Números enormes: sim, a Nokia vendeu 1 milhão de smartphones Lumia

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A Nokia anunciou na manhã desta quinta-feira seus resultados financeiros do quarto trimestre (Q4) de 2011 e, confirmando as previsões, vendeu mais de 1 milhão de smartphones da linha Lumia, com Windows Phone. Quase nada, já que no período a fabricante finlandesa movimentou 113,5 milhões de aparelhos, sendo 19,6 milhões de smartphones e 93,9 milhões de celulares. (E o Brasil já é o terceiro maior em vendas para a companhia)

Entretanto, porém, todavia, o último trimestre da Nokia fechou com 10 bilhões de euros em vendas líquidas, um aumento de 11% em relação ao trimestre anterior, mas ainda uma queda de 21% em relação a 2010 (12,7 bi de euros). O prejuízo operacional no Q4 foi de 954 milhões de euros (argh!)

As vendas líquidas totais foram de 5,997 milhões de euros no período, uma queda de 29% em relação ao Q4 de 2010, mas um crescimento de 11% em comparação ao trimestre anterior (5.392 milhões de euros).

A divisão de smartphones (Smart Devices) foi responsável por 2,747 milhões de euros (queda de 38% em relação ao Q4 de 2010 e aumento de 25% em relação ao Q3 de 2011). Em um comunicado de imprensa, Stephen Elop, CEO da Nokia, confirmou a venda de mais de 1 milhão de aparelhos Lumia, com Windows Phone.

Já a divisão de telefones celulares (Mobile Phones) caiu 23% em relação ao ano anterior (3,040 milhões de euros contra 3,948 milhões de euros) e cresceu 4% em comparação com o Q3. Ontem a Nokia anunciou que já vendeu mais de 1 bilhão de aparelhos no mundo todo com Series 40 (e o aparelho número 1,5 bi foi vendido… no Brasil! – foi um Asha 303)

Comparando 2011 com 2010 nas estimativas da própria Nokia, as vendas líquidas de Smart Devices (=smartphones) caíram 27% de um ano para outro (10,820 milhões de euros em 2011, 14,874 milhões de euros em 2010) e de telefones (Mobile Phones), 13% (11,930 milhões de euros contra 13,696 milhões de euros em 2010).

No comunicado, Stephen Elop faz alguns comentários que vale destacar aqui (tradução livre e grifos meus):

Em outubro, apenas seis meses após assinar um acordo com a Microsoft, lançamos nossos dois primeiros aparelhos baseados na plataforma Windows Phone – o Nokia Lumia 800 e o Nokia Lumia 710. Trouxemos esses aparelhos ao mercado antes do previsto, demonstrando que estamos mudando a velocidade na Nokia. Até agora, lançamos o Lumia na Europa, Hong Kong, Índia, Rússia, Cingapura, Coreia do Sul e Taiwan. 

Também iniciamos nossa importante reentrada no mercado norte-americano (…)

(…) Na guerra de ecossistemas, claramente existem competidores fortes já em campo. E, com o Lumia, demonstramos que estamos no jogo. Nossa intenção específica foi estabelecer uma trincheira nesta guerra de ecossistemas, e país por país é o que estamos atingindo. Até agora vendemos mais de 1 milhão de aparelhos Lumia. Desta trincheira de mais de 1 milhão de aparelhos Lumia, você nos verá avançar com vendas, marketing e lançamentos sucessivos de produto necessários para atingir o sucesso. Também planejamos lançar os Lumia em mercados adicionais incluindo China e América Latina na primeira metade de 2012.

E, enquanto progredimos na direção certa em 2011, ainda temos muito a atingir em 2012, e, com isso, afirmo que estamos no centro da nossa transição.”

Minhas observações de jornalista-que-segue-Nokia-faz-tempo, e repito aqui o que disse outro dia:

Os números de vendas dos Lumia significam um bom sinal para a Microsoft, já que, aos poucos, as estimativas de mercado de crescimento do Windows Phone indicam uma briga boa entre iOS, Android e WP até 2015, pelo menos (John Gruber, dono do excelente Daring Fireball e megaespecializado em Apple, que o diga): o IDC já disse que o Windows Phone será grande, o iSuppli dizia isso três anos atrás e continua a prever o crescimento da turma de Redmond. Há ainda quem diga que o Windows Phone vai passar a Blackberry ainda este ano (não duvido).

Venderam mesmo 1 milhão de aparelhos Lumia em dois meses? Ótima notícia, sem dúvida – mas não fez mais que a obrigação. A Apple disse outro dia que Redmond é o “cavalo que sempre corre“. A disputa, todo mundo sabe bem, vai ficar entre iOS, Android e Windows Phone, cada um com sua peculiaridade e ecossistemas distintos de aplicativos. Hoje, ao meu ver, a Apple está na frente porque consegue ter uma plataforma consolidada de hardware integrado ao software e que atraiu os melhores desenvolvedores de apps. Nesse mundo doido e dinâmico, tudo pode mudar de um dia para o outro, certo?

E, sim, Elop está certo: a Nokia conseguiu ser mais rápida uma vez na vida. Mas precisa ser ainda mais. A ‘trincheira’ norte-americana será marcada pelo Lumia 900 que, dizem os rumores, será vendido a preço de banana com contrato (leia-se subsídio monstruoso da Microsoft por trás disso). Nem acho que precisem lançar inúmeras variantes de uma linha – como a Samsung faz com seus Galaxy em diversas faixas de preço no Android -, mas ainda precisam ser mais ágeis. E aguardamos os Lumia por aqui, o mais rápido possível.

Finalmente, de nada adianta começar com boas notícias se o prejuízo foi grande, né? (sem contar a grana que veio da Microsoft)

Em tempo: lendo os números mais de perto, até que os dados sobre aparelhos não são tão ruins se comparados com a divisão de “location & commerce” (leia-se “mapas e direções), que teve vendas de 306 mihões de euros (crescimento de 15% em relação ao trimestre anterior) e um prejuízo operacional de 1,205 bilhão de euros no trimestre (1,526 bi de euros no ano, contra 663 bi de euros em 2010). Sei não, se Elop eu fosse, me livraria rápido dessa divisão.

Sobre o autor

Henrique Martin

Henrique Martin é o fundador do ZTOP+ZUMO e da newsletter de tecnologia Interfaces. Já escreveu na PC World, PC Magazine, O Estado de São Paulo, Folha de S. Paulo e criou o ZTOP+ZUMO em 2007, referência em conteúdo original sobre tecnologia em um mundo pós-PC.

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