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Canon: perguntas e respostas (sobre quase tudo e o universo)

Este ZTOP participou de diversas sessões de perguntas e respostas (Q&A) com a alta gerência da Canon do Japão, onde falamos sobre tudo. Aproveitei e fiz um resumo do que aconteceu lá.

Um dos grandes prazeres de viajar mais de 30 horas para chegar do outro lado do planeta, ultrapassando 12 fusos horários, é a oportunidade de ter um contato mais direto com os executivos da Canon no Japão e poder conversar sobre tudo, de informações técnicas a amenidades seja nos encontros formais quanto nos informais.

Algumas delas são bem interessantes mas que, de um certo modo, não rendem um post dedicado (como a fábrica no Brasil), de modo que resolvi juntá-las em um único post. Também peço desculpas por não lembrar do nome de todas as pessoas que tive contato já que, depois do décimo cartão trocado a gente realmente fica realmente bastante confuso, em especial no meu caso que, muitas vezes, nem me lembro o que comi no café da manhã. :-S

Conector USB mini versus USB micro:

Quando perguntei por que a Canon ainda adota o conector USB mini nas suas câmeras ao invés do USB micro, Masaya Maeda, gerente das divisões de fotografia e impressão de pequeno formato (Selphy), explicou que é política da empresa apoiar os atuais padrões de mercado. O curioso é que ele me perguntou de volta o que eu achava do USB micro e respondi que esse último é hoje bastante popular — principalmente depois que os fabricantes de celulares/tablets o elegeram como padrão para se conectar com o PC e recarregar sua bateria. Assim pelo ponto de vista do usuário final, seria mais conveniente que o mesmo cabo pudesse ser usado tanto pelo seu celular quanto pela sua câmera Canon, principalmente nesses tempos em que a empresa prega a estratégia de coexistência.

Os executivos fizeram algumas anotações, agradeceram as minha opinião e disseram que irão analisar esse assunto. Se um dia a Canon adotar o padrão USB micro nas suas câmeras, vocês já sabem a quem agradecer.

Tecnologia 3D em câmeras e impressoras:

Durante o evento surgiram duas perguntas sobre 3D: A primeira foi se a Canon estuda a possibilidade de implementar essa tecnologia nas suas câmeras e se um dia ela pretende fabricar impressoras 3D.

Com relação ao 3D em câmeras, a empresa sempre pesquisou essa tecnologia mas nunca decidiram por adotá-la em um produto de consumo, já que a prioridade nos dias de hoje é de investir em qualidade de imagem. Com relação as impressoras 3D, o CEO da companhia Fujio Mitarai explicou que sua empresa já utiliza impressoras 3D nas suas fábricas, principalmente nos setores de prototipagem e criação de moldes de injeção, o que abre um campo de pesquisa para o uso insumos mais adequados para os processos de manufatura como materiais ferrosos. Dito isso, Mitarai deixou claro que, por enquanto, a empresa não tem planos de fabricar uma impressora 3D para o mercado profissional nem para o de consumo.

Câmeras com Android:

Para quem não sabe, a Canon possui uma divisão interna que desenvolve todos os seus programas e utilitários — desde o firmware das suas câmeras e até aplicativos e utilitários de suporte para seus produtos. Quando perguntado se a Canon estuda a possibilidade de uso do Android em alguns de seus produtos, Maeda respondeu que sim (uia!) mas ele não citou produtos ou coisa do tipo. Mitarai também deixou claro é que sua empresa não irá entrar no segmento de smartphones, preferindo investir em câmeras mais conectadas.

E câmeras retrô, como fez a Fuji?

Maeda foi meio evasivo em responder a essa pergunta, mas no fim das contas ele confessou que ele particularmente gosta muito desse conceito. Se querer é poder, isso pode ser uma boa indicação, né? 🙂

Uma “GoPro” da Canon?

Quando perguntados se a Canon estaria interessada em lançar uma câmera no mesmo estilo da americana GoPro, Hiroo Edakubo diretor responsável pela área de filmadora de consumo explicou que eles não estão interessados em criar um produto idêntico a GoPro, e sim investir em um conceito que eles chamam de “câmera de ação”, que pode ser algo parecido (ou ser a própria) Powershot D20.

Vida útil de uma lente EOS.

Num mercado onde a durabilidade de uma câmeras DSLR é medida pelo número de ciclos de disparo do seu mecanismo de exposição, tive a oportunidade de perguntar para o pessoal responsável pela linha EOS se esse mesmo conceito poderia ser aplicado a uma lente EOS com sistema de estabilização de imagem, ou seja, existe alguma estimativa de MTBF para o mecanismo de IS? A resposta que tive é que eles não tem um número exato para isso, mas eles mantém um contato permanente com fotógrafos profissionais para monitorar a ocorrência de falhas neste mecanismo.

EOS-M.

Passado quase um ano desde o seu lançamento, a Canon tem se mantido irritantemente quieta sobre a sua estratégia com a câmera EOS-M. Quando questionada sobre isso, o grupo de EOS explicou que o mercado de câmeras mirrorless representa algo como 20% e a prioridade desse produto é oferecer a mesma qualidade e desempenho da linha EOS porém num corpo menor. Depois da sessão de Q&A eu me aproximei de um dos executivos e perguntei se a empresa pretende ampliar sua linha de lentes EF-M ou prefere que seus usuários utilizem mais as lentes atuais via adaptador. Sua resposta foi que sim, eles pretendem ampliar a linha de lentes EF-M.

Quando a PowerShot N (ou qualquer outra câmera Canon com Wi-Fi) chega oficialmente ao Brasil?

Segundo Jun Otsuka Presidente da Canon Brasil, as câmeras com recursos de Wi-Fi ainda não chegaram ao País por que elas ainda não foram homologadas pela Anatel. Esse processo tem se arrastado por que os pedidos estavam sendo feitos diretamente pela Canon do Japão que não está habituada a tratar com a nossa burocracia. A boa notícia é que recentemente foi nomeado um executivo local para tratar desse assunto diretamente com a agência do governo, o que deve resolver de vez essa questão e — é claro — liberar esses novos modelos para o nosso mercado.

Jato de tinta com tanque.

Quando perguntei aos executivos do grupo de jato de tinta se a Canon estaria disposta a lançar uma impressora Pixma com sistema de tanque de tinta (a exemplo do que a Epson já fez no Brasil), a resposta foi que eles não pensam nisso e são capazes de “entregar o mesmo, porém de um outro modo“.

(Aah… Então tá bom, né?)

DisclaimerMario Nagano viajou ao Japão a convite da Canon, mas todas as opiniões e as fotos bacanas são dele.

Desde o século passado Mario Nagano analisa produtos e já escreveu sobre hardware e tecnologia para veículos como PC Magazine, IDGNow!, Veja e PC World. Em 2007 ele fundou o Zumo junto com o Henrique assumindo o cargo de Segundo em Comando, Editor de Testes e Consigliere.