Notas da Zumo-caverna: entendendo as cores dos WD Caviar

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Em abril, descobrimos que a Western Digital desenvolveu uma nova estratégia de identificação de seus produtos baseada em cores: Verde para os produtos mais voltados para economia de energia, Azul para os modelos de linha para a chamada computação do dia a dia e o Preto voltado para desempenho, mas não no nível dos impressionantes Velociraptors.

Eu particularmente achei essa estratégia meio confusa, porque imagino que o desejo de todo mundo seja de um disco com bom desempenho e que seja econômico, e isso sem falar como um disco “meio-termo” como o azul se encaixaria nesse contexto.

Pensando nisso, surgiu a idéia de colocar esse discos lado a lado para ver como eles se comportam em termos de desempenho e consumo de energia.

Para ajudar a organizar as minhas idéias e a dos leitores, eu montei uma pequena tabela de características que pode servir de ponto de partida para entendermos essa estratégia de cores:

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A partir dessa tabela podemos começar observar algumas diferenças interessantes:

O Caviar Green foi o primeiro produto da casa a ser chamado de um produto “ecologicamente correto” devido às suas interessantes tecnologias inteligentes que otimizam o movimento de busca de informações no disco (diminuindo assim o movimento das cabeças de leitura e gravação), além da rotação do motor ser variável de acordo com a carga de trabalho e é o modelo com a maior capacidade de armazenamento da linha (2 TB). Com isso, a empresa afirma que o Green é capaz de consumo de 4 a 5 watts a menos se comparado com um disco convencional de desktop. Some isso à sua grande capacidade de armazenamento e temos uma solução interessante para a montagem de PCs de baixo consumo de energia ou mesmo de soluções de NAS ou discos externos para PCs. De fato, todos os discos externos da empresa como os MyBook utilizam discos Green.

O Caviar Blue por sua vez, parece ser o produto de massa da empresa mais voltados para integradores montarem seus PCs de linha. O que me chamou a atenção dessa linha de discos é que ela está disponível no máximo na versão de 750 GB e 16 MB de cache, bem abaixo dos modelos Green e Black, o que me leva a especular que eles possam ser negociados a preços bastante agressivos para os canais de distribuição. O Blue também pode ser a única opção de upgrade para aqueles que ainda utilizam discos IDE/PATA, em especial PCs mais antigos e aplicações mais específicas como set-top boxes.

Para aqueles que querem ter um disco mais veloz — como profissionais de vídeo, gamers e entusiastas — a linha Black é a sugestão da empresa por oferecer 32 MB de cache de disco eotimizações para trabalhar com mais eficiência com sistemas multiprocessados. A fabricante afirma que os discos Black passam por testes de mais rígidos de validação, de modo que ela oferece uma garantia de 5 anos para esse produto contra 3 da linha Green e Blue, ou seja, seu hardware é mais confiável (uia!).

Uma pergunta que pode passar pela cabeça de algum leitor é saber como o Velociraptor se encaixa nesse contexto. Segundo o pessoal da WD que fez questão de bater um fio de lá dos EUA para este Zumo só para tirar nossas dúvidas (thanks Ron!) apesar de possível, o Velociraptor não deve ser considerado um produto de consumo voltado para desktops e sim para aplicações corporativas que justifiquem — ou melhor, demandem — o uso de um disco caro pra dedéu mais voltado para desempenho do que capacidade de armazenamento propriamente dito  (300 GB contra 1 TB do Black).

Com a parte teórica mais ou menos esclarecida, vamos para o que interessa:

Infelizmente, a Western Digital só teve condições de nos enviar dois discos para esse teste: um Caviar Green e um Black, ambos de 1 TB. Apesar de sentir falta do Blue, acredito que esse comparativo ainda é viável. Afinal,  o Blue não está disponível acima de 750 GB e seu desempenho poderia ser influenciado pela maneira como a informação está gravada fisicamente no disco. Pelo menos no caso do Green e do Black avaliamos discos de mesma capacidade e quantidade de memória cache.

Com o objetivo de isolar (na medida do possível) o consumo dos discos, instalamos os mesmos num gabinete de disco externo com porta e-SATA e medimos o consumo de energia a partir do seu adaptador de rede elétrica e realizamos todos os testes desse modo:

Primeiro os testes com o HD Tune 2.55 com o Caviar Green:

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Depois o Caviar Black:

wd_black_1024_hdtune_small

Esses resultados mostram que realmente — nas mesmas condições — o Caviar Black oferece melhor desempenho geral que o Green, principalmente nas taxas de transferência mínima e média. Note que, na taxa de transferência máxima, o Green conseguiu um resultado muito próximo do Black, o que confirma a informação do pessoal da WD de que o disco Green não é apenas um modelo mais lento.

Note nos gráficos acima o ícone de temperatura, que mostra o Green (29 graus Celsius) trabalhando bem mais abaixo do Black (46 graus Celsius).

Para os testes de consumo de energia, usei o HD Tach, que possui um modo completo que faz tanto os testes de leitura quanto de gravação por todo o disco, o que pode levar horas. Ao analisar os resultados abaixo é interessante notar que a metade inicial do gráfico mostra o consumo do disco nos testes de leitura e lá pela metade do gráfico veremos um “salto abrupto” no consumo que indica o início dos testes de gravação.

Inicialmente, os testes com Caviar Green:

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E depois com o Caviar Black:

wd_black_1024_hdtach_long_watts_small

O que podemos ver nesses gráficos é que o Green realmente é realmente mais econômico, consumindo menos de 9,0 watts nos testes de leitura e um máximo de 9,7 watts no modo gravação. No caso, o Black o consumo manteve-se numa faixa em torno dos 11 watt com picos de consumo de 11,3 watts no modo de gravação e baixas de até 10,5 watts no modo de leitura.

Pelo que posso concluir dessas medições é que esse papo de cores não é só papo de marketeiro. 🙂

Sobre o autor

Mário Nagano

Desde o século passado Mario Nagano analisa produtos e já escreveu sobre hardware e tecnologia para veículos como PC Magazine, IDGNow!, Veja e PC World.
Em 2007 ele fundou o Zumo junto com o Henrique assumindo o cargo de Segundo em Comando, Editor de Testes e Consigliere.

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