Números enormes: Sala de cinema com tela de LED Onyx 4K da Samsung

N

Com 10,24 m de largura e 5,4 m de altura essa nova tela de cinema do
complexo Cinépolis do JK Iguatemi usa tecnologia de LED no lugar do tradicional projetor de lâmpada, proporcionando assim maior brilho, contraste e até novos modelos de uso.

A rede de cinemas Cinépolis em parceria com a Samsung Brasil inaugurou ontem (27/02) no seu complexo localizado no Shopping JK Iguatemi

… a primeira sala de cinema do País equipada com uma tela de LED com tecnologia Onyx 4K da Samsung…

… capaz de acomodar confortavelmente 79 pessoas e dois cadeirantes:

Clique para ampliar
Clique para ampliar

Esta é a terceira tela desse tipo instalada da América Latina, sendo que as outras ficam no México e na Colômbia.

A maior TV 4K do pedaço

Como o próprio nome sugere, essa tela é um imenso painel digital de 10,24 m de largura e 5,4 m de altura (ou 455 polegadas) e 1,44 tonelada de peso e que foi desenvolvida especificamente pela Samsung para uso em salas de cinema:

Ele é formado por 96 painéis Samsung LED Signage modelo IC025H de
de 64,0 x 90,0 cm (LxA) cada…

… sendo que cada um deles abriga 24 módulos de LED…

… com resolução nativa de 256 x 360 pixels e pixel pitch de 2,5 mm e relação de aspecto de 0.71:1 chegando assim, na ponta do lápis, a um pouquinho acima da resolução 4K (4.096 x 2.160 pixels).

Ele consome 11,52~3,74 kW, gera ~66,1 BTU de calor e a vida útil dos seus LEDs é estimado em 100.000 horas.

Fora isso, esse sistema de módulos agiliza a sua troca e manutenção reduzindo assim o tempo de parada e custo da manutenção. E o mais impressionante desse produto é que a união entre esses painéis é tão perfeita e a imagem final tão uniforme que é praticamente impossível perceber as “emendas”:

Clique para ampliar

Segundo o manual desse produto existem ainda outros dois modelos de painéis — o IC925H que seria usado para construir uma tela 4K de 227 polegadas ou 5,2 x 2,7 m (LxA) ou 14,04 m² que seria bem menor que a da Cinépolis…

Clique para ampliar

… e o modelo IC033H (pixel pitch de 3,3 mm e resolução de 192 x 270 pixels) que permitiria a construção de uma tela 4K de 645 polegadas ou 14,8 x 7,7 m (LxA) ou 106,6 m² — ou seja — bem maior que a da Cinépolis.

Neste ponto, vale a pena ressaltar que a tecnologia dessa tela não deve ser confundida com uma TV LCD/LED já que — neste caso — a imagem não é produzida por um painel LCD retroiluminado a LED e sim por milhões de LEDs coloridos que geram sua própria luz o que faz com que ela, numa comparação bem simplista, esteja mais próxima de um OLED do que LCD propriamente dito.

De fato, a própria Samsung apresentou uma versão miniaturizada de tela LED (ou mais exatamente Micro LED) durante a última CES 2019, cuja concepção modular pode se posicionar como uma alternativa até mais flexível que o OLED:

E o que é que esses 26,5 milhões de pontinhos luminosos oferecem?

Segundo a Samsung essa tela tem um nível de luminância máximo em torno de 300 nit’s (porém capaz de chegar a picos de 500 nit’s) contra 48 nit’s de um projetor convencional).

Clique para ampliar

Fora isso, ela possui uma tecnologia que a empresa chama de Ultra Contraste que utiliza a sua capacidade de processar cores em 18-bits mantendo um nível constante de tons baixos de efeitos de cinza e, devido ao fato da imagem não ser gerada por meio de uma luz que rebate num painel branco, essa tela é capaz de produz tons de preto sobre preto realmente intensos e ainda mais realistas:

Sua taxa de atualização dos LED’s é de 3.072 Hz mas a velocidade de sincronização de fotogramas de vídeo do painel se limita a 24, 25, 30, 48, 50 e 60 Hz. Já no modo 3D a velocidade é de apenas 24 Hz.

A profundidade de cores de 16 bits e processamento de cores de 18 bits por cor, totalizando assim 54 bits no total além de contar com suporte da tecnologia HDR.

Clique para ampliar

Muito além do cinema

Segundo Kaue Melo diretor de B2B da Samsung Brasil essa tela tem o potencial de mudar o conceito de sala de cinema já que, além da melhor qualidade de imagem. Por exemplo, por não ser uma tecnologia de projeção ela pode funcionar em ambientes totalmente iluminados o que permite usar a sala de exibição em outros tipos de atividades como apresentações e eventos corporativos, demonstrações/exibições de jogos, atividades infantis, shows, concertos, teatro com multimídia, etc. o que pode ser um mercado totalmente novo que as redes de cinema podem explorar, assim como outros negócios como bares e restaurantes.

De fato, representantes da empresa ressaltam que essa tecnologia de painel de LED pode ser até ser levada para as residências em aplicações de Home Theatre para substituir os sistemas de projeção e TVs de tela (realmente) grande.

Apesar da empresa já produzir painéis LED no Brasil para outros usos, a da Cinépolis ainda foi importada, mas nada impede que esta também seja feita por aqui a medida que haja uma demanda local o que deve ganhar impulso agora que a primeira sala com essa tecnologia no Brasil foi inaugurada, permitindo assim que as pessoas (incluindo os concorrentes da Cinépolis) possam ter a oportunidade de ver essa tela em cores e ao vivo…

… pagando apenas o tiquete de entrada do cinema e não da passagem de avião para ir até a Colômbia ou o México 😉 .

Para mais informações visite o Hotsite da Samsung Business do Brasil.

Cinema em casa

Como já foi dito antes, a Samsung também anunciou no evento que estará comercializando essa tecnologia de tela de cinema Onyx 4K para aqueles consumidores finais interessados em ter uma sala de cinema (de verdade) em casa.

Para isso, os interessados também devem visitar o site da Samsung Business, clicar na aba de contato no canto superior direito da página e clicar no botão “enviar e-mail” para enviar uma mensagem para o time de vendas corporativas que retornará o contato para dar inicio ao atendimento.

Bonus Track

Para quem ainda não percebeu, para mostrar todo o potencial dessa nova sala de cinema, o pessoal da Samsung e a Cinépolis exibiram o filme Alita: Anjo de Combate que estreou no início de fevereiro no Brasil:

Produzido por James Cameron e dirigido por Robert Rodriguez é um filme de ficção científica baseado num mangá chamado GUNNM Hyper Future Vision (ou Battle Angel Alita nos EUA) produzido por Yukito Kishiro na década de 1990 e que está sendo aclamado como uma das melhores adaptações de um mangá japonês já feita por um estúdio americano, passando por cima de filmes como Speed Racer (2008), No Limite do Amanhã (2014) ou Ghost in The Shell (2017).

Para mim o elemento mais notável desse filme são os olhos da protagonista que tenta reproduzir pela primeira vez em um personagem de carne e osso, o notório estilo mangá de “olhos grandes”…

…que é um estilo que, reza a lenda, foi criado por Osamu Tezuka na época que ele ainda copiava os desenhos da Disney e que se espalhou por toda a indústria tornando-se assim uma espécie de marca registrada do estilo japonês de desenhar quadrinhos, ao ponto de artistas mais bairristas de países vizinhos se recursarem a adotar (ou pelo menos minimizá-la no que for possível).

Existem diversas explicações sobre a popularidade deste estilo, sendo que a mais citada baseia-se num ditado nipônico  “目は口ほどにものを言う” que diz que “os olhos dizem tanto quanto a boca” ou como se diz por aqui “os olhos são a janela da alma” ou seja, essa idéia vai de encontro com o hábito dos japoneses de se comunicarem com poucas ou mesmo sem usar palavras, o que é considerado por eles algo muito chique e sofisticado.

Sob esse ponto de vista o trabalho de Cameron combinado com a excelente atuação de Rosa Salazar faz com que o desejo de homenagear essa estética de maneira honesta e realista seja muito bem sucedida apesar que, de fato, a gente meio que estranha ao ver os olhos de Alita pela primeira vez, mas com o passar do tempo você começa a se acostumar com a idéia e até apreciar o filme como um todo que é por sinal muito bom.

E será que essa homenagem poderá levar a criação de mais filmes com personagens com olhos grandes? Fora as continuações de Alita (que torço muito), acredito que não — mas só o tempo dirá.

Uma prova disso é que fora Alita, todos os outros personagens do filme possuem olhos “normais”.

O curioso é que apesar do sucesso do mangá no Japão, essa série rendeu apenas um OVA de 1993 por lá na forma de anime produzido pela Animate Film em parceria com a MadHouse, cuja narrativa até que segue bem fielmente os acontecimentos do filme.

Segundo o IMDB, Cameron disse numa entrevista que o seu enredo é uma combinação dos quatro primeiros livros do mangá (a história dos livros 1 e 2 e o arco “Motorball” dos livros 3 e 4):

Outra coisa que chama a atenção é o quanto da estória original chegou até o filme, em especial algumas cenas de ação…

… que poderia jurar que tinha saído da cabeça de algum roteirista americano mais aloprado:

Wai-wai!

Sobre o autor

Mário Nagano

Desde o século passado Mario Nagano analisa produtos e já escreveu sobre hardware e tecnologia para veículos como PC Magazine, IDGNow!, Veja e PC World.
Em 2007 ele fundou o Zumo junto com o Henrique assumindo o cargo de Segundo em Comando, Editor de Testes e Consigliere.

RSS Podcast SEM FILTRO




+novos