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Números enormes: Filmadora digital 5K RED EPIC-M

Câmera cinematográfica digital captura cenas de até 5.120 x 2.700 pixels a 96 quadros por segundo.

Durante o lançamento da Workstation HP Z1, no mês passado, a HP montou um pequeno showcase com diversos parceiros mostrando seus produtos e serviços que tiram proveito dos produtos da casa. Entre eles, um brinquedinho que me chamou realmente a atenção foi uma câmera digital com uma cara de mau tão irada que acho que nem existe um termo em português para descrevê-la corretamente. Se fosse americano, eu diria que ela é uma really BADASS camera!

Ela não é exatamente uma novidade, mas trata-se da RED EPIC-M, uma câmera de cinema digital baseado num conceito que a fabricante chama de DSMC (Digital Still and Motion Camera). Segundo a RED, Peter Jackson comprou trinta delas — pagando  US$ 58 mil cada (acho que ele teve um descontinho porque comprou em quantidade) —  para serem usadas nas filmagens do seu filme The  Hobbit que deve ser lançado no final deste ano.

Entre os outros filmes que adotaram essa câmera na sua produção estão The Amazing Spider-Man, Jack the Giant Killer, Prometheus, Avatar 2, The Girl with the Dragon Tattoo, Underworld: Awakening, Resident Evil: Retribution e Silent Hill: Revelation 3D.

Lançada no mercado no início de 2011, a EPIC-M vem equipada com um sensor Mysterium-X de 13,8 megapixels (5.120 x 2.700 pixels) do tipo CMOS, cuja área de captura de imagem de 27,7  x 14,6 mm é muito próxima do tradicional formato de filme Super 35. Ela utiliza um CODEC de vídeo proprietário (REDCODE RAW ou R3D) capaz de registar imagens em 5K (5.120 x 2.700 pixels a 96 qps), 5K WS (5.120 x 2.134 pixels a 120 qps), 4K (4.096 x 2.160 pixels  a 120 qps), 4K HD (3.840 x 2.160 pixels  a 120 qps), 3K (3.720 x 1.620 pixels  a 160 qps) e 2K (2.048 x 854 pixels  a 200 qps). Toda essa informação é gravada em cartões SSD cujo desenho também é proprietário.

 

 

Como era de se esperar de uma câmera profissional, a EPIC-M é um sistema modular altamente customizável o que facilita a sua manutenção, upgrade e até a adição de novos recursos que ainda nem foram criados. Seu sistema de lentes padrão utiliza a baioneta Arri PL (a mais comum entre as câmeras de 16 mm e 35 mm), mas seu engate de lente pode ser trocado para aceitar outros padrões de lentes como Canon EF, Nikon F e até Leica-M.

 

Isso permite criar um equipamento realmente sob medida para o seu usuário:

Neste caso, o elemento central é o módulo Brain ( ~US$ 39.500) que incorpora o sensor de imagem e toda a parafernália eletrônica necessária para a captura e processamento das imagens, sendo que todos os os outros componentes são montados ao seu redor. Vale a pena notar que os sistemas EPIC e SCARLET compartilham desses mesmos módulos e acessórios.

Na minha opinião a EPIC-M é dono de um visual típico do design industrial americano de meados do século passado (simples e utilitário, robusto e sem muita frescura), um tipo de charme que só encontramos em produtos como uma moto Harley Davidson, num jipe Humvee, num trator John Deere, numa pistola Colt 1911 ou até mesmo num teclado IBM model M.

E ai, vai encarar?

Mais informações aqui.

Desde o século passado Mario Nagano analisa produtos e já escreveu sobre hardware e tecnologia para veículos como PC Magazine, IDGNow!, Veja e PC World. Em 2007 ele fundou o Zumo junto com o Henrique assumindo o cargo de Segundo em Comando, Editor de Testes e Consigliere.

  • Adriano Lima 02/03/2012, 09:21

    Great Cam!
    Mas o cinema tinha um certo charme quando dava aqueles "pulinhos" na imagem no começo dos filmes.

  • Luis Felipe 02/03/2012, 11:13

    Que falta fazem alguns milhares de dólares…

  • dflopes 02/03/2012, 13:15

    pois é, não adianta uma mega-super-ultra-cam se for filma tudo em P&B e mudo…

    mas tudo bem, eu vou pegar uma emprestada do Peter Jackson e filmar o aniversário de minha sobrinha amanhã.
    😀

    P.S.: O oscar fica pior a cada ano.

    • Joao Pedro Silveira 02/03/2012, 16:28

      A base do cinema não e o efeito visual e sim a qualidade do filme

      • mnagano 03/03/2012, 07:01

        Você quer dizer "qualidade da estória" né?

        • dflopes 03/03/2012, 09:01

          Nagano,
          o Oscar começa a parecer aquele senhor nostalgico que so gosta de coisas antigas…

          Pelo menos Hugo Cabret foi um bom ganhador por lá… MAs tb acho que só ganhou por causa do diretor, apesar de ser um bom filme.

    • mnagano 03/03/2012, 07:58

      Para filmar em P&B e Mudo melhor uma Lomokino Super 35.
      http://ztop.com.br/2011/11/05/gadget-do-dia-lomok

  • rubens 02/03/2012, 13:29

    /Inveja forte
    Combina certinho com um Level 10 da Thermaltake.

    Processar o vídeo dela com pouca RAM e pouca CPU deve ser uma experiência e tanto. 🙂

    • mnagano 02/03/2012, 13:56

      De fato, a RED não estava lá não para exibir suas câmeras e sim demonstrar seu sistema de tratamento de imagens e edição de vídeo e rodando em workstations da HP.

  • leo130 03/03/2012, 22:14

    seria legal se no futuro essas supercameras adotassem um design mais bonito e minimalista

    • mnagano 04/03/2012, 07:47

      Meio difícil. Como o público alvo dessas câmeras é a indústria de cinema, a idéia é que ele esteja mais para um trator do que um produto de consumo.

  • Máximo 25/05/2012, 15:14

    Uma pena que as grandes ideias só estão sendo direcionadas para a produção de tecnologia, no que se refere à criação de roteiros decentes as coisas vão de mal a pior…

    • mnagano 19/06/2012, 16:24

      Com exceção da Pixar onde o único "não técnico" entre seus fundadores John Lasseter sempre defendeu com unhas e dentes a idéia de que a "estória é o rei".

      Tudo bem que Jobs entrou com a grana e ficou lá dando palpite, mas para mim Lasseter foi o cara que realmente fez aquilo dar certo.