N900 chega ao Brasil, nove meses depois…

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Pelo menos nove meses (uma gestação!) separam o anúncio do Nokia N900, em agosto de 2009, da sua chegada às lojas brasileiras, algo que deve acontecer nos próximos “sessenta a setenta e cinco dias”, de acordo com a companhia. A mesma afirmação – com um prazo menor – vale também para o N97 mini e para o X6 (que chegam, respectivamente, em abril e maio ao varejo).

Em tempos que a concorrência traz Androids com semanas de diferença para o mercado brasileiro (caso dos Motorola Milestone e Backflip), já com subsídio das operadoras, três trimestres (movidos a certa indecisão, entendo) importam.

Fato é que enquanto eu escrevo este post, o vice-presidente Anssi Vanjoki, responsável por “mercados” na Nokia, fala aos funcionários da companhia brasileira. Hoje de manhã ele anunciou a chegada do N900, junto com a do N97 mini, do X6 e de outros dois aparelhos mid/low-end (5325 e 2730 classic). Não dá para negar a influência da Nokia no mercado de celulares: 1,3 bilhão de consumidores em todo o mundo, 13 telefones sendo vendidos por segundo, 1,5 milhão de downloads/dia na Ovi Store (agora Ovi Loja, em português e com aplicativos pagos já no segundo semestre, via cartão de crédito ou operadora).

Bingo! Se realmente vier com os aplicativos pagos, a Nokia vai ser a única (sem ser loja de operadora) com apps pagos no Brasil (iPhone e Android ainda operam no modo gratuito – da Apple, até creio em alguma mudança até dá para baixar programas pagos, do Android, não tenho nenhuma esperança – meus emails para a Open Handset Alliance nunca foram respondidos).

O que dá a entender que tais atrasos – um tanto propositais – mostram que a Nokia está em modo de espera. Sobre o próprio N900, já haviam dito oficialmente que não viria ao Brasil (e, curiosamente, o porta-voz que falava disso trocou a empresa pela Apple, junto com outros três membros da equipe de produtos). De qualquer modo, o N900 vai ser um aparelho caro (sem detalhes de preço, mas não boto minha mão no fogo por um valor abaixo de R$ 2.000).

O N900 é um divisor de águas na Nokia, e foi apenas o primeiro e único com Maemo adaptado para celulares: Linux de verdade, altamente modificável, tornando finalmente o celular em um computador pessoal. Mesmo com o atraso, é uma excelente notícia para o mercado brasileiro (hora de começar a poupar para trocar de celular). Mas não venha me dizer que a Nokia “descobriu” que existem desenvolvedores Linux aqui – eles estão no seu ecossistema faz tempo (vide o monte de coisas bacanas que o INDT fez para esse sistema, como o Canola).

O modo de espera deve passar logo. Os smartphones com Symbian, em uma nova encarnação com Symbianˆ3 e Symbianˆ4, estão batendo à porta. Questionei Vanjoki sobre o ataque de sinceridade que teve em relação ao N97 recentemente e se os compradores do N97 mini deveriam se preocupar: a resposta foi “o mini veio certo desde o começo. Os problemas de qualidade do N97 foram corrigidos”.

Os Symbian vão migrar para aparelhos mid/low-range e dar lugar aos aparelhos com Meego (o nome miguxo para a fusão do Maemo com o Moblin, da Intel). E aí a Nokia vai mostrar que ainda está pronta pro jogo – só tinha parado para descansar um pouco. Espero que as próximas apostas venham mais rápido para cá. Os concorrentes se mexem com velocidade, é hora dos finlandeses também fazerem isso. Afinal, como reiterou o presidente da operação local, Almir Narcizo, o Brasil já está entre os dez maiores mercados da Nokia para o mundo (ocupando a nona posição).

Em tempo: no final deste mês começam a vencer as primeiras licenças de um ano do serviço “consuma tudo que puder de música” Comes With Music. Diz a Nokia que prepara uma “oferta especial” para os clientes, tanto para renovação da licença de uso quanto para a aquisição de novos aparelhos (X6 e N97 mini vêm com o serviço, por sinal), tanto via Nokia quanto via operadoras – a conferir. Por enquanto, a loja brasileira continua vendendo músicas com DRM (lá fora já existem licenças de venda sem essa proteção). Mas fiquei curioso com a marca “Ovi Music” que apareceu em um dos slides de Vanjoki, ah, fiquei.

Sobre o autor

Henrique Martin

Henrique Martin é o fundador do ZTOP+ZUMO e da newsletter de tecnologia Interfaces. Já escreveu na PC World, PC Magazine, O Estado de São Paulo, Folha de S. Paulo e criou o ZTOP+ZUMO em 2007, referência em conteúdo original sobre tecnologia em um mundo pós-PC.

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