ZTOP+ZUMO

Nikon chega ao Brasil

Depois de quase todas as big players japonesas do mercado de câmeras como Sony, Fuji, Panasonic, Canon, Pentax, Casio e Olympus marcarem presença no mercado brasileiro, a Nikon finalmente abre sua filial no País com a ousada intenção de conquistar 15% do market share de câmeras amadoras e 40% das profissionais.

Fundada em julho de 1917 como o nome de Nippon Kogaku Kogyo Kabushikigaisha ( Japan Optical Industries Company ), a empresa levou quase 94 anos para fincar sua bandeira no Brasil (e a sua quarta nas Américas). No meio do caminho, uma história interessante, como a vista no vídeo abaixo (demonstrado durante a coletiva):

===


===

Uma curiosidade histórica não citada nesse vídeo é que a Nikonos não foi um projeto original da empresa e sim baseada numa câmera francesa bolada pelo oceanógrafo Jacques-Yves Costeau chamada Calypso que a Nikon gostou tanto que começou a fabricá-la sob licença, mas que depois — como acontece com muita coisa que cai na mão de algum japonês mais engenhoso — aperfeiçoou tanto o projeto ao ponto dela adquirir personalidade própria.

O executivo responsável por trazer a Nikon para o Brasil é Koji Maeda, que também assume o cargo de presidente da filial. Ele explicou que a decisão da empresa de vir para cá baseia-se no fato do Brasil ser o maior mercado desta região com crescimento anual na faixa dos dois dígitos — algo como 14% a cada ano — e que nesse projeto foram investidos até agora cerca de R$ 17,8 milhões e que começa com uma estrutura até que bastante respeitável, com um staff de aproximadamente 45 profissionais (que vão lidar com importação, vendas e serviços de pós-venda para produtos de imagem e instrumentos no Brasil).

Fora isso, ele reconhece que além do Brasil possuir uma grande base de equipamentos da sua marca que estão nas mãos de usuários bastante fiéis (cuja paixão se compara à dos times de futebol), com a realização da Copa do Mundo no Brasil em 2014 e das Olimpíadas do Rio em 2016 a Nikon quer estar preparada para atender a demanda dos usuários daqui e de lá de fora que irão consumir produtos fotográficos e tirar zilhões de fotos por aqui.

De fato a Nikon do Brasil diz que espera faturar R$ 100 milhões já no primeiro ano e nos próximos anos elevar o seu market share de 1% para 15% no segmento de câmeras compactas/amadoras e de 17% para 40% do segmento profissional.

E para fazer tudo isso acontecer o executivo conta com o auxílio de Joel Garbi, gerente geral de marketing e vendas que deu mais detalhes sobre as estratégias da empresa aqui no Brasil.

Garbi disse que a Nikon do Brasil começa a existir para o mercado a partir de hoje (27), incluindo o o site da empresa — www.nikon.com.br —  que já está no ar, assim como o seu número de SAC 0800-88-64566  (0800-88 NIKON). A propósito, note a quantidade de “oitos” neste número, considerado sortudo pelos orientais.

Como já foi dito anteriormente, a Nikon do Brasil irá iniciar suas atividades com a venda de câmeras e acessórios e a prestação de assistência técnica, o que também incluirá equipamentos ópticos como microscópios. Garbi comenta que nos últimos anos o ato de fotografar deixou de ser apenas uma maneira de registrar momentos para se tornar uma maneira de compartilhar emoções – e esse é o tema da primeira campanha institucional da companhia. “Eu Sou Nikon” é inspirada na campanha I am Nikon já vinculada em outras geografias e que em breve também terá uma versão tropicalizada:
===

===

A intenção da Nikon Brasil é de oferecer no País toda a sua linha de produtos de imagem (com preços a partir de R$ 299) e instrumentação e, na medida do possível, fazer lançamentos simultâneos com o resto do mundo.

De fato, modelos recentes como a D5100 já estavam expostos na coletiva:

Garbi anunciou que eles já estão em negociação com as principais redes varejistas e lojas de cine/foto do País para que os consumidores tenham acesso à linha de produtos o mais cedo possível.

Mais importante ainda foi o anúncio de que a Nikon terá na sua sede aqui em São Paulo sua própria central de manutenção com profissionais treinados, equipamentos de última geração e estoque de peças para reposição. Em breve a empresa também irá licenciar outros centros de reparos formando assim uma rede de assistências técnicas que eles chamam de ARS.

Aproveitei essa deixa para perguntar para Garbi como fica a situação da antiga e tradicional representante da Nikon no Brasil, a T.Tanaka. Ele explicou que os contratos com a T.Tanaka e a Udenio com a Nikon Inc. (filial dos EUA encarregada de atender o Brasil) expiraram no final de março passado. Com a chegada da Nikon Brasil, a nova companhia negocia com a T.Tanaka para que ela não seja mais representante e sim uma revenda autorizada e centro de assistência técnica Nikon. Já a Udenio — por sinal é dona do domínio www.nikonbrasil.com — não deve ter seu contrato renovado e deve retornar ao seu país de origem (Argentina).

Com relação à garantia de produtos, a Nikon do Brasil fornecerá garantia para os produtos da sua marca comercializados no Brasil e até de fora desde que o mesmo possua uma garantia internacional (caso das lentes). Ele observa porém que muitos produtos comprados no exterior possuem garantias que valem apenas para nos países onde eles foram adquiridos sendo que, nesse caso, a garantia não é valida para o Brasil. De qualquer modo a Nikon Brasil poderá realizar o reparo mediante o pagamento do serviço.

E a fabricação no Brasil?  Curiosamente, o executivo confirmou que essa possibilidade está sendo analisada e que um posicionamento sobre esse assunto deve ser divulgado em breve.

Momento Ztop Caras:

Como o Henrique me avisou que iria me encher de tapa se eu desse uma de papagaio de pirata em cima dos executivos da Nikon, como alternativa eu fiz um pedido e eles gentilmente posaram para uma foto junto com minha querida Nikon S2 Black Dial da década de 1950.

Por sinal, a S2 foi uma das primeiras rangefinders da casa a adotar o tamanho de quadro padrão 24 x 36 mm, já que os modelos anteriores — como as Nikon I, M e S — adotavam um curioso formato de 24 x 32 mm ou 24 x 34 mm. E por que isso? No período do pós-guerra, filme fotográfico no Japão era algo raro e caro de modo que reduzindo a largura do fotograma de 2 a 4 mm era possível bater de duas a quatro fotos a mais com o mesmo filme 135 de 36 poses. Como disse antes, esses japoneses são muito engenhosos né?

Melhor que isso só o anel-piteira da Casio.

Outra curiosidade: Para quem não sabe a Nikon faz parte do Grupo Mitsubishi (sim, aquela do Pajero).

 

Desde o século passado Mario Nagano analisa produtos e já escreveu sobre hardware e tecnologia para veículos como PC Magazine, IDGNow!, Veja e PC World. Em 2007 ele fundou o Zumo junto com o Henrique assumindo o cargo de Segundo em Comando, Editor de Testes e Consigliere.

  • Higuetari 27/04/2011, 22:44

    E tem gente com medo do Google… Grupo Mitsubishi, sempre perto de você.

    Legal saber que entre as prioridades está o pós-venda. Já tem um "joinha" meu aí 😉 Se anunciar alguma produção nacional então!

  • ederval 19/04/2012, 15:53

    tenho um pequeno estudio fotografico em americana sp , gostaria de patrocinio da nikon para um letreiro no meu estudio se possivel , grato.

    • henriquem 19/04/2012, 15:57

      amigo, só somos um site que falou sobre a nikon. não temos nenhuma relação com eles.