O pai do pinguim

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Durante a LinuxCon 2010, realizada em São Paulo, trombamos com Linus Torvalds, o homem-sorriso do Linux.Linus, com seus 40 anos, parece um meninão. Orgulhoso de sua criação, o homem responsável pelo advento do Linux, há quase duas décadas, não está podre de rico. E pelo jeito, não liga para isso.

Recebido como celebridade pela comunidade Linux do Brasil durante a LinuxCon Brazil 2010, o programador não economizou gentileza ao falar com os participantes, nem negou fotos e autógrafos.

(link do vídeo)

Por 30 minutos, ele falou com a imprensa brasileira, inclusive com este Zumo.

A entrevista coletiva foi acompanhada de perto pelo chefão da Linux Foundation, Jim Zemlin. A Linux Foundation tem como objetivo incentivar o uso do Linux e fomentar seu desenvolvimento.

Quando Linus falava, ele emitia um certo brilho apaixonado. Ele realmente ama o que faz, se importa com o que criou e quer ver seu trabalho alcançando a todos.

Já Zemlim, mesmo tentando emular um pouco da aura bacana de Torvalds, mostrou o mesmo jeitão de grandes executivos que já conhecemos. O papo evangelizador, de como o Linux é grátis, descentralizado e seus concorrentes são os monstros malvados do mundo da tecnologia, não cola mais. Inclusive, foi até um pouco constrangedor ver Torvalds ao lado de Zemlin. Ambos falavam sobre a mesma coisa, mas a mensagem que cada um passou foi diferente. Era o visionário ao lado do empresário.

Quando inquirido sobre os problemas e custos de implantação do Linux (que o governo brasileiro já enfrentou de perto), Linus deu de ombros e respondeu: “Eu realmente não posso falar pelos outros. Eu não ligo para essas coisas, só ligo para o código…” E, sabem, ele tem toda razão. Ele fez a ferramenta, não tem culpa se alguns não sabem como usá-la.

Linus Torvalds fez o Linux pois não encontrava nada que suprisse suas necessidades. E quando precisava de alguma coisa, como uma calculadora, por exemplo, ele mesmo programava. Os tempos heróicos já passaram, hoje ele é mais um divulgador e incentivador do Linux do que um programador, um mediador para a comunidade de desenvolvimento.

O grande problema do Linux é que, apesar de ter baixo custo, ele custa caro para implementar. É preciso quebrar o molde de décadas de pensamento orientado pelo Windows.

Mas aí, também precisamos dar o mérito a quem merece: o Windows é o sistema mais usado do planeta porque funciona, faz sentido para a maioria das pessoas. O Linux, até pouco tempo, era complicado demais para simples mortais usarem. O Ubuntu, a distribuição mais amigável do Linux, é popular porque simplesmente conseguiu recriar a lógica de utilização do Windows em um ambiente puramente Linux.

Algumas perguntas Linus não respondeu, talvez por cortesia com seus patrões da Linux Foundation. Sua distribuição favorita não foi revelada, “uso a que tiver à mão”, respondeu ele. Fora das câmeras, ele também não quis comentar sobre a Transmeta, empresa fabricante de CPUs que deixou em 2003.

Mas no final da coletiva, já correndo para o painel do qual iria participar na LinuxCon Brazil, não perdoamos: “Ei Linus, qual o seu videogame?” Ele arregalou os olhos, sorriu e respondeu: “Ora, é claro que é o PS3! Minhas filhas adoram jogar Little Big Planet.”

Quantos por aí podem falar que um console de última geração roda software que surgiu pelas próprias mãos? Boa, Linus!

Sobre o autor

Jô Auricchio, editor convidado

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