MWC: Nokia de mãos dadas com a Microsoft

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Depois do anúncio da parceria com a Microsoft, a Nokia detalhou sua estratégia durante o MWC. E o Symbian subiu no telhado mesmo…

Dizem que uma nação com problemas precisa de uma guerra. Um oponente nefasto tira a atenção dos próprios problemas e é um artifício que acaba prolongando a vida de um reino, por mais decadente que ele esteja. E é assim desde os tempos da aurora do Império Romano, guerras são lucrativas e normalmente mantém os governantes seguros. O que pensar então da declaração oficial de Stephen Elop, CEO da Nokia: “Nossa prioridade é vencer o Android”.

Declarar guerra à uma plataforma que cresceu 888.8% em um ano pode soar um tanto quixotesco, mas com a Microsoft cobrindo sua retaguarda – e presumidamente despejando uma enxurrada de dinheiro nos cofres de Espoo – talvez a Nokia tenha uma chance de continuar no jogo.

Mas a Nokia não quer que ninguém pense isso. “Nós pagamos à Microsoft pelo uso do software”, declarou Elop, “mas também reduzimos nosso custo operacional.” Que usar o Windows Phone 7 pode reduzir custos, com um bom acordo de licenças, pode ser. Mas que a Nokia vai efetivamente desenbolsar dinheiro nisso, é duro de acreditar.

Segundo o anúncio oficial, as empresas vão colaborar para tirar vantagem do conhecimento técnico e de hardware da Nokia. Até aí, nenhum segredo, pois a Nokia sempre foi boa de hardware. E até mostrou uns conceitos de aparelhos com o Windows Phone.

Mas aí, a coisa ficou bem mais clara: “A Nokia terá uma relação de contribuição de duas mãos com a Microsoft. Eles entram com o Bing e o Xbox. E apostam pesado nos serviços de localização (GPS) da Nokia, e o novo elemento nisso é que teremos na publicidade uma nova fonte de receita.” E a cereja do bolo: “Por isso, a Microsoft fez uma contribuição monetária substancial. E quando falamos de Nokia, não são milhões, mas algo na casa dos bilhões.” Explicadíssimo, não?

O desenvolvimento dos primeiros aparelhos com Windows Phone 7 já começou, e espera-se que os primeiros aparelhos sejam lançados ainda em 2011 – e é claro que isso vai acontecer, pois perder o buzz da parceria seria suicídio.

O coitadinho do Symbian continua recebendo investimentos e será usado em aparelhos de entrada. E estuda-se como será a transição gradual de Symbian para WM7. Alguém, tirando os entusiastas xiitas, realmente acredita que o Symbian tem muita sobrevida depois dessa?

O MeeGo? Será lançado um aparelho com o sistema, e depois “o sistema será considerado e explorado conforme vamos seguindo em frente”. Também subiu no telhado ou não?

O resumo de tudo isso: sim, a Nokia recebeu um absurdo de dinheiro da Microsoft, pois talvez a gigante de Redmond não consiga os resultados que espera – alguém lembra do finado Kin? – e não dê conta de estender seus domínios no campo onde Android e iOS dominam. O que a Nokia põe na mesa? Conhecimento sólido de hardware, experiência em manter um ecossistema bem sucedido (Ovi Store) e um dos programas de navegação GPS mais bacanas do mercado (Ovi Maps).

Tudo isso na mesma panela pode dar um caldo bom. E concorrência é sempre bom para o consumidor. A questão que fica é: será que a Nokia mantém sua identidade no processo ou acaba fundida à Microsoft? Veremos daqui a um ano.

Sobre o autor

Jô Auricchio, editor convidado

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