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NVIDIA quer ser (ainda mais) verde

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Participei hoje de uma reunião com a NVIDIA cujo o objetivo foi de abrir um canal de comunicação mais técnico com a mí­dia especializada. O NVIDIA Editor’s Day 2008 contou com a presença de Richard Cameron e J.P. Ranalli, do Brasil, e Nick Stam, Bryan Del Rizzo e Matt Wuebbling, da NVIDIA dos EUA.

Entre os diversos assuntos abordados nesse evento, uma das mais interessantes na minha opinião é aquela em que a empresa – tradicionalmente já identificada pela cor verde – também dá a sua guinada em direção da chamada “computação verde“, onde a força bruta de suas aceleradoras gráficas (ou GPUs) está sendo refinada com tecnologias mais elegantes que permitem poupar energia sem abrir muito a mão do desempenho.

Um bom exemplo dessa nova visão é a tecnologia NVIDIA Hybrid SLI, que explora de uma maneira bem mais engenhosa a disponibilidade de várias GPUs no mesmo computador, em especial os sistemas com ví­deo integrado (cada vez mais presentes nos chipsets da empresa) e as placas gráficas, seja uma ou várias delas.

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O Hybrid SLI é, na realidade, formada por duas tecnologias que podem ser combinadas ou não. A primeira delas é o NVIDIA HybridPower, que ativa a placa de ví­deo (dGPU) somente quando sua maior capacidade de processamento gráfico for necessária (como em jogos), utilizando o ví­deo integrado (mGPU) em tarefas mais simples, como trabalhar com aplicativos de escritórios ou navegar na web.

É algo parecido com o que a AMD fez na sua placa de ví­deo ATI Radeon HD 3850: processamento gráfico sob demanda. Mas nesse caso, a NVIDIA dá um passo adiante, proporcionando meios de utilizar a mGPU ou a dGPU, economizando assim energia no processo.

Por ser uma tecnologia ainda na infância, a NVIDIA decidiu que na primeira implementação do HybridPower, a seleção entre o modo de desempenho e o modo econômico será feito manualmente pelo usuário, provavelmente por uma chave de software na barra de tarefas. Isso ocorre porque o pessoal de P&D da NVIDIA ainda não encontrou um modo eficiente de fazer esse chaveamento automaticamente e nem quem seria responsável por comandar esse recurso (o sistema operacional, o driver de dispositivo ou mesmo a aplicação), só o tempo e muito trabalho de pesquisa.

Para o desprazer dos usuários de Windows XP e Linux, o suporte de software para o HybridPower estará – inicialmente – disponí­vel apenas para o Windows Vista.

nv_mb_geforce_8x.jpgObserve porém que, nesse caso, as GPUs não funcionam ao mesmo tempo. Não que isso seja impossí­vel e sim que isso é abordado na chamada tecnologia GeForce Boost, que combina o processamento da mGPU e da dGPU para melhorar o desempenho gráfico. Uma das facetas interessantes dessa solução, é que ela abre perspectivas para os usuários de orçamento apertado (principalmente por aqui), que podem começar com uma placa mãe simples com gráficos integrados (í  esquerda) e ganhar algo em torno de 40% de desempenho com a adição de uma placa adicional. Isso ajuda a preservar seu investimento e melhorar a sua experiência de uso.

nv_mb_geforce_9x.jpgFora isso, os portáteis também podem tirar grande proveito do GeForce Boost, já que eles economizam energia da bateria utilizando apenas uma GPU, botando pra quebrar nas aplicações em 3D com a ativação da segunda GPU. Num caso ainda mais extremo, é possí­vel que o ví­deo integrado junte forças com mais duas placas de ví­deo – montadas em SLI – aumentando ainda mais o poder gráfico da plataforma ao mesmo tempo que se cria um modo de economia.

Mas para que toda essa parafernália eletrônica funcione de maneira harmoniosa, alguns sacrifí­cios tiveram que ser assumidos, em especial em relação í  retrocompatibilidade de produtos. A tecnologia HybridPower poderá não funcionar com gerações mais antigas de placas-mãe e placas de ví­deo da NVIDIA, já que para orquestrar as GPUs, a NVIDIA teve que implementar microcontroladores e novos canais de comunicação não disponí­veis em gerações anteriores. Outra implementação que teve que ser feita é que a porta de ví­deo – tanto da mGPU quanto da dGPU deve ser centralizada na placa-mãe.

Para ilustrar esses recursos, a empresa apresentou um gráfico de consumo em Watts que mostra bem o uso de mais ou menos GPUs num PC:

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No iní­cio do gráfico (1) o modo de “desempenho” está ligado mas o PC está parado sem fazer nada (idle) consumindo algo em torno de 122 watts. Ao ativar uma aplicação 3D intensiva, o consumo pulou para uns 168 watts (2). Feito isso, o sistema voltou para idle e foi ativado o modo “econômico” (3) onde podemos ver que o consumo caiu dramaticamente para 80 watts (em idle), subindo para 84 watts com uma aplicação ativada. No final (4) o modo de desempenho foi reativado com o sistema voltando ao estado original (idle) na faixa dos 122 watts.

Na tabela abaixo, podemos ver a programação de lançamentos de produtos baseados no Hybrid SLI:

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Desde o século passado Mario Nagano analisa produtos e já escreveu sobre hardware e tecnologia para veículos como PC Magazine, IDGNow!, Veja e PC World. Em 2007 ele fundou o Zumo junto com o Henrique assumindo o cargo de Segundo em Comando, Editor de Testes e Consigliere.