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Asus ❤📸 (mas acho que o Zenfone 4 ainda precisa de 📺)

A Asus lançou hoje no mercado brasileiro sua linha 2017 de smartphones, chamada de Zenfone 4 e composta por quatro modelos (e inúmeras variantes com configurações distintas). Mas este texto não é para falar disso.

São elas o Zenfone 4 propriamente dito (o “premium” da marca), o Zenfone 4 Max e o Zenfone 4 Selfie (modelos de entrada) e o Zenfone 4 Selfie Pro (o intermediário da linha, nas fotos deste post). O mais legal de todos, o Zenfone 4 Pro, não será lançado no Brasil.

O mote da Asus agora é “We love Photo” (sim, esse “V” torto é um coraçãozinho). Por trás desse amor todo, tem uma concepção básica e funcional de marketing: vamos apelar para a emoção do consumidor, mas de um jeito diferente.

O primeiro passo é tentar se apropriar de conceitos de mercado que não tinham dono ainda. Fotografia é universal, mas cada fabricante de smartphone lida de jeito distinto. A Apple mostra fotos incríveis com seus iPhones pelas cidades do mundo (agora no Instagram também). A Huawei – que infelizmente não atua no Brasil – se apropriou da marca/objeto de desejo Leica, para ficar em dois exemplos rápidos.

O tema inicial da Asus em 2017 – e que será repetido à exaustão na campanha de marketing digital (e somente digital) da empresa no Brasil – é a fotografia grande-angular, já que o Zenfone 4 tem duas câmeras traseiras – uma normal e uma com 120 graus de ângulo de visão.

OK, o Zenfone 4 tira boas fotos (Nagano no Japão que o diga). Tá, são incríveis para aumentar o campo de visão de uma linda imagem de paisagem, de cena de rua. Cabe mais informação na foto, mais detalhe, mais gente. E dependendo da distância, o resultado pode sair distorcido (não importa, na campanha ficou lindo).

A apropriação do grande-angular e sua associação com a Asus é proposital. Como disse, outras marcas já têm suas associações – boas imagens, zoom, preto e branco. A Asus decidiu que o grande-angular é seu.

Tem outro motivo interessante para o grande-angular (e não o zoom, por exemplo): sai mais barato para o fabricante inserir um componente grande-angular na sua câmera que um zoom óptico. Aqui, a engenharia falou mais alto que o marketing.

Nagano comenta (direto do Japão): Um detalhe que me chamou a atenção dessa lente grande angular é que ela não possui mecanismo de foco, ou seja, sua profundidade de campo é tão grande que dispensa tal recurso. Isso de um certo modo vai de encontro com o que o Henrique diz que isso ajuda a reduzir o custo do Zenfone 4.

Por outro lado, foto é só o começo das ideias emocionais da Asus. O conceito do “We love” quer se ligar (com toda a razão e lógica do mundo) à geração Like.

Like, Love, coraçãozinho, estrelinha: o emocional do consumidor Asus (na cabeça da empresa) quer mais likes nas suas redes sociais (já que like = micro momento de felicidade pessoal) e são os smartphones da Asus que vão ajudá-lo a chegar lá. O balé do início da apresentação de ontem deu exatamente esse recado.

Conversando no final da coletiva/keynote com certas @s amigas, a Asus pode ter todo esse discurso empoderado de foto/like etc. e bater o pé que só faz (ao menos no Brasil) campanha digital (YouTube, Facebook, influenciadores e tal – um deles, por sinal, tinha o cabelo multicolorido estava se divertindo com selfies no seu belo iPhone 7 sem nenhuma cerimônia) porque dá resultado.

Mas o pai do moleque que só vê YouTube não sabe quem é o cara de cabelo colorido que berra pelas redes sociais (tipo eu, com a diferença de que não tenho filhos). Ele vê TV quando chega do trabalho à noite. E é na TV (aberta, fechada) que ele vai saber de quem é o produto que seu filho quer tanto para ter mais likes. Talvez (talvez) a coisa digital mais popular que se aproxima disso é o Facebook, só acredito que o efeito possa não ser o mesmo.

É a questão de entender que bolso com o dinheiro que paga a conta está em outra audiência, que não necessariamente é a internet. Relevância, alcance e número de seguidores não necessariamente pagam suas contas.

E por isso a Asus (reza a lenda) gasta, gasta, gasta em marketing no Brasil (cruzeiro anual! celebridades! evento do Zenfone 4 com show do Jota Quest!) e não sai de uma pequena porcentagem de participação de mercado – os últimos números, imagino que já desatualizados, que tive acesso davam algo em torno de 3%.

Parece muito barulho por nada, ou já chegou a hora de começar a pensar em dar outros passos além do digital (como se eu não fosse um meio digital que também precisa de anunciantes para pagar as contas, mea culpa). Ou ajustar a fórmula um pouco para aumentar o reconhecimento da marca e o caixa no fim do mês.

Em tempo 1.1: um comentário após algumas horas de sono: siga o dinheiro. Se o dinheiro investido em marketing (sem contar o apoio de parceiros-melhores amigos novos, como a Qualcomm) equivale ao que entra no caixa da Asus no fim do trimestre, a conta fecha, o povo de Taiwan fica feliz, a roda continua a girar, o show segue.

Em tempo 2: Na sequência, fotos do simpático Zenfone 4 Selfie Pro em todo seu vermelho possível:

[Asus]

Henrique Martin já escreveu na PC World, PC Mag, Folha de S. Paulo e criou o Zumo em 2007. Em 2011, o Zumo se transformou no ZTOP, referência em conteúdo original sobre tecnologia em um mundo pós-PC. Siga-o no Twitter: @henriquemartin

  • Cesar Cardoso 04/10/2017, 09:30

    O mercado brasileiro ainda é muito offline – você faz showrooming mas compra na loja física, e a boa e velha propaganda offline ainda é bem efetiva.

    Comparando a Asus com a Quantum, por exemplo, a marca premium da Positivo partiu direto pra presença offline: quiosques nos shoppings, placas com o Neymar de garoto-propaganda nos jogos de futebol.

    • Diogo 04/10/2017, 09:40

      Exatamente. A Xiaomi tentou fazer dessa forma, só propaganda online, e se perdeu bonito por aqui. Essa estratégia pode até dar certo lá na China, mas parece que não é muito efetiva no Brasil.

      • Rodrigo Ghedin 04/10/2017, 09:52

        Nem na China. As marcas da BBK (Oppo e Vivo), entre as mais populares de lá, investem em mídia offline e relacionamento com PDVs.

      • Henrique Martin 04/10/2017, 11:44

        Xiaomi no Brasil teve um bônus: a arrogância do Hugo Barra em relação ao mercado local, de dizer que entendia e, bem, deu no que deu.
        (ai que vontade de escrever umas coisas de uma época que ele ainda era do google…)

        • Paulo Higa 04/10/2017, 12:22

          Conta mais!

          • Henrique Martin 04/10/2017, 12:25

            preciso pedir autorização pra fonte

          • Rodrigo Ghedin 05/10/2017, 07:26

            Peça e conte mais!

          • Cesar Cardoso 05/10/2017, 15:45

            Vai, pede autorização da fonte!

        • dflopes 04/10/2017, 18:30

          conta mais²

        • Sandro De Jesus Soares 06/10/2017, 16:03

          Ajoelhou, tem que rezar! Desembucha rapaz 😆

        • Thiago Silva 24/10/2017, 00:24

          Joga na roda!

    • Henrique Martin 04/10/2017, 09:42

      tanto que no primeiro Zenfone, lembro que a Asus chegou a ter meia dúzia de quiosques pelo menos em São Paulo (e agora abriu uma “pop-up store” com… meet & greet com youtubers!).

  • Diogo 04/10/2017, 09:42

    A primeira impressão que tive quando vi a frase “mas acho que o Zenfone 4 ainda precisa de 📺” foi que precisava de TV digital, ahahaha

    • dflopes 05/10/2017, 09:13

      poderia adicionar uma palavra:
      ainda precisa “aparecer” na TV

  • dflopes 04/10/2017, 18:33

    A série de fotografia da Asus (Compartilhando o momento) foi uma excelente estratégia de divulgação da marca, ao usar os recursos do ZenFone 3 Zoom.
    Ela poderia investir mais na divulgação baseada em fotografia – ok,. usando op mote da grande angular, sem esquecer da câmera dupla, que permitira aplicar um bokeh mais efetivo.

  • Sandro De Jesus Soares 06/10/2017, 16:02

    O marketing agressivo da Asus já tá dando canseira…

  • Sandro De Jesus Soares 06/10/2017, 16:06

    O marketing agressivo da Asus já tá dando canseira…