindo assim um salto exponencial em termos de combinação de cores para gerar ainda mais cores.

Ainda em tempo:

Outra pergunta que eu fiz para o senhor Shin foi a opinião dele sobre a adoção do padrão de TV digital no Brasil. Ele me respondeu que esse negócio de padrão TV Digital anda tirando um pouco o sono dele, já que propostas de novos padrões surgem em todos os cantos do mundo o que dificulta o desenvolvimento de novos produtos, especialmente para uma empresa global como a Samsung. De qualquer modo, seu ponto de vista — no geral — é de apoiar qualquer padrão que se estabeleça no mercado.

Para mim, essa última explicação me fez perceber uma faceta muito interessante da estratégia de negócios da Samsung: ao contrário de empresas como a Sony que exploram o limite da tecnologia de consumo, introduzindo produtos realmente inovadores no mercado — como o Walkman, o PlayStation, o Aibo, o Blu-ray e mais recentemente o Rolly — com o risco de dar com os burros n’água de vez em quando (como o finado sistema Betamax) a Samsung parece preferir um caminho mais seguro e pragmático do tipo: vamos fazer uma TV melhor, um celular melhor, uma lavadora melhor, um tocador de música melhor, uma filmadora melhor e assim por diante. Ao mesmo tempo, é curioso ver como uma empresa que investe tanto em pesquisa e desenvolvimento não se criou até hoje o seu próprio console de jogos. Acredito que capacidade eles até teriam, mas pra que se aventurar num mercado tão competitivo, arriscado e ainda por cima com uma plataforma própria?

Note também que, ao contrário de empresas como Nokia ou Motorola, a Samsung é meio agnóstica em termos de telefonia móvel oferecendo produtos com Windows Mobile, Symbian para distintas infra-estruturas – GSM, 3G e até CDMA se alguém fizer uma graaande encomenda, ou seja… tem quem compre? Nóis vende!

Assim, a Samsung consegue se descolar um pouco da concorrência chinesa, combinando sua capacidade produtiva com produtos de ótimo valor agregado e o mais interessante: tudo isso por um preço bastante atraente.

Foi o que pensei hoje de manhã, mas também pode ser que eu deveria usar mais chapéu durante o dia.

Desde o século passado Mario Nagano analisa produtos e já escreveu sobre hardware e tecnologia para veículos como PC Magazine, IDGNow!, Veja e PC World. Em 2007 ele fundou o Zumo junto com o Henrique assumindo o cargo de Segundo em Comando, Editor de Testes e Consigliere.

  • Cesar

    Agora o que vc vê de inovador em Playstation que é só mais um videogame ou um walkman que é uma invenção antiga e comprovadamente plágio da empresa Sony? O MP3 Player foi inventado na Coréia do Sul em 1998. A Samsung já esteve no mercado de videogames na época do mega drive, game boy em que representava a Sega na Coréia do Sul, assim como a própria LG que fez parceria com outra empresa japonesa. Mas sei lá, mercado de games é muito instável não deve ser bom para ser investir né? A Samsung também co-produz diversos robôs com o Kaist, até o Albert Hubo, sei lá meio relativo o que vc falou.

  • Rafael Nunes

    Acho que você quis dizer 4 telas na largura e 4 na altura, não? São 16 telas ao todo.

  • Sim Cezar, eu me lembro dessa história de plágio, mas o fato é que foi a Sony popularizou o conceito do mercado e ficou de um certo modo com a fama, assim como Cristóvão Colombo — e antes dele Leif Ericsson — descobriram o novo mundo mas o nome do nosso continente não leva o nome de nenhum deles e sim de um tal Américo Vespúcio.

    O Mega Drive é um produto da Sega, assim como o Game Boy um produto da Nintendo e as primeiras TVs da marca utilizaram tecnologia Sanyo. Atualmente suas DSLR utilizam tecnologia Pentax além de terem uma parceria com a Toshiba no segmento de mídias ópticas.

    O que quiz dizer com a minha nota é que a Samsung não é uma empresa que fica dando tiro para tudo quanto é lado, investindo apenas em mercados estabelecidos que ela julga ter retorno. Eles estão errados? Vai ser sempre assim? Claro que não.

  • YCK

    Imagine a capacidade de processamento necessária para regular tantos pixes e subpixes. No final vão ter que investir em cameras que consigam capturar tamanha definição.

  • Oi Rafael,

    Sim, errei nas minhas contas. Preciso realmente usar mais chapéu!

    Brigadão pelo toque.

  • Sato

    MP3? O Walkman foi inovador pois permitiu ouvir as fitas K7 na rua, sem ter que carregar o rádio-gravador.
    E na sua época acho que o Playstation não era mais um videogame. Era o sonho de consumo, concorrendo com o Super Nitendo e com o Sega Saturn, e posteriormente foi com o Nitendo 64.

  • Josias

    É mais facil criar uma plataforma aberta de games em que se pode ter varios fabricantes de hardware e uma distribuidora de software, a exemplo do pc da ibm… para empresa puramente software, seria uma exelente estrategia… para empresas puramente hardware, resta entrar em algum barco que vier estavel e andando no mercado.

  • Olá Mário, o que você decreve se chama Dithering. A técnica conciste em colocar pixels alternados para criar degrades mais suaves. Exemplo pegue uma imagem no Photoshop de 600×600 e faça um degrade em 24bit ficará perfeito, tem todas as cores no range 24 bits. Depois transforme a imagem em gif 2bits (só duas cores) e ligue a opção Dithering, conforme o tamanho da tela(densidade de pixel) o dither tentará misturar uma cor até a outra criando um efeito degrade. Agora transforme essa mesma imagem gif em 10×10 pixeis, resultado: pouca densidade de pixeis menor nivel de entrelaçamento das duas cores formando um degrade de baixa qualidade, faça o mesmo processo em uma imagem de 1000×1000 pixel o degrade ficará melhor pela densidade de pixels entrelaçados. Imagine aqueles enormes telões cada ponto é formado por 3 leds RGB, quanto a maior a densidade de leds formam outras tonalidades, está é só uma teoria.

  • A Samsung até participou do mercado de videogames, com uma versão localizada do Sega Saturn (assim como a LG, então GoldStar, que lançou um modelo com as especificações 3DO). O que de certa forma segue a idéia do produto seguro.

    Me parece também que frearam a expansão dos campos de atuação depois do dinheiro que perderam com a Samsung Motors (praticamente abandonada pela Renault, que a absorveu).

  • Cesar

    Quem leva a fama é uma coisa mas quem inventa é outra, a mesma coisa da Saehan que inventou o Mp3 Player e A Apple que o popularizou, porém o mérito é da empresa coreana e não da american. Acho que a Samsung se deu muito bem apostando em diversas tecnologias, foi isso que a possibilitou ser a maior companhia de eletrônicos hoje em dia. Sim eu sei de toda essa história da Samsung, hoje a Samsung fabrica LCDs para Sony e outras, ou seja, a Samsung domina nessa área hoje em dia, claro que num passado foi diferente. E a Sony Eletronics também tem suas parcerias em drives ópticos com NEC, em celulares com Ericsson, a LG idem, com a Hitachi, e com a Philips, mas por outro lado lidera internacionalmente em ar condicionado, é uma das maiores fabricantes de eletrodomésticos e tal. Outra coisa que me faz pensar a Samsung não investir em mercado de videogames é que na Coréia do Sul o que mais tem são jogadores de jogos de computador, tanto que as maiores empresas de games de computador estão lá na Coréia do Sul, por isso não é difícil imaginar. A Samsung também aposta em uma outra coisa pelo que percebi lendo notícias sobre ela e é justamente sobre a memória flash, ela segue sendo a minha marca preferida, pois além de eu não jogar videogame, ela oferece muitas vezes o melhor produto e por um preço menor por exemplo que Sony e isso é muito melhor, diga-se de passagem a LG também está superando. Veja o exemplo dos próprios celulares.

  • Sim, a Samsung é realmente um dos big players do segmento de memórias flash, uma tecnologia inventada pelo Dr. Fujio Masuoka quando trabalhava na Toshiba nos anos 1980. Mais um exemplo da teoria do caminho seguro.

    Doida mesmo é a Sony que desenvolveu o processador Cell de nove núcleos junto com a IBM e Toshiba só para equipar seu Playstation 3, e isso numa época em que a Intel se gabava de ter chips de dois núcleos. Conceitualmente brilhante e rápido pra dedéu, o modelo de programação do Cell é tão novo que atrasou o desenvolvimento de títulos para o console, e isso sem falar nos problemas iniciais ne fabricação da sua unidade de blu-ray (outra novidade na época). O PS3 deu o retorno que a Sony esperava? valeu a pena torrar toda a grana que eles investiran no console? Só o tempo dirá.

    Ainda em tempo:

    Também me lembro que — nos anos 1990 — a Samsung comprou a marca alemã Rollei (criadora das legendárias câmeras RolleiFlex) da Schneider Kreuznach para agregar valor na sua linha de câmeras, mas também para apoiar uma iniciativa mais arrojada: produzir relógios de pulso com a marca Rollei e entrar de sola no mercado de relógios de luxo. Reza a lenda que a Rolex entrou com um processo para impedir a entrada desses relógios na Europa, alegando semelhança dos nomes e ganhou. Aparentemente a Samsung desistiu da idéia e vendeu a marca de volta para um grupo de investidores escandinavos de modo que a Rollei Fototechnik voltou a ser uma empresa independente, mas pode ser que existam algumas parcerias, a exemplo do que ocorre hoje entre a Panasonic x Leitz ou a Sony x Kyocera x Carl Zeiss.

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