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Números enormes: Windows Phone na América Latina

A Microsoft divulgou números felizes e otimistas do IDC ontem sobre o crescimento do Windows Phone na América Latina, dizendo que assumiu a segunda posição em sistemas operacionais na região.

Porém, o crescimento do WP não é esforço da Microsoft, mas sim de preço (o Nokia Lumia 520 é o mais barato e briga com Androids nessa faixa de preço e com dois SIM cards) e condições de mercado (iPhones são caros em toda América Latina).

Diz o comunicado oficial (grifos meus):

O Internacional Data Corporation (IDC) divulgou seu relatório Mobile Phone Tracker para o segundo trimestre de 2013, no qual mostra que o Windows Phone é agora o segundo sistema operacional mais utilizado na América Latina. Houve um crescimento de 12% no uso da plataforma, que passou de quarto para segundo lugar.

O relatório mostra que no México o sistema operacional foi ranqueado em segundo lugar pelo 2º trimestre consecutivo.

No período anterior, o Windows Phone também estava na segunda colocação na Colômbia e no Peru. É importante destacar o fato de que a Colômbia é um dos países com o maior índice de preferência dos usuários, com 25,6 % do mercado.

Em outros países como Argentina, Chile e Brasil, a plataforma da Microsoft também tem crescido em popularidade, uma vez que figurava em 3º lugar no ranking do trimestre passado. (observação sem resposta ainda: figurava e não figura mais? ainda está em terceiro lugar? caiu para quarto?)

Mesmo que o estudo divulgado pela Microsoft não cite outros concorrentes, não é difícil estimar a conta final para a região (20 países vendem WP na América Latina):

  • Android lidera o mercado por conta de aparelhos baratos com preços entre 200-250 dólares ou menos (abaixo de R$ 500 no Brasil) e tem os principais vendas de aparelhos topo de linha (=subsídio de operadora, encanto com a marca Samsung Galaxy e por aí vai). Android tem muitos aparelhos básicos e intermediários com dois SIM cards, o que importa muito também para o mercado de entrada. 
  • Windows Phone cresce por causa dos Lumia 520/620, os mais em conta no mercado (um 520 sai por R$ 549 e mantém o valor na região,  mas a geração anterior com WP 7.5, principalmente o Lumia 710, fica nessa faixa de preço de R$ 500), e não pelos topo de linha.  O esforço de marketing da Microsoft em parceria com a Telefônica para empurrar o Windows Phone na região já começou – lojas da Vivo em São Paulo já têm um estande dedicado ao sistema.
  • iOS fica no terceiro lugar e é o sistema operacional com aparelhos mais caros no mercado (um iPhone 5 custa a partir de R$ 2.399 no Brasil e R$ 2.000 em média no México). Na região, só compensa ter um iPhone com subsídio de operadora, que nem sempre é uma oferta atraente, ou ir pra Miami e comprar um desbloqueado.
  • Blackberry só importa na Venezuela, pode esquecer o resto (aposto uma coca-cola que os números do IDC indicam liderança da ex-RIM na Venezuela).

Vale lembrar que a Nokia é praticamente a única fabricante a vender Windows Phone na região (e eu acredito na teoria de que só vai sobrar a Nokia usando o sistema da Microsoft, o que pode ser bom – Nokia tomar controle do OS – ou ruim – ser comprada pela Microsoft e cair no ostracismo). O Samsung Ativ S é que nem cabeça de bacalhau: existe, mas ninguém nunca viu.

Meu smartphone pessoal é um Lumia 920, e eu gosto bastante do sistema operacional apesar da sensação de falta de interesse da Microsoft no sistema e em deixá-lo um ano atrás em recursos de hardware em relação ao Android (exceção: câmeras). A Nokia corre atrás, mas a ideia geral é que o ritmo incessante de reuniões microsófticas deixa o produto parado (e a Nokia quer acelerar o processo).

Exemplo: telas 1080p são padrão nos Androids (Sony Xperia ZQ e Samsung Galaxy S4, por exemplo), mas só agora (rumor! rumor! rumor!) devem chegar ao Windows Phone com o (possível?) primeiro foblet da Nokia com tela de 6″.

Em tempo: pedi mais números do IDC sobre Brasil para a Microsoft, mas não tive resposta até o momento. 

 

Henrique Martin já escreveu na PC World, PC Mag, Folha de S. Paulo e criou o Zumo em 2007. Em 2011, o Zumo se transformou no ZTOP, referência em conteúdo original sobre tecnologia em um mundo pós-PC. Siga-o no Twitter: @henriquemartin