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O iPod da perna de pau, olho de vidro e cara de… original

iPod Shuffle e Shuffle CloneQuando meu colega Henrique Martin viajou a Shanghai, na China, no iní­cio deste ano, uma das coisas que mais lhe chamou a atenção foi uma vitrine cheia de iPods. O que havia de incomum nela era um iPod Shuffle preto. Seria um novo modelo? Definitivamente não. Apesar de até a embalagem lembrar a original, o “shuffle” era um produto pirata. A grande copiadora chinesa já estava clonando, e “aprimorando”, os então novos iPods poucos meses depois do lançamento.

Há pouco tempo estes clones começaram a aparecer por aqui, em “centros de comércio popular” como a Galeria Pagé, o Stand Center e lojinhas no bairro da Liberdade, em São Paulo. Por fora, os modelos mais simples são quase idênticos ao produto da Apple, salvo detalhes como a cor das chaves na lateral, o botão de play (em plástico branco nos clones, em metal na cor do player no original) e o fato de serem um pouco maiores, coisa de uns três milí­metros no comprimento e uns dois na espessura. Alguns fabricantes até se arriscam a melhorar o projeto, e há modelos com rádio FM e um pequeno display LCD monocromático de uma linha.

O principal atrativo destes produtos com certeza é o preço. Um modelo de 1 GB pode ser encontrado por apenas R$ 70. Mas será que vale a pena? Munido de coragem, cara de pau e a certeza de estar prestando um serviço aos leitores, decidi descobrir por conta própria.


A primeira coisa que me chamou a atenção foi a embalagem, que não existe. Recebi apenas o player, fones de ouvido e um cabo USB soltos dentro de uma sacola preta. Um carregador USB de tomada custa R$ 10 extras. Ei, se a Apple pode cobrar por isso, porquê não os chineses? Sem ele, a carga da bateria é feita via USB. Como não há nenhum indicador de que a bateria está cheia, não sei quanto tempo isso demora. Simplesmente deixei o player plugado ao micro durante a noite e pronto.

O acabamento, pelo menos na unidade que testei, era muito bom. O alumí­nio foi pintado por um processo de anodização similar ao original, e pareceu resistente a riscos. Os botões e chaves eram firmes o suficiente, e ainda assim fáceis de acionar. E o clipe, na traseira do aparelho, funcionou sem problemas.

Chegando em casa, notei que o plugue dos fones de ouvido é fora do comum. Ele segue o padrão P1, como muitos telefones celulares, em vez do tradicional P2 da maioria dos fones de ouvido. Fones que, surpresa, são horrí­veis. O som é abafado, sem graves e cheio de ruí­do mesmo sob volume moderado. Sem falar que eles tem toda a ergonomia de uma rolha.

Para conexão do player ao computador, usa-se um cabo mini-USB. Ponto para os chineses, já que a Apple usa um cabo proprietário. A transferência de cerca de 800 MB de músicas em MP3 para o aparelho levou cerca de 9 minutos, ou seja, uma taxa de cerca de 12 Mb/s, condizente com o padrão USB 1.1. Aqui cabe um fato curioso: não consegui transferir as músicas usando um Mac. O Finder reclama que não há espaço suficiente, mesmo copiando 800 MB para um player com 973 MB livres.

Mas o teste crucial foi a duração da bateria. Vale informar que, em players deste estilo, ela é fortemente influenciada pelo bitrate das músicas: quanto mais alto, menor a autonomia. Minha playlist de testes continha faixas com bitrates variados, mas a maioria por volta de 256 kb/s, com muitas a 320 kb/s. Sob estas condições, a bateria aguentou 4 horas e 20 minutos de áudio contí­nuo em modo shuffle. Acredito que com bitrate menor, 128 kb/s, ela chegue a seis horas. É o suficiente para um passeio de bicicleta ou sessão na academia, mas apenas o mí­nimo que espero de um player moderno.

No fim das contas, apesar de tentador, um shuffle clone só pode ser considerado um bom negócio se o que você quer é um segundo player baratinho e descartável, e se você está confortável com as questões morais associadas ao contrabando e í  pirataria. Eu economizaria para um original, e continuo com meu Nano 2G. E o Shuffle que foi usado neste teste? Acabou sendo adotado por uma criança que, em sua inocência, o acha a coisa mais legal deste mundo.

Nota do editor: Zumo não apóia a pirataria de jeito nenhum, nem de hardware, nem de software e muito menos de idéias. Mas sabe que é só andar de metrô nas ruas de São Paulo para ver o sucesso que essas coisas como esse shuffle faz entre a população que não tem dinheiro para comprar um iPod de verdade (nem coragem para se arriscar com um original nas ruas – se bem que muitos fones brancos parecem estar por aí­).

  • Parabéns pelo blog. Estamos contando com o sucesso de vocês!!!
    Vamos linkar lá no blog da Edelman. Beijos

  • Cara! é o primeiro artigo seu que leio, e fiquei assustado com a qualidade de seu texto. Quem dera eu pudesse me expressar com toda essa franqueza em meu humilde blogzinho.

    Parabéns e nos brinde sempre com esses textos que não da vontade de parar de ler.

    []´s

    Marcio Gazetta

  • Rigues, se assim podemos dizer, você deu “sorte” com o “seu” “genérico”, ou “réplica”, como dizem por aí.

    Passeando pelo Stand Center dias trás esbarrei com aberrações que nem de longe pareciam esse bonitinho que você descreveu.

    Havia uns “iPod” medonhos, com uma maçã gigante em prata, escrito “iPod” em TIMES NEW ROMAN do lado. Meeedo!

    Bom, de toda forma, queria parabenizar você, o Henrique e o Nagano pelo grande trabalho com o Zumo. Todos sabemos que, vindo de grandes pessoas e excelentes profissionais como vocês, só pode dar em algo muito legal, como o que estamos vendo aqui! Tem gente que merece sucesso em tudo que faz – e é o caso do trio aí! Beijo grande!

  • Oi Gisele,

    Com certeza dei sorte. A “precisão” das cópias varia absurdamente de lojinha em lojinha. Alguns modelos são muito parecidos com os iPods de verdade, outros não lembram nem de longe os originais. E há variações entre modelos também, às vezes é possível encontrar players idênticos com logotipos diferentes: um inocente “MP4”, um logo da Sony, um da Apple, ou mesmo “iPod” e “Sony” estampados lado a lado!

    Também há “shuffles” com telinha, como mencionei no texto. Mas ela é tão escura, e pequena, que chega a ser praticamente inútil. Quem compra um desses aparelhos tem que ter plena consciência de que está arriscando e pode, a qualquer momento, ficar na mão.

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  • Luciano

    Boa! Alguns comment’arios: Fones p2=2,5mm, p1=3,5mm (esses sim são os comuns/tradicionais/maioria dos fones de ouvido)
    P significa Plug q ̩ o conector macho, outro conector ̩ o f̻mea, o J. J significa Jack, ̩ onde se encaixa o P Рcomo os de saida de audio da sua placa de som, players, caixa de som, etc.
    Qualidade do som desses mp3 players similares é muito, mas Muito ruim. Qualquer pessoa que tem uma sensibilidade decente sabe disso porque dá pra perceber muito bem. E ao usar fones decentes e mais caros com esses aparelhinhos o som continua ruim/abafado/sem graves. Pq? Pq os mili-watts de potencia do fone bom é muito superior ao que o aparelhinho pode oferecer.
    Outra coisa importante: não adianta deixar músicas com qualidade em 256kbps, 320kbps… Esses players comuns (e a maioria dos celulares) apesar de lerem esses arquivos de maior qualidade eles não reproduzem esta. É a mesma coisa que tocar arquivos a 128kbps. Só não vai ser a mesma coisa tocar a 64 ou 32kbps – espero que nenhum de vocês faça isso.
    “No fim das contas, apesar de tentador, um shuffle clone só pode ser considerado um bom negócio se o que você quer é um segundo player baratinho e descartável”. Concordo. E também adiciono: para usar na rua, onibus e levar a qualquer lugar sem se preocupar com o furto do aparelho.
    E a última coisa: shuffle custa 50 dólares = 80 reais. Agora, se vc pagou 70 pelo piratão, acredito que 10 reais vc paga a mais pelo original, certo? Claro, mas como todos sabem tem imposto 100% + comissão da loja, fora o frete né? Sai por R$199,00 o shuffle de 80reais aqui no Brasil.

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