Hands-on: Motorola razr

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A Motorola, aos 45 minutos do segundo tempo de 2019, lançou o aparelho mais importante da marca no ano – e, porque não dizer, do mercado de smartphones com o novo razr.

Passei um tempo hoje com o telefone e estou com a mesma sensação que tive quando vi o RAZR original (um modelo todo de alumínio com o teclado cortado a laser) na redação da PC World (por volta de 2004): é muito bonito, muito fino e continuam faltando vogais no nome do smartphone.

Causa muito impacto visual: é um smartphone que cabe no bolso e expande sua tela ao ser aberto.

Dois aprendizados dessa época podem ser aplicados à atualidade também: será caro (o preço brasileiro não foi divulgado ainda, mas com o valor de US$ 1.500 nos Estados Unidos a previsão não tem como ser otimista) e tem chance de a bateria ser uma decepção mesmo com um processador um pouco mais “fraco” (Snapdragon 710, que promete grande eficiência energética, algo que um smartphone com bateria de 2.510 mAH precisa bastante).

Mas em 2004 não existia celular com carga rápida. Em 2019/2020, as tomadas de 15W (ou mais) são onipresentes no mundo Android, então bateria não necessariamente é o grande gargalo do razr novo. Meia hora na tomada, está quase cheio de novo.

O razr 2019 é um aparelho de design de ponta, não de desempenho monstruoso como os da concorrência. Não é um telefone para rodar o game mais poderoso do momento. É um aparelho para ter o básico e ser usado para aparecer. Se você não entendeu isso ainda…

O razr 2019 é um aparelho que me desperta muitas ideias e sentimentos:

  • nostalgia pela associação à marca original;
  • ostentação, a concorrer pela posição do iPhone e do Galaxy Note no mercado premium;
  • inovação relacionada a um smartphone com a última tecnologia que o torna objeto de desejo: a tela dobrável.
  • seu design finalmente nos faz fugir do formato “smartphone é uma barra retangular” iniciado pelo iPhone lá em 2007, com telas aumentando e bordas diminuindo a cada ano.

A caixa do razr

Diz a Motorola que o projeto do razr seguiu a rara lógica de desenhar primeiro e mandar os engenheiros se virarem para fazer caber os componentes ali dentro. A velha máxima de ouvir o interesse do consumidor também teve influência, com participantes citando a marca RAZR e o estranho, porém altamente verossímil, desejo de ter um flipphone em 2019 para bater o telefone na cara dos outros (dá pra fazer com segurança, respondendo a dúvidas já levantadas previamente).

Nota mental: se o RAZR ainda reverbera na mente do consumidor,
imagina a marca Nokia.

O projeto inicial começou no escritório de design da Motorola Brasil e se expandiu – nos mais de 30 protótipos criados – para ser um projeto global, envolvendo a turma de design de Chicago (sede da empresa nos EUA) e engenheiros de tela da Lenovo na China (lembrando que a Lenovo já tinha mostrado protótipos de aparelhos com telas dobráveis em 2016). No fim das contas, o razr 2019 é uma releitura do RAZR 2004, não uma cópia.

Vale notar que é o retorno da Motorola aos smartphones premium – já que a linha modular Moto Z pelo visto seguiu o caminho da extinção. Os executivos da marca seguem dizendo que o Brasil é mercado prioritário (seis anos na segunda posição atrás da Samsung, com 25% de market share este ano), e a estratégia inclui o lançamento do razr novo em janeiro de 2020, com fabricação local em Jaguariúna (interior de SP).

O cuidado com o design do aparelho começa com a caixa: é monólito quadrangular em plástico…

… que esconde o razr e seus acessórios e também serve como um amplificador improvisado.

A caixa de acessórios é um destaque da experiência: toda em tecido…

Guarda o fone USB-C (desenvolvido em parceria com a Denon), o cabo USB-C em tecido, o carregador TurboPower e, milagre entre fabricantes de aparelhos sem conector padrão 3,5 mm, traz um adaptador para fones convencionais.

O razr fechado

O razr 2019 fechado cabe na mão. Cabe no bolso da calça jeans e sobra espaço (!). E vem cheio de pequenos truques.

Na frente, o razr traz uma tela externa de 2,7 polegadas sensível ao toque chamada de QuickView que serve para mostrar o relógio, controlar música, ver notificações (e responder WhatsApp falando, transcrito em tempo real para texto), tirar selfies com a câmera principal e até mesmo falar ao telefone (e não é viva-voz, olha que legal).

Atrás do aparelho, nada demais: só a marca da Motorola, do razr e um acabamento texturizado. Por enquanto o razr existe apenas em preto, mas é um tanto óbvio se não lançarem em 2020 novas cores.

Na base da tela está o famoso “queixo” do razr, onde estão as antenas e grande parte dos circuitos do telefone na parte interna e o leitor de impressões digitais na sua base externa.

Embaixo, o conector USB-C. Note que não existe bandeja para SIM card de operadora: o razr usa um eSIM e a Motorola diz que “as quatro operadoras estão prontas para atender ao comprador de razr em 2020”. A conferir.

Em cima vemos a proteção da dobradura da tela

E no lado direito, os botões de liga-desliga e controle de volume, muito pequenos e discretos que são até difíceis de enxergar.

Mas aqui dá pra ver melhor:

Dos aparelhos em demonstração, apenas um estava com eSIM habilitado. Pedi para tirar umas fotos do razr fechado mostrando notificações e chamadas:

Clique no ícone do app e aparece a notificação.
Recebendo uma chamada
Respondendo ao ZAP com comando de voz.

O razr retrô

A Motorola colocou no painel de controle do Android uma opção retrô, que ativa o “telefone” RAZR original, com o mesmo (e horrível) teclado T9 e visual “cortado a laser”, com direito a animação e sons. E se discar um número, ele abre o discador do Android (!). É o típico recurso para impressionar os amigos.

Fotos de família: Primeiro o StarTAC, Motorola RAZR, Motorola razr.

E só o RAZR ao lado do novo razr:

O razr aberto

Abrir o Motorola razr é uma viagem no tempo. O aparelho roda Android 9 e traz uma tela de 6,2 polegadas que ocupa grande parte do interior do aparelho, com bordas bem grossas e um notch/entalhe que, pela primeira vez na vida, achei charmoso – faz parte da identidade do telefone.

Aqui a tela pOLED (ou….OLED plástico) diz a que veio e tem algo que nenhum fabricante de smartphone dobrável (seja Samsung, Huawei, Motorola ou os protótipos da TCL) conseguiu resolver: como o nome diz, é plástico. O brilho não é tão forte – tem um pouco da sensação de que é uma tela de brinquedo, mas não é.

Ponto pra Motorola de novo ao optar pelo design mais compacto, que passa menos essa impressão – e por conseguir criar um aparelho sem vinco visível na tela (mais sobre isso adiante), que é a principal falha da Samsung e da Huawei (pelo pouco que vi dos aparelhos dessas marcas).

Aberto, é um Android convencional com um “queixo” grande embaixo. A proporção de tela 21:9 é a mesma do Moto One Vision e do Moto One Action, então alguns vídeos no YouTube podem sair cortados, mas não é um problema.

Aberto, o razr tem apenas 6,9mm de espessura. Será que passa embaixo de portas como o RAZR original?

O topo da tela tem um pequeno entalhe com o alto-falante interno e a câmera de selfies de 5 megapixels.

A câmera traseira de 16 megapixels usa um truque divertido com as duas telas: a interna mostra o visor da câmera…

E a externa, carinhas simpáticas para fazer a pessoa do outro lado da lente dar um sorriso.

A tela dobrável do razr

A dobradiça/sistema de fechamento do aparelho desenvolvida pela Motorola se chama Zero Gap e, teoricamente…

…evita o problema do vinco na tela ao usar engrenagens que abaixam e sobem uma estrutura embaixo da tela, deixando ela rígida ao abrir o aparelho e folgada (bastante, por sinal) ao ser fechada.

Essa “sobra” de tela é perceptível quando se dobra o aparelho. De novo, parabéns pros engenheiros que criaram essa solução muito elegante.

E vendo de perto a dobradiça, é possível perceber as engrenagens do “zero gap”.

E se seu telefone te deixar entediado, você pode brincar com ele na mesa:

[Motorola]

Sobre o autor

Henrique Martin

Henrique Martin é o fundador do ZTOP+ZUMO e da newsletter de tecnologia Interfaces. Já escreveu na PC World, PC Magazine, O Estado de São Paulo, Folha de S. Paulo e criou o ZTOP+ZUMO em 2007, referência em conteúdo original sobre tecnologia em um mundo pós-PC.

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