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Google Nexus já pode se chamar Nexus no Brasil

Depois do lançamento do Samsung Galaxy Nexus com o estranho nome de Galaxy X no Brasil em 2012 por conta de problemas jurídicos, a nova geração de aparelhos com o pedigree puro do Google já pode ser lançada com o nome Nexus por aqui: o Google diz que tem direito sobre a marca.

A questão vem à tona por conta do iminente (ou não) lançamento do tablet Asus Nexus 7 e do smartphone LG Nexus 4 no mercado local. O enrosco com o nome Nexus data de 2010, quando o Nexus S não saiu aqui por problemas de marca.

Um rumor circulava faz algum tempo no mercado sobre a possível compra/licenciamento da marca. Hoje o Google confirmou oficialmente:

“O Google tem direito sobre a marca Nexus”, informou a equipe de comunicação do buscador/alimentador de Androids, sem adicionar muito sobre o tema.

Logo, os nomes Nexus 7 e Nexus 4 estão liberados para vendas sem problemas.

Isso, claro, se o Nexus 7 vier mesmo.

Durante a CES 2013, no começo do mês, a Asus confirmou a chegada do produto ao mercado local pelo valor sugerido de R$ 1.299 e até botou o portátil na capa da sua revista.

Mas até agora nada aconteceu, em uma história bem esquisita.

A Asus não atende telefonemas pra comentar o tema, varejistas têm o produto em estoque e, bem, o preço sugerido de R$ 1.299 para um produto que é vendido com algum subsídio do próprio Google lá fora é um tanto esquisito/alto/abusivo.

Sim, existe a história do custo Brasil, impostos e tal, mas tem algo que não cheira bem nesse caso.

Reza a lenda que o próprio Google Brasil comprou algumas centenas de unidades para dar de presente aos seus funcionários no final de 2012, o que confirmaria a informação de que o tablet está à venda desde o final de dezembro (funcionários + natal = faz sentido, certo?).

Uma fonte que entende de importação de eletrônicos me mostrou uma lista de impostos e suas alíquotas que são taxados em cascata sobre um produto importado, como um tablet do porte do Nexus 7.

Não sou especializado em tributos e reproduzo a lista conforme foi me dita, e esse valor varia de fabricante para fabricante e tipo de produto (por isso a MP do Bem, para produtos fabricados aqui, reduz bem os valores finais).

– Imposto de importação: de 12% a 16%, dependendo da categoria do produto (notebook, tablet)
– IPI: 15%
– PIS: 1,65%
– COFINS: 7,6%
– ICMS: 12% (pode chegar a 15% no estado de São Paulo)
– PIS + COFINS DO VAREJISTA (embutido no preço final): 9,25%
– CUSTO OPERACIONAL DO VAREJISTA (lucro + logística+ custos operacionais): entre 30% e 35%, dependendo da loja.
– CUSTO OPERACIONAL DO FABRICANTE: varia de empresa para empresa (e a cotação do dólar, claro).

Fiz a pergunta do milhão para minha fonte: “Pode um tablet de US$ 199 chegar a R$ 1.300 com essa carga tributária e custos diversos?“.

Resposta: Sim, sendo responsável por quase metade desse valor. Uma redução só pode ocorrer se existir algum tipo de subsídio ou alguém abrir mão do lucro. O varejo brasileiro não faz isso de jeito nenhum.

Aguardemos as cenas dos próximos capítulos, se é que eles vão acontecer. A pergunta do milhão agora é: “se o Google subsidia os produtos Nexus nos EUA, por que não no resto do mundo e no Brasil?

Vale lembrar de de uma coisa: o produto conhecido como Nexus 7 foi apresentado pela Asus em janeiro de 2012 durante a CES, em Las Vegas, sob o nome Asus MeMo 370T, com Nvidia Tegra 3 e tela IPS. Tire a câmera traseira, um ou outro detalhe e mude o acabamento, pronto, temos um Nexus 7.

Vi o produto lá na suíte da Asus, mais de um ano atrás. O Verge tem a história completa de como um tablet virou Nexus.

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Henrique Martin já escreveu na PC World, PC Mag, Folha de S. Paulo e criou o Zumo em 2007. Em 2011, o Zumo se transformou no ZTOP, referência em conteúdo original sobre tecnologia em um mundo pós-PC. Siga-o no Twitter: @henriquemartin