Nokia + Microsoft versus o mundo

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(comentário básico: tem um grande “NO” nessa foto, não?)

O previsto aconteceu. Nokia anunciou agora cedo uma parceria estratégica com a Microsoft para usar o Windows Phone 7 em seus aparelhos. Symbian e MeeGo, aparentemente, continuam a existir, mas a principal plataforma – ou “terceiro ecossistema”, como a Nokia definiu – será o Windows Phone 7 (primário, mas não exclusivo).

Para a Microsoft, grande vitória. O Windows Phone 7, felizmente, não é o Windows Mobile (cruzcredo), e para a companhia de Steve Ballmer, seu sistema operacional conseguiu o apoio do maior fabricante de celulares do mundo. E o mercado de PCs, comprovado no último trimestre do ano passado, já é menor que o de smartphones (dados do IDC: 100,9 mi de smartphones versus 92,1 mi de PCs). Ponto.

Para a Nokia, não sei.

Vai ser bom para entrar no mercado americano de maneira decente, não sei como o resto do mundo pode reagir (e o Windows Phone 7, ainda bebê, não tem ainda a boa fama que merece entre o público). A Nokia faz grande hardware, é fato. Não vai perder esse conhecimento, e talvez tenhamos o melhor Windows Phone que possa existir. Mas tem que ser rápido. Uma boa notícia é que o serviço de Mapas da Nokia será integrado ao Bing. E, claro, tem sempre a teoria da conspiração (sempre válida nesses casos) de que a Microsoft pagou para entrar na Nokia. Nokia + Android significaria o fim da plataforma Windows Phone de vez.

Além da parceria com a Microsoft, a Nokia também anunciou uma nova estrutura corporativa, dividida em duas grandes áreas de negócios: “Smart Devices” (com foco nos aparelhos high-end, incluindo Windows Phone,  Symbian e MeeGo) e “Mobile Phones”, voltada aos low-end para levar “a web ao próximo bilhão de pessoas” (e que, de certa forma, mantém a viva a chama da Nokia de ser uma empresa de internet e serviços).

Para os desenvolvedores, a notícia ainda é dúbia. Symbian e MeeGo tinham todo o compromisso open source possível, e acredito que muita gente vá migrar para Android ou iOS. Não sei o tamanho da comunidade de developers Windows Mobile, que, por sinal, não usa Qt (mega aposta dos últimos meses da Nokia) para criar apps.

O comentário geral que senti das pessoas que sigo é que “meu pai morreu”. Consigo entender isso muito bem (para quem acompanha a empresa faz tempo como eu, isso mostra que muito, mas muito do que fizeram nos últimos anos parece que está sendo jogado fora).

O comunicado oficial diz que “sob a nova estratégia, MeeGo se torna um projeto open-source de sistema operacional móvel. Vai se colocar na exploração a longo prazo das futuras gerações de aparelhos, plataformas e experiências de usuário. Nokia ainda planeja lançar um produto MeeGo ainda este ano”.

Nagano comenta: Passado o chilique inicial e pensando um pouco com o lado esquerdo do cérebro, começo a achar que a Microsoft é de fato a melhor noiva de conveniência que a Nokia poderia arrumar nesse exato momento — principalmente com sua plataforma de petróleo pegando fogo. Se a Nokia ainda tem a liderança do mercado (mesmo que meio corroída) e vive a procura de uma nova plataforma que consiga bater de frente seus “novos” concorrentes, a MS tem um novo SO que todo mundo diz que é bom (mas que aparentemente ninguém está dando muita bola) e que conta com todo o suporte de um dos maiores ecossistemas de PC do planeta.
Agora das duas uma: ou eles  juntam forças para estourar a boca do balão ou afundam de vez. E nesse último caso (bato na madeira),o quebra pau vai ser mais feio que briga de casal em separação litigiosa.
Resta saber como vai ficar a situação da ex-prometida (Intel/Meego) e do filho fora do relacionamento (Maemo).

Vou seguir o webcast agora e atualizo aos poucos este post.

8h06 = Stephen Elop no palco. “O jogo mudou. De uma batalha de aparelhos para uma guerra de ecossistemas”. (mmm, a carta era real!)

“Nossa parceria vai criar um ecossistema mundial, que vai além do que já existe”. O ecossistema vai incluir fabricantes de chips, operadoras, desenvolvedores etc.

8h08 = Microsoft traz a grande plataforma e o que o consumidor quer – Bing, Office Xbox Live… Nokia = hardware, Microsoft = software. Roadmap inclui todas as geografias. Windows Phone deixa de ser algo quase exclusivo dos EUA para todo o mundo, ganha ESCALA.

8h12 – Steve Ballmer no palco. “é uma honra e um privilégio estar aqui hoje”. Lembra que Windows Phones estão no mercado há apenas 4 meses, e que o sistema foi anunciado há um ano, no Mobile World Congress (na mesma época do MeeGo, por sinal). E comenta que está “excited” com a escala que seu sistema vai alcançar.

8h17 – Ballmer espera desenvolvimento muito rápido do ecossistema. Serão muitos passos, individuais e juntos, das duas empresas. O roadmap será compartilhado para a “evolução do telefone móvel”. “O mundo da tecnologia é divertido. Move a economia do mundo, mas também a inovação para os consumidores ao redor do mundo”.

8h19 – Photo-op, acabou. Ballmer e Elop vão responder perguntas agora.

Primeiro aparelho? “Vamos ser rápidos”, diz Elop, sem dar um prazo. Ballmer: “engenheiros já trabalham juntos para tornar isso possível”.

Exclusivo? Ballmer diz que não. Parceria com outros fabricantes continua a existir.

Symbian? “Existe uma transição a caminho para WP7”. Meego? “Vai sair este ano. É uma oportunidade para aprender com experiência de usuário, a equipe vai pensar no futuro dos aparelhos e experiência do usuário. Queremos descobrir quando será a próxima disruptura no mercado”, diz Elop.

Pergunta incrível de jornalista finlandesa: e o que acontece com a Finlândia? “Nokia sempre vai ser uma companhia finlandesa. É nossa casa. E mais do que qualquer coisa, o melhor que a Nokia pode fazer pela Finlândia é garantir seu futuro”. Na entrelinha, Elop diz que subsidiárias de todo o mundo terão cortes (a do Brasil já começou na semana passada, por sinal).

Elop diz ainda que é preciso ter uma força incrível para vencer Apple e Android. Está falando com operadoras de todo o mundo, que “dizem que entendem, gostam e vão apoiar, pois precisam de uma alternativa. Agora é uma corrida de três cavalos”.

Tablets? “Podemos usar algo da Microsoft, mas não temos nada a anunciar agora. Poderemos ter outras alternativas, mas nada para o momento”, diz Elop. Apple e Android já ganharam esse mercado.

8h45  – fim das perguntas. Agora o negócio é esperar o que – e principalmente QUANDO – vem esse Nokia Windows Phone. Se for daqui a seis meses, o terceiro cavalo vai acabar em terceiro. No próximo domingo, a Nokia faz uma coletiva de imprensa pré-Mobile World Congress, em Barcelona. A conferir – e esperar.

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Dois slides da apresentação para o mercado financeiro pós-coletiva de Elop/Ballmer chamam a atenção a longo prazo – ambos para “propósitos ilustrativos apenas, não é uma previsão”:

Tirando o MeeGo, não vejo Symbian aí, certo?

Sobre o autor

Henrique Martin

Henrique Martin já escreveu na PC World, PC Mag, Folha de S. Paulo e criou o Zumo em 2007. Em 2011, o Zumo se transformou no ZTOP, referência em conteúdo original sobre tecnologia em um mundo pós-PC. Siga-o no Twitter: @henriquemartin

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