Notas da Zumo-caverna: quanto perdemos na recarga do celular?

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bateria

Num papo de boteco com um colega de profissão, ele me falou de uma notícia publicada no exterior que dizia quanta energia — ou no final das contas, dinheiro — que as pessoas desperdiçam quando regarregam seus celulares na tomada sem necessidade.  Eu fiquei intrigado com essa afirmação e fiz algumas experiências por conta própria e os resultados foram no mínimo interessantes ao ponto de me convencer a mudar meus hábitos de como recarregar meus eletrônicos.

Para essa experiência eu utilizei um telefone celular Nokia N95 Model 1 (também conhecido como N95 Classic) com bateria BL-5F de 950 mAh. Sua autonomia não é considerada um dos destaques desse aparelho ao ponto do seu sucessor — o N95 8GB — ter sido redesenhado para acomodar uma nova bateria de 1.200 mAh.

n95_bl_5fA proposta desse teste foi de usar o telefone até que ele simplesmente desligasse por falta de energia. Feito isso, eu esperei até antes de ir para a cama (lá pelas 23:00)  para ligá-lo no seu recarregador de tomada (um Nokia AC-3U devidamente monitorado pelo meu medidor de energia) e fui dormir. A idéia nesse caso foi de fazer o mesmo que muitas pessoas fazem: chegam em casa e deixam o celular recarregando na tomada, retirando o adaptador na manhã do dia seguinte.

O celular ficou desligado durante a noite para evitar que alguém ligasse para o mesmo, alterando assim seu tempo de recarga.

Lá pelas 7:00 da manhã do dia seguinte, peguei os dados e joguei num gráfico para analisá-los:

nokia_consumo_2_small

O que podemos ver no gráfico acima é que o consumo de energia em watts (linha laranja) manteve-se constante por umas três horas, caindo até para praticamente de zero lá pelas 2:08 da madrugada consumindo um total de 6,9 watt-hora (linha púrpura).

O curioso é que a cada 30 segundos registrei um pico de consumo de 0,1 watt e uns curiosos picos de até 2,5 watts. Esse consumo residual elevou o valor total dessa recarga para 8,7 watt-hora: um desperdício de 1,8 watt-h ou 0,0467568 centavos de real a mais na conta do final do mês segundo a tarifa da Eletropaulo (R$ 0,25976 por kilowatt-hora segundo minha conta de junho/09) e isso sem contar as taxas e impostos.

Durante o dia seguinte eu usei o celular de maneira moderada, de modo que tinha algo como meia carga da bateria até a noite (segundo o indicador na tela do aparelho) e repeti o mesmo experimento do dia anterior. Desta vez, o resultado foi o seguinte:

nokia_consumo_1_small1

Note que depois de aproximadamente uma hora e meia o carregador deixou de funcionar a plena carga (linha azul) indicando que a bateria foi totalmente recarregada,  consumindo nesse processo um total de 3,8 watt-hora, mas os picos de 0,1 watts a cada 30 segundos se repetiram como no dia anterior de modo que o consumo total da recarga no final da experiência foi de 6,0 watt-hora ou seja, um desperdício de 2,2 watt-hora ou 0,0571472 centavos de real no final dessa operação.

Pode parecer uma merreca, mas multiplique esses 6 watt-hora pelo número de vezes que realizamos essa operação toda semana, mês ou ano e depois multiplique esse total pelo número de pessoas que tem um ou até mais celulares em casa na sua rua, bairro, estado ou país e esse valor começa a ficar interessante e até mesmo politicamente incorreto numa época em que falamos tanto em computação verde e poupar energia para combater o aquecimento global.

Hoje, eu ainda recarrego meu celular no final do dia, mas faço isso mais cedo e fico de olho no medidor de modo a retirar o adaptador da tomada logo após a carga estar completa.

Acho que ainda voltaremos para esse assunto, já que deixamos de fora outros fatores que podem ou não interferir no conta de energia, como o modelo ou fabricante, o uso de carregadores ineficientes/alternativos e até mesmo se existe algum consumo de energia se deixamos o carregador sem uso ligado na tomada.

Fiquem ligados.

Sobre o autor

Mário Nagano

Desde o século passado Mario Nagano analisa produtos e já escreveu sobre hardware e tecnologia para veículos como PC Magazine, IDGNow!, Veja e PC World.
Em 2007 ele fundou o Zumo junto com o Henrique assumindo o cargo de Segundo em Comando, Editor de Testes e Consigliere.

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