Números enormes: novas workstations da HP (Z420, Z620 e Z820)

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Desde que topei meio que por acaso com a HP Z210 Workstation em maio do ano passado, fiquei imaginando quando é que seus irmãos maiores das séries Z400, Z600 (já analisado por este ZTOP) e Z800 também receberiam algum upgrade de plataforma, já que se passaram quase três anos desde do seu lançamento oficial em 2009.

Fato é que no evento de lançamento da HP Z1 Workstation que aconteceu no mês passado lá em Vegas, participei de uma apresentação reservada onde a HP  finalmente apresentou sua nova geração de workstations mainstream e topo de linha, agora chamadas de Z420, Z620 e Z820.

O motivo para a HP segurar esse lançamento é porque todos eles já vêm com os novos processadores Xeon E5-1600/2600 anunciados nesta semana. E por que o Z1 saiu antes? É que essa máquina tudo-em-um adota um processador Xeon E3-1200, por sinal o mesmo usado no Z210 lançado no ano passado.

Uma das características que sempre me fascinou na série Z é o design dos seus computadores — desenvolvido em parceria com a BMW — o que resultou num produto que Jeff Wood — VP de marketing global do grupo de PSG da HP — já descreveu como “um design atraente, bonito como uma BMW e que corre como uma Lamborghini!“.

E como em time que está vencendo não se mexe, o visual dessas novas workstations parecem não ter mudado muito. De fato, a beleza desses novos equipamentos está nos pequenos detalhes como veremos em seguida.

No geral, esses novos modelos são — na sua essência — uma atualização de plataformas de modo que cada linha atende o mesmo público alvo só que com equipamentos mais modernos e performáticos. Já o novo Z210 e Z1 complementam essa linha atendendo o segmento de entrada, de volume e até mesmo aqueles com restrição de espaço para trabalhar.

E que equipamento seria mais indicado para quais aplicações? Para responder a essa dúvida, Jeff Wood apresentou um curioso gráfico cujo eixo X representa o aumento da capacidade de processamento numérico e no eixo Y o aumento da demanda por processamento gráfico e as como as diversas aplicações — desde aplicativos de escritório até óleo e gás — se posicionam nesse espaço:

Ai ele posicionou sua linha de produtos nesse espaço para termos uma visão de como a HP atende a todos esses mercados com um produto sob medida:

Assim com o segmento de entrada atendidos pelos modelos Z1 e Z210, a Z420 Workstation (preço sugerido nos EUA a partir de US$ 1.169) pode ser considerado um modelo mainstream mais voltado para usuários de CAD, sistemas de arquitetura, edição de vídeo e fotografia etc.

Ele pode vir equipado tanto com o novo processador Intel Xeon E5-600 quanto o E5-2600w o que significa que ele pode contar com quatro, seis ou até oito núcleos de processamento com HT (=até 16 cores!)  para trabalhar, além de aceitar até 64 GB de memória RAM com ECC e até 11 TB de armazenamento. Sua placa gráfica pode ser uma NVIDIA Quadro 5000 ou uma dual NVIDIA Quadro 2000.

Se comparado com seus irmãos maiores, a Z420 é o modelo mais com cara de desktop padrão ATX. Mas como é comum em sistemas corporativos, seu padrão de construção é do tipo tool-less (pode ser parcialmente desmontado sem o uso de ferramentas), o que agiliza o seu upgrade/manutenção.

Note que o Z420 ainda traz algumas interfaces legadas como porta para teclado e mouse PS/2 (outra paixão das empresas e órgãos do governo) e Firewire. Apesar do sistema já contar com quatro portas USB 3.0 (duas na frente e duas atrás) ela não dispõe de porta Thunderbolt. Segundo a HP, essa interface não foi incluida porque ela acredita que esse recurso seria aproveitado por um público relativamente pequeno de usuários do Z420 (videomakers?) que, na sua maioria trabalham com programas de desenhos e projetos que hoje estão bem atendidos com o USB 3.0.

Uma sacada bem interessante desse equipamento é que ele conta com um segundo botão de liga/desliga no seu painel traseiro. Segundo a fabricante, esse recurso foi um pedido de alguns clientes que montam essas workstations em grandes racks  e reclamavam que toda vez que era necessário fazer alguma manutenção na parte de trás do gabinete era preciso dar uma volta nesses imensos módulos (ou às vezes percorrer corredores) para ligar este ou aquele computador para depois voltar para a parte de trás e vice-versa.

Outra característica que difere o Z420 das suas irmãs maiores é o fato de ela não vir com alça de transporte (um item muito apreciado por acadêmicos e animadores que vivem mudando de mesa de trabalho). Para contornar esse problema, a HP oferece um curioso acessório instalado em uma das baias externas de 5,25″ que tem uma espécie de recesso no gabinete onde o usuário pode segurar com a mão e levantar a máquina. A desvantagem nesse caso é que o usuário tem apenas um ponto de apoio e perde uma baia de acessórios mas cá entre nós, isso é bem melhor do que nada.

Já a Z620 Workstation (preço sugerido nos EUA a partir de US$ 1.649) é mais indicada para analistas financeiros, animadores, pesquisadores/cientistas e engenheiros/arquitetos que gerenciam projetos em CAD de maior porte. Por ser ligeriamente menor que o Z820 ele também pode ser uma alternativa para aqueles que possuem pouco espaço disponível nas suas áreas de trabalho.

Esse sistema pode trabalhar com até dois processadores Xeon E5, até 512 GB de memória ECC e até 11 TB de armazenamento. Sua placa gráfica pode ser uma NVIDIA Quadro 6000 ou um dual NVIDIA Quadro 5000.

Ao contrário do Z210 e Z420, o Z620 possui diversas características que a empresa chama de “DNA da linha Z” ou seja, gabinete com laterais em alumínio escovado e um design que já foge do tradicional padrão ATX. Destaque para sua alça de transporte dianteira…

… e traseira, que neste caso é uma sólida alça de metal,

… que quando fora de uso fica rebatida no seu painel traseiro. Note a presença de duas portas de rede Intel Gigabit Ethernet padrão de fábrica.

Uma das sacadas mais interessantes desse modelo é sua capacidade dele trabalhar com um ou dois processadores Xeon E5. Mas ao contrário do que possa parecer, não se trata de um computador cuja placa-mãe vem com dois soquetes onde o usuário pode instalar um ou dois processadores e sim algo bem mais sofisticado.

Na demo realizada pela HP o que vemos embaixo é uma configuração completa com dois processadores:

Mas ao soltar duas travas localizadas no interior do gabinete, é possivel remover um grande módulo — ou mais exatamente uma placa de expansão…

… que abriga o segundo soquete/processador/cooler e até os pentes de memória! Quase uma segunda placa-mãe que se comunica com a primeira por meio de um conector de desenho proprietário.

E mesmo sem esse módulo, o Z620 funciona e se comporta como um sistema single socket e nem passa a impressão de que algo está faltando dentro do gabinete.

Para mim a grande vantagem dessa solução é a economia de custos e a escalabilidade, já que caso o usuário opte pelo Z620 com apenas uma CPU ele não precisa pagar a mais por algo que ele não vai usar (soquete da CPU e memórias, controladores etc.) e caso seja necessário basta aquirir o módulo com o segundo processador e encaixá-lo no desktop.

Finalmente a mãe de todas as workstations da HP é a nova  Z820modelo topo de linha voltado para o segmento de óleo e gás, CAD, CAE (Computer Aided Engineering), sistemas médicos, edição de vídeo, filmes, animação, etc.

Como o Z620 ele aceita até 512 GB de memória, mas aceita um pouco mais de armazemanento (até 14 TB), já vem com dois soquetes para processadores Xeon E5 e seu sistema gráfico aceita até um dual NVIDIA Quadro 6000.

O Z820 é um equipamento relativamente grande e espaçoso. No seu painel traseiro temos a presença de suas portas Gigabit Ethernet e uma porta serial (uia!). Curiosamente, não notamos a presença de um botão liga/desliga nesse equipamento (a não ser que ele esteja bem escondido).

E assim como o Z800, o interior do Z820 é coberto por dois painéis externos para maximizar o efeito de circulação do ar no seu interior. Opcionalmente, ele pode vir equipado com um sistema de refrigeração a água original de fábrica.

De fato, ao removermos o painel superior vemos que ele é formado por um complexo sistema de dutos de ar e ventoinhas…

… que resfriam tanto as memórioas quanto os coolers dos processadores que, por causa disso, são levemente inclinados para que o fluxo de ar passe melhor pelas aletas do irradiador de calor.

Sem  os painéis internos é possível ter acesso completo aos componentes internos da workstation, facilitando assim a sua manutenção. Note o desenho pouco convencional da sua fonte de alimentação que ocupa praticamente toda a parte de cima do gabinete e que pode ser facilmente removida puxando a trava na forma de alça.

A previsão é que essa nova linha de workstations chegue ao Brasil ainda neste ano, inicialmente importado e depois fabricado localmente nas mesmas linhas que hoje já montam os modelos Z210, Z600 e Z800 por aqui.

Mais informações aqui.

Sobre o autor

Mário Nagano

Desde o século passado Mario Nagano analisa produtos e já escreveu sobre hardware e tecnologia para veículos como PC Magazine, IDGNow!, Veja e PC World.
Em 2007 ele fundou o Zumo junto com o Henrique assumindo o cargo de Segundo em Comando, Editor de Testes e Consigliere.

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