Pocket Review: Smartphone Multilaser MS80X

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O smartphone Multilaser MS80X foi uma surpresa interessante nesse início de 2019: é um aparelho bonito (apesar de ser mais um clone de iPhone X) e com configurações razoáveis para sua faixa de preço (em torno dos R$ 1.000).

O que tem nesse produto?

O Multilaser MS80X é um smartphone de entrada com tela grande (6,2 polegadas, resolução 1080 x 2246 pontos, 416 ppi) com um processador octa-core Qualcomm Snapdragon 450 com GPU Adreno 506, 4 GB de RAM, 64 GB de armazenamento interno (expansível com cartões microSD), câmera traseira dupla de 12 megapixels de resolução/5 megapixels na secundária e 16 megapixels na frontal, bateria de 3.400 mAH rodando Android 8.1.

E, como um bom smartphone da safra 2018, tem um notch/franja/entalhe na parte superior da tela:

Recebi a versão dourada para testes – tem uma com a traseira em preto metálico também. O MS80X tem quase tudo que um smartphone intermediário atual tem: câmera dupla (a segunda é para efeito de profundidade), leitor de impressões digitais, o bendito notch, entrada para fone de ouvido. O acabamento é bem feito e, à primeira vista, o smartphone da Multilaser passa por um iPhone X/Zenfone 5 (isso é um elogio).

Para quem é esse produto?

É um smartphone barato de entrada, com tela grande e desempenho razoável (a câmera, ao menos no modo diurno, é boa). Indico para quem precisa de um smartphone de tela grande, bonito e não quer gastar muito.

O que é legal?

Tela grande, zero intromissão da fabricante em apps (somente os do Google embarcados), vem com carregador rápido na caixa, além de capa de silicone e película protetora da tela. Não testei a autonomia da bateria, mas uma bateria de 3.400 mAH (a Multilaser diz 3.500 mAH, mas os apps de benchmarks citam 3.400; sobre Quick Charge, nada oficial no site da Multilaser, mas pelas specs, usa QC 1.0 da Qualcomm) tende a durar um dia inteiro fora da tomada- e a carga rápida ajuda também.

O que é imoral?

O MS80X tem dois detalhes na sua construção que me incomodam – um tem razão econômica, o outro é simplesmente esquisito.

O esquisito é esse botão do lado esquerdo do aparelho, junto à gaveta do SIM Card (dois SIM cards ou um + microSD): ele é um botão customizável que não faz muita diferença no uso diário do smartphone. Pode deixar como atalho para câmera, Google Assistente, captura de tela… É a versão Multilaser do inútil botão da Bixby nos Samsung.

O econômico é a adoção de uma porta microUSB para carregar o aparelho. Talvez para manter o preço na faixa desejada tenha sido uma opção – e o USB-C, padrão mais moderno e corrente, seria mais caro.

Até cheguei a suspeitar que o MS80X seria o primeiro smartphone brasileiro com o QSIP da Qualcomm pelas configurações (Snapdragon 450, Adreno 506), mas a ausência do USB-C (e uma ligação pra Qualcomm) derrubaram minha teoria.

Outro ponto negativo é a ausência de fones de ouvido na caixa.

O que mais?

O Multilaser MS80X tem uma câmera interessante para o seu valor de mercado. Suas configurações são bem simples, mas tem até um modo profissional, e o modo retrato funciona direitinho – veja exemplos mais abaixo. Só à noite que realmente a coisa encrenca (para comparação, veja essas fotos feitas ao mesmo tempo com o Galaxy Note 9).

Avaliação

7,5 (de 10). Entenda nosso sistema de avaliação

Quanto custa? Onde comprar?

O preço sugerido do Multilaser MS80X é de R$ 999.

[Multilaser]

Um comentário de mercado

A Multilaser – que é mais conhecida por acessórios informáticos – vem aos poucos crescendo no mercado de smartphones brasileiro. O dado que tenho aqui diz que já estão no incrível bolo dos fabricantes na briga do quarto lugar (na ordem: Samsung, Motorola, LG e Asus/Alcatel/Multilaser na disputa – mas somados são maiores que a LG).

O interessante é ver um smartphone de R$ 999 com tela grande mostra que a briga da famosa FAIXA DE GAZA (dos aparelhos na faixa dos R$ 1000 ou menos, onde ninguém lucra e todo mundo tenta tirar uma casquinha) está se tornando poderosa e levando a disputa mais pra cima.

Mais de uma fonte de mercado já me citou que 2019 vai ser o ano que a tal Faixa de Gaza vai migrar para o valor entre R$ 1.500-2000, já que o consumidor brasileiro, aos poucos, vai começar a querer aparelhos um pouquinho melhores. A conferir.


Sobre o autor

Henrique Martin

Henrique Martin é o fundador do ZTOP+ZUMO e da newsletter de tecnologia Interfaces. Já escreveu na PC World, PC Magazine, O Estado de São Paulo, Folha de S. Paulo e criou o ZTOP+ZUMO em 2007, referência em conteúdo original sobre tecnologia em um mundo pós-PC.

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