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Review: Motorola RAZR i

O Motorola RAZR i é o primeiro smartphone com processador Intel vendido por uma grande marca. É um telefone com chip veloz, tela grande e bons recursos, como sua câmera rápida e que tira boas fotos.

Mas, mesmo assim, a Motorola não o considera um aparelho topo de linha: é um intermediário, o que significa boa notícia para quem não quer gastar muito com um telefone poderoso.

Vale o investimento? Sim, já que seu preço sugerido é de R$ 1.299 desbloqueado. O aparelho já está à venda no mercado brasileiro, como adiantamos em setembro.

De qualquer modo, é uma manobra tardia para a Intel no mercado de smartphones, dominado pela ARM e seus parceiros, mais notadamente, Qualcomm, Apple e Samsung. A companhia norte-americana tinha uma divisão de mobilidade, vendida para a Marvell em 2006, e só agora os resultados de novos investimentos se transformam em um produto final.

A parceria com a Motorola foi anunciada em janeiro deste ano, durante a CES de Las Vegas, e as duas companhias cumprem a promessa de lançar pelo menos um produto até o final de 2012. E, mesmo com a “nova Motorola” fazendo parte do Google, esse ainda é um produto com cara da “velha Motorola”: novos produtos com intervenções mais profundas do novo dono devem surgir somente em 2013, provavelmente durante a CES, no começo de janeiro.

Outras fabricantes, como ZTE, Lenovo e Orange já lançaram telefones Android com um chip x86 da Intel em mercados específicos (Reino Unido, China, Rússia, Índia, por exemplo).

Antes de tudo, uma apresentação do aparelho em vídeo:

DESIGN E HARDWARE

O RAZR i usa um processador Atom single-core com tecnologia Hyper-threading de 2 GHz (mínimo 600 MHz), com 1 GB de RAM e 8 GB de armazenamento interno. Por conta do Hyper-threading, o Atom se comport como se tivesse dois núcleos, e o sistema identifica o hardware como tal.

O design do RAZR i segue o adotado pela família RAZR (como no novo RAZR e no RAZR MAXX), agora com bordas mais arredondadas. O destaque é a tela de 4,3 polegadas com resolução qHD (540 x 960) que cobre 70% da parte frontal do aparelho. As bordas laterais são reduzidas, dando a impressão de que você segura uma tela, não um telefone (e isso é bem legal para assistir vídeos). Não existem botões físicos na frente do aparelho, e os comandos do Android são feitos por três botões virtuais na base da tela.

A carcaça do aparelho é recoberta por uma camada de alumínio e plástico, com tudo lacrado, sem opção de remover ou trocar a bateria. Por uma questão de espaço, o alto-falante está escondido sob o logotipo da Motorola no topo do dispositivo. Ao seu lado, a câmera frontal com qualidade VGA (640 x 480). O RAZR i mede 122,5 x 60,9 x 8,3 mm e pesa 126 gramas.

Na parte traseira, a câmera de 8 megapixels com flash LED e a mesma proteção em kevlar dos demais aparelhos da linha RAZR. Ao usar o aparelho com 3G ligado por muito tempo ou com tarefas intensivas de vídeo (como jogos), a área que mais esquenta fica no centro do dispositivo, próximo ao logotipo da Motorola (mais sobre isso adiante).

Vendo o aparelho mais de perto, dá para notar o design com bordas mais arredondadas e menos angulares em comparação aos modelos anteriores. O RAZR i cabe bem na mão, apesar do tamanho da tela, e passa uma sensação de firmeza e solidez.

A Motorola aposentou o conector HDMI nesse aparelho: diz que nos modelos com esse recurso, a maioria dos consumidores não utiliza o fone ligado a um monitor (nas palavras de Jim Wicks, chefe de design da companhia).

Do lado direito, estão o disparador da câmera, o controle de volume e o botão de liga/desliga.

Do lado esquerdo, o conector microUSB para recarregar a bateria e trocar dados com o computador, além de uma portinhola que…

…ao ser aberta, esconde a entrada para o microSIM card da operadora e uma entrada para cartão microSD de até 32 GB. Na caixa do produto, veio ainda um envelope com uma curiosa ferramenta para empurrar e soltar tanto o microSIM quanto o microSD (funciona também se você tiver uma unha comprida ou um clipe de papel).

No topo, apenas a entrada para headset padrão 3,5 mm.

SOFTWARE E INTERFACE (+BUGS!)

O Motorola RAZR i chega às lojas rodando Android 4.0.4, com promessa de atualização para 4.1 “Jelly Bean” em breve (atualização: Motorola diz que sai no final deste ano, começo de 2013 no máximo). Quando peguei o aparelho para review, durante o lançamento em Londres, a Motorola informou que a versão de software não era ainda a final e que poderia ser atualizada durante o período de testes – nada demais aconteceu nesse sentido e não encontrei maiores problemas com o OS instalado.

A interface segue o padrão da Motorola em seus últimos lançamentos com Android 4: pouca interferência, nada de camadas adicionais (adeus, MotoBlur!) e um ou outro truque novo na manga, como uma tela de favoritos no menu de aplicativos.

Ou o acesso rápido a configurações do aparelho ao navegar para a tela à esquerda da principal (isso é BEM útil). Porém, a opção de inserir múltiplas e múltiplas páginas de apps iniciais continua ali (e é uma das coisas que mais me irrita em qualquer Android. Com o uso de pastas no Android 4, não é preciso ter zilhões de páginas iniciais, certo?)

Ainda na série “pequenas interferências”, a Motorola inseriu um widget novo chamado “Círculos” que traz relógio, previsão do tempo e status da bateria. Simples e funcional.

Uma questão importante ao pegar o aparelho para testes foi a da compatibilidade do processador X86 com aplicativos nativos para ARM. Não encontrei grandes problemas nisso: games como Angry Birds, Temple Run e Bad Piggies rodaram direito, assim como os principais apps de smartphone hoje (Mapas, Gmail, Twitter, Facebook, Foursquare, Instagram).

No início desta semana, o app do Facebook começou a travar (com a sugestiva mensagem de “o Facebook parou”) e não voltou mais – mas acredito que é mais por instabilidade do app do que culpa do X86.

Exceção foi o Google Chrome e o Mozilla Firefox: nos primeiros dias, não instalavam de jeito nenhum e davam uma mensagem de “pacote de arquivo inválido”. Tive que adotar o Dolphin Browser e o Opera até que o Google liberou uma atualização do Chrome para Android, que agora roda sem problemas. O Firefox continua incompatível até o momento que escrevo este review.

Outro problema fica nos players de vídeo: o RAZR i, no reprodutor nativo, reproduz arquivos AVI (até 480p) e MP4 (com som). Para ver outros formatos como MKV, o meu favorito DICE Player não funciona (por conta do X86… e ele manda baixar um codec para Tegra 3, da Nvidia). Alternativas que funcionaram: MX Player e MoboPlayer (mas nem pense em MKV 720p: até roda, mas engasga).

TELA

Não costumo entrar muito em detalhes de tela nos meus reviews, mas a do RAZR i merece uma exceção. Primeiro, por seu modo tela cheia que, na verdade, é truque de marketing: pelas bordas laterais até vale dizer que a tela preenche toda a superfície. Mas como o Android requer botões e é preciso espaço para isso..

Os três botões ocupam a parte inferior da tela (voltar, home, multitarefa) e somem quando necessário. Na prática, os apps de benchmark consideram essa tela com 888 x 540 pixels, não com 960 x 540.

E a tela é do tipo SuperAMOLED, que garante cores nítidas e brilhantes, mas usa tecnologia PenTile, que muita gente não gosta, mas que vem se tornando padrão em smartphones. Em modo macro, dá para perceber melhor – como diz um amigo, “parece que os pixels estão dançando na tela”:

Aproveitei e peguei meu HTC One S, que também tem uma tela de 4,3 polegadas, para comparar o tamanho das telas: lado a lado, o RAZR i parece um aparelho bem menor, mas a tela tem a mesma altura – descontado, claro, o espaço para os botões virtuais.

CÂMERA

A Motorola nunca conseguiu colocar câmeras incríveis nos seus smartphones – a melhor que já vi, até então, foi a do novo RAZR. Desta vez, com ajuda da Intel, eles atingiram um patamar muito interessante: a velocidade. Ao pressionar o botão de disparo, mesmo em modo de espera do telefone, com a tela desligada, a câmera é acionada bem rápido – e um dos modos de disparo inclui 10 cliques sequenciais:

 

O desempenho da câmera é bom no modo clássico para smartphones: se tem boa luz, a imagem fica boa. À noite, a situação complica um pouco. E em situações de contraluz, gera belos efeitos rosa-arroxeados estilo iPhone 5.

No modo normal:

O recurso mais interessante e que gera resultados bastante bons é o modo HDR da câmera do RAZR i. Essa aqui é uma imagem comum feita com o aparelho…

E essa é uma com HDR. A diferença de detalhes e de iluminação é incrível. Outro ponto positivo para o modo HDR é sua rapidez (de novo, graças ao processamento do aparelho): se no meu HTC One S (Qualcomm Snapdragon de 1,6 GHz, dual-core), que também tem uma câmera rápida, produzir imagens HDR requer paciência (e manter o aparelho estável por alguns segundos), no RAZR i não existe intervalo. É rápido mesmo.

Outra sem HDR:

E com HDR:

Sem HDR:

Com HDR:

E as duas imagens recortadas a 100% (nada impressionante). Para uso no Facebook, Twitter e Instagram, está mais que bom.

À noite, como previsto, os resultados são cheios de ruído:

Mia no sofá de casa, à noite, em HDR:

Mais amostras de imagens no nosso Facebook.

O RAZR i faz vídeos em 1080i, e eu não podia deixar de compartilhar a amostra abaixo (sim, a luz acende e apaga várias vezes).

 

DESEMPENHO E DURAÇÃO DA BATERIA

O RAZR i é rápido. Sim, bastante. Comparando com o RAZR MAXX (dual core 1,2 GHz) e com nossa referência Galaxy S III (quad-core 1,4 GHz), o processador Intel Atom Z2480 de 2 GHz (single-core com HT) não faz feio. Ainda apanha do quad-core, mas isso era previsível.

Resultados dos benchmarks:

No dia-a-dia, o uso do RAZR i é rápido e sem atrasos na troca de telas – e muito menos na câmera.

A bateria do RAZR i também surpreende. Com 2.000 MAh de carga, não é o monstro de duração do RAZR MAXX (3.300 MAh), mas também não deixa a desejar.

Em um dia de uso intenso (3G, GPS, e-mail, ligações, Twitter, Foursquare, Facebook, Internet, SMS, câmera), a bateria levou 12 horas para atingir o nível de 25% (e mais de uma vez repetiu esse desempenho). Lembrando que o RAZR original atingiu 30% em apenas seis horas, é uma boa bateria.

Ah sim, é um telefone também, para quem ainda usa telefone para falar, com boa qualidade de som.

E a dúvida do milhão por usar um processador Intel Atom: esquenta?

Como qualquer outro smartphone 3G atual no seu uso diário.

Se ativar o roteador Wi-Fi, por exemplo, vai esquentar mais e você sente na mão (e no ouvido) que a temperatura está um tanto acima do normal. O mesmo ocorre ao usar recursos de vídeo (jogue Temple Run por 10 minutos e vai entender do que estou falando).

Usei o Stability Test 2.5 por meia hora em testes de stress de CPU e ele indicou temperatura da bateria variando entre 30°C e 35°C. No benchmark de GPU + CPU (que envolve uso contínuo da tela), a temperatura variou entre 30°C e 38°C. Nesse caso, tem que deixar o aparelho em cima da mesa um tempinho descansando antes de colocar no bolso ou falar ao telefone.

VALE A COMPRA?

O lançamento do RAZR i é uma aposta importante da Intel no mercado de smartphones. Para a Motorola, a Intel é mais um fornecedor de peças para seus aparelhos, e a companhia diz que continua a usar chips ARM em futuros modelos.

Para a Intel – e ninguém confirma se existe um subsídio da turma de Santa Clara no valor final do smartphone – é um meio de conseguir alguma fatia de mercado a curto prazo. Como disse lá no começo, processador bom para smartphone é coisa da Samsung, Qualcomm e Apple hoje.

Vale lembrar que no mundo Windows, onde a Intel e a plataforma X86 sempre reinaram, a história começa a mudar no final deste mês com a chegada do Windows RT, compatível com processadores ARM e que será amplamente utilizada pelos fabricantes de computadores para vender tablets. Com o inimigo no seu quintal, é mais que hora de a Intel entrar (ou ao menos tentar) com força no mundo da mobilidade, onde ela está pelo menos seis anos atrasada.

E, sim, muita gente vai torcer o nariz para usar um smartphone com Android rodando plataforma X86. Para o consumidor médio, é o modo de conseguir um aparelho com desempenho de topo de linha sem precisar pagar por um deles. O RAZR i é rápido (e o número 2 GHz impressiona) e, com um bom preço, tem força para brigar na faixa de aparelhos Android entre R$ 800 e R$ 1.200. Com a bateria que tem, a câmera rápida e a tela grande-sem-ser-invasiva, o RAZR i recebe nossa recomendação de compra.

RESUMO: MOTOROLA RAZR i

ztop indica!

O que é isso? Smartphone com sistema operacional Android 4.0 e processador Intel Atom.
O que é legal? Tela grande e com boa resolução, design elegante, bom desempenho, boa câmera.
O que é imoral? Fotos noturnas, aparelho pode esquentar e incomodar.
O que mais? Recurso Smart Actions amplia os recursos do smartphone, bateria de boa duração. Tem NFC também.
Avaliação: 8,0 (de 10). Entenda nosso novo sistema de avaliação.
Preço sugerido: R$ 1.299
Onde encontrar: Motorola

Henrique Martin já escreveu na PC World, PC Mag, Folha de S. Paulo e criou o Zumo em 2007. Em 2011, o Zumo se transformou no ZTOP, referência em conteúdo original sobre tecnologia em um mundo pós-PC. Siga-o no Twitter: @henriquemartin