Net lança Now, serviço de vídeo on-demand (ou “a TV a cabo subiu na nuvem”)

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A Net lança no próximo dia 25 seu serviço de vídeo sob demanda na cidade de São Paulo, chamado de Now, com mais de 2.000 títulos disponíveis no começo. O serviço entra no ar para os assinantes dos pacotes de alta definição da operadora (Net HD e Net HD Max) e terá conteúdos pagos e gratuitos, em definição padrão e HD.

Este ZTOP viu uma prévia do que será oferecido – e vai de filmes em lançamento para aluguel aos velhos e bons canais “adultos”. Até o fim do ano, o serviço estará disponível em toda a cidade de São Paulo e, quem sabe, em outras praças também.

O mais interessante é que o Now não a rede de banda larga (=Vírtua) para transmitir os filmes/programas/e-learning/quem-sabe-games armazenados na “nuvem” de servidores da operadora.

Alguns conteúdos (sinopses, capas de filme) vêm, sim, por IP, em uma rede paralela ligada no set-top box do assinante (como sempre suspeitei, existe um modem ali), mas o uso do serviço Now é independente da conexão de banda larga da casa: desse modo, sua velocidade de download não cai.

E como vai funcionar? No dia 25, assinantes em locais que a rede de fibra óptica da Net já está mais “otimizada” (não divulgaram os bairros ainda) vão ligar o set-top box e ver que tem um novo ícone no menu principal da tela que surge quando você liga a TV. É o Now, que também será o canal 1 da Net (hoje é um canal de propaganda da operadora).

Ao entrar no Now, surgem as opções disponíveis:

  • Now Recomenda: destaques da programação sob demanda;
  • Now Cinema, com duas opções principais:
    Telecine ON: novo “canal” sob demanda da rede Telecine, que vai alugar lançamentos que estão chegando às locadoras de tijolo e cimento (ainda existem?). R$ 9,90 por título, 24 horas para assistir (alguns filmes terão mais tempo)
    Telecine Play: 30 “filmes do mês” da rede Telecine. De graça para quem paga a assinatura dos canais de filmes.
  • Now canais da Net: programação gratuita de alguns canais do lineup da Net (SportTV, Multishow, GNT, Globonews, Canal Brasil, Discovery/BBC, Nickelodeon).
  • Now Kids: programação infantil (gratuita)… e aulas de inglês (!) – essas, pagas. é um jeito de testar capacidades de e-learning via TV.
  • Now Música: shows e espetáculos e (o horror, o horror) karaokê. Tudo gratuito também.
  • Now Variedades: séries de TV, programação esportiva, documentários (incluindo BBC e Discovery); gratuito.
  • Now Adultos: canais Playboy e Venus na primeira fase; programação protegida por senha. Pago, claro.
  • Now Grátis: um apanhado do melhor da programação gratuita. A ideia aqui é educar o assinante a usar o serviço on-demand que possa ter dúvidas sobre o produto.

Escolheu o programa, deu o “play”, começa a ver. Dá para parar e recomeçar de onde parou, até mesmo em outro ponto da rede/TV dentro do domicílio, dentro do prazo determinado após a “compra” do produto. Programas em alta definição (1080i) e definição padrão estarão disponíveis, com som 5.1 (alguns ainda em estéreo). Todo tipo de transação (seja para comprar um filme ou assistir conteúdo gratuito) é feito sempre com senha, para evitar erros/abusos de familiares folgados/criancinhas acessando pornografia.

Como dá para ver nas telas, a Net começa a reformular sua interface de usuário com fundos transparentes (no filme) e escuros (nos menus), mas ainda aguardo a mudança da barra de informações atual para o topo da tela (hoje ela fica embaixo, cobrindo as legendas de um programa).

O que mais interessa, porém, é o leque de opções que um serviço como o Now abre para a experiência de ver TV. Não é “pay-per-view”, que você paga e tem horário certo pra ver. Aqui, a coisa é instantânea mesmo. E, pensando em algo como a opção “Now canais da Net”, quando grande parte dos canais tiver programação disponível sob demanda, você não fica mais preso à grade da operadora.

Já pensou um canal que tem todas as temporadas de “Seinfeld”? Ou de “Lost”? Ou, meu sonho, só “Later… with Jools Holland” Ou programas antigos? (vivas ao Canal Viva, que vem ressuscitando clássicos da TV brasileira – da época que ela ainda tinha alguma qualidade). Ou… séries sincronizadas com o lançamento nos EUA?

E, por que não imaginar, games nesses servidores-monstro da Net permitindo jogar online a qualquer hora, sem precisar pensar em gastar poder de processamento do seu computador? Márcio Carvalho, diretor de serviços e produtos da Net, diz que essa é uma possibilidade.

Outra função que pode vir a ser explorada é a distribuição de conteúdo 3D via Now. Faz todo sentido: existem poucos filmes/programas no formato, tem fabricante que atrela título a seu televisor e o consumidor acaba sem muita opção. Em vez de gastar os tubos em um Blu-ray 3D, a opção do aluguel pode ser mais viável (e barata), certo?

Dados técnicos: o sistema de video on demand da Net usa tecnologia CDN (Content Delivery Network, rede de distribuição de conteúdo) fornecida pela Cisco Systems (que também fabrica alguns set-top boxes da Net, como os do serviço de gravador digital para assinantes Net HD Max).

Os vídeos são codificados em 1080i (se quer 1080p, tem que se contentar com seu Blu-ray player), em uma primeira fase, vêm com as legendas/áudio dublado codificado com o filme. Numa segunda fase, legendas e som virão em separado (uma das benesses do MPEG-4) em formato eletrônico.

A questão do formato de vídeo, por sinal, é um dos motivos pelos quais os canais de filme HBO não estão no Now: a transmissão é ainda feita para a América Latina usando MPEG-2, incompatível com a CDN do Now.

E o outro serviço de vídeo on demand de 2009?: A Net chegou a fazer testes de vídeo sob demanda com distribuição via banda larga (Vírtua). Márcio Carvalho explica que era mais um teste para a banda larga da operadora e que, de dois anos para cá, as plataformas de vídeo mudaram demais. “O conceito da TV ainda é importante, na sala de casa, sentado no sofá”, afirma.

 

 

 

 

Sobre o autor

Henrique Martin

Henrique Martin já escreveu na PC World, PC Mag, Folha de S. Paulo e criou o Zumo em 2007. Em 2011, o Zumo se transformou no ZTOP, referência em conteúdo original sobre tecnologia em um mundo pós-PC. Siga-o no Twitter: @henriquemartin

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