ZTOP+ZUMO

Números enormes: FCA inaugura centro de P&D em Pernambuco

A Fiat Chrysler Automobiles (FCA) anunciou nesta semana a instalação de seu Centro de Pesquisa, Desenvolvimento, Inovação e Engenharia Automotiva no Brasil.

O Centro é o quarto do tipo no mundo e ficará em Pernambuco, sendo formado por quatro unidades: Centro de Software (Recife), Projetos (Cabo de Santo Agostinho), Centro de Testes Veiculares (Jaboatão dos Guararapes) e Campo de Provas (Goiana). Segundo a montadora de veículos, foram investidos R$ 140 milhões na instalação das unidades e todas estarão funcionando até meados de 2016.

O Centro de Software entrou em operação na última quarta-feira e está instalado na área do Porto Digital. Esse centro é o primeiro da FCA na América Latina e desenvolverá aplicações automotivas para controle de motores e transmissões (esse conjunto é chamado de powertrain pela indústria automobilística).

Além de aprimorar a eficiência energética, reduzindo o consumo de combustível e a emissão de poluentes, os software criados pelo Centro terão a missão de melhorar as respostas do veículo para o condutor. “Os carros estão cada vez mais digitais e precisamos trazer o desenvolvimento de software para dentro da companhia para garantir a eficiência”, explica Stefan Ketter, presidente da FCA para a América Latina. De acordo com a FCA, as demais unidades que compõem o complexo começarão a operar em meados de 2016.

Pernambuco foi escolhido para receber o novo complexo tecnológico da FCA por diversos fatores. O primeiro deles é que a nova fábrica da montadora fica no Estado.

Marilu comenta: Inaugurada em abril de 2015, a planta localizada em Goiana produz o Jeep Renegade. Os governos estadual e federal também concederam incentivos tributários a fim de levar a fábrica para o Estado e, assim, estabelecer um polo automobilístico na Região Nordeste.

Outro fator é o contexto geográfico. “Há o Porto de Suape, para a exportação de nossos produtos, e temos a presença do Porto Digital, que é um polo de conhecimento e inovação tecnológica”, diz Ketter. Além disso, a FCA quer aproveitar as condições atmosféricas e climáticas da região para testes. “Temos calor, proximidade com o nível do mar e umidade alta presentes. Essas condições são mais complicadas para um carro e se tornam ideais para nossos testes, por isso essa localização.”

A ideia é que, com o tempo, as instalações do centro passem a receber demandas das demais unidades de pesquisa da montadora no mundo, prestando serviços para outras filiais da FCA.

Parceria com universidades e startups

Durante o processo de implantação do Centro, a FCA firmou parcerias com oito instituições de ensino de Pernambuco e da Paraíba, a fim de formar e qualificar engenheiros, técnicos e demais profissionais da região para atuar no novo centro.

Com o Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife (C.E.S.A.R.), a FCA fez um programa de residência com engenheiros, mesclando aulas teóricas com atividades práticas sobre sistemas embarcados, desenvolvimento de powertrain, entre outros temas. Dos 38 participantes, 70% foram contratados para atuar no Centro de Software. “A proximidade e a colaboração com startups e o meio acadêmico trazem novas soluções para nossa área digital”, explica Ketter.

Segundo ele, o novo Centro tem todas as condições necessárias para o desenvolvimento completo de um carro da montadora no Brasil no prazo de em cinco anos, contados a partir da inauguração das unidades. “Essa é uma meta ambiciosa, que demanda competência.”

Atualmente, 210 profissionais atuam no Centro de Pesquisa, Desenvolvimento, Inovação e Engenharia Automotiva. O plano da FCA é contratar 500 novos profissionais nos próximos anos para o complexo.

Marilu Araujo escreve sobre TI desde 1997. Atuou em publicações especializadas, como PC Magazine Brasil e ZDNet Brasil. Escreveu para Folha de S.Paulo e O Estado de S.Paulo. Trabalhou do outro lado da mesa, em agência de comunicação. Neste Ztop+Zumo, vai falar também sobre tecnologia embarcada em carros e em outros veículos. No Twitter: @mariluaraujo

  • Alpha Delta Victor 07/12/2015, 16:03

    Até aqui no Ztop?
    Amigos, é totalmente errado dizer ‘montadora de veículos’, o correto é: fabricante. De nada.

    • André Almeida Martins 08/12/2015, 08:14

      não tá errado não..
      a Montadora não fabrica quase peça nenhuma!
      Ela é detentora da tecnologia e do projeto.. quem fabrica são os fornecedores!
      no final das contas, a Fiat, GM, Ford ou qualquer outra, MONTAM os carros =D

      • Alpha Delta Victor 08/12/2015, 08:39

        Montagem é um processo de fabricação. Podem até existir locais em que apenas se faz montagem, mas não no Brasil. Nós temos fábricas de automóveis, sim, senhor. Nada de montadoras. Faça uma pesquisa decente e você chegará a essa mesma conclusão.

        Agora, citando parte de um texto do melhor site de automóveis do Brasil (Autoentusiastas):

        “– garantia é de fábrica ou de montadora?
        – preço é de fábrica ou de montadora, nos feirões?
        – equipe é de fábrica ou de montadora, nas corridas de automóveis?

        Sabe o que significa Anfavea? Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores. E Fiat, é o quê? Fabbrica Italiana di Automobili Torino. E Alfa, de Alfa Romeo? Anonima Lombarda Fabbrica di Automobili.

        O que é mais estranho é só no Brasil usar-se ‘montadora’. No resto do mundo é fábrica ou fabricante, nas respectivas línguas. Por que será? Alguma forma nova de maldição?”

        • Don Ratao 10/12/2015, 15:14

          Montadoras seriam aquelas “fábricas” que agregam os componentes CKD?

    • JotaEle 08/12/2015, 17:40

      Eu considero fabricantes, pois a parte mais básica de um carro, que é o chassis, é produzida internamente, com processos de estamparia, soldagem, montagem, pintura, etc. Além do chassis muitos outros componentes e peças são produzidos internamente.

      • Alpha Delta Victor 08/12/2015, 19:38

        Parabéns!

    • Ex-comentarista 08/12/2015, 19:12

      Acho que não é necessário usar ironia.

      O uso do termo “montadora”, como bem colocou o André, é devido ao fato que as empresas montam seus veículos e não há problema em usa-lo. Você mesmo fala que “Montagem é um dos processos de fabricação”.

      O termo é comum no jargão jornalístico. Não sei porque a implicância.

      • Alpha Delta Victor 08/12/2015, 19:38

        O fato de montagem fazer parte do processo de fabricação não transforma uma fábrica em montadora.

        Não é por que se escreve em demasia ‘montadora’ que o termo automaticamente se torna correto.

        Reitero: no Brasil não temos ‘montadora de veículos’, temos fábrica! Nós fabricamos veículos, não os montamos.

        Eu comentei sobre o uso equivocado dessa expressão aqui pois aprecio o site e dificilmente leio algo escrito errado aqui. Então, para manter a excelência, dei esse toque para os responsáveis pelo site.

        • Ex-comentarista 08/12/2015, 22:00

          Porém, fica a critério do editor ou redação o uso melhor. Correto é subjetivo aqui, assim como quase tudo na vida. O uso do termo “montadora” para fabricante de veículos não constitui em regra alguma para ser colocado como absoluto. Vai do uso de cada um.

          Não é equivocado, é um jargão já consolidado por quem não é especializado em veículos.

    • Mario Nagano 09/12/2015, 09:19

      Não me metendo neste imbróglio semântico, quando li o termo “fábrica de carros”, me veio à mente a fábrica da Ford em River Rouge onde no passado encostava uma barca com minério de ferro de um lado da planta e saía carro pronto do outro.

      Também já ouvi uma história maluca de que as lojas do MacDonalds não são tecnicamente “restaurantes” já que toda a comida vem “pré-pronta”, ou seja, eles só “esquentam” os ingredientes (ou resfriam, no caso dos sorvetes e bebidas) e montam os pratos, ou seja, eles são “montadores de refeições!” o que liberou a companhia de uma bela grana em taxas e impostos.