Motorola libera Android 2.2.1 para Milestone brasileiro

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Acabou de subir no site oficial da Motorola Brasil o esperado update do sistema operacional Android. E não é que ela cumpriu à risca o prometido?


Depois da tempestade de fúria flamejante dos usuários, o update chegou ao Brasil. E apenas nove dias depois da Europa.

Com a versão 2.2, o Milestone fica bem mais esperto, tem o consumo de bateria sensivelmente diminuído e fica em patamar de igualdade com a esmagadora maioria dos aparelhos vendidos no mercado mundial. Ele rodará o novo Gmail, o novo YouTube e outras belezinhas, como planos de fundo animados e widgets, que não rodavam no 2.1.

Aguardamos a resposta da Motorola Brasil para saber se o update funciona também para os aparelhos comprados junto às operadoras.

Com a atualização, o Milestone se torna o smartphone mais matador do mercado no aspecto custo-benefício. Não é difícil achar o aparelho desbloqueado por menos de R$ 900.

Como fazer o update:

É só ir ao site da Motorola e baixar o programinha de atualização, depois de escolher a operadora (ou no caso de aparelhos sem vínculo, a versão retail) e mandar ver no download. Depois que o programa é instalado, um tutorial conduz a operação. Lembre-se de fazer backup do que está estocado na memória interna do telefone, pois o update só poupa o que está gravado no cartão SD.

E vale comprar agora um smartphone que está à venda desde dezembro de 2009?

Em tempo: o Motorola Defy será atualizado também para Android 2.2, informa a Motorola. Não tem data definida ainda.

Um ano com o Milestone

Meu Milestone vai completar um ano de uso e foi a melhor experiência que já tive com um smartphone.

Eu levei o coitadinho ao limite máximo. Primeiro, fiquei uns meses me acostumando com ele, usando o sistema original (peguei quando o update para Android 2.1 havia acabado de sair). O primeiro impacto foi com o hardware. Ele é parrudo, feito para durar. Nada de plastiquinho mixo (que era o padrão dos Androids na época), o negócio é metal mesmo. E o poderoso Gorilla Glass, que inacreditavelmente aguentou todas as agressões do meu bolso/chaves/mochila.

Depois de um tempo, comecei a me aventurar pelo Android e fiquei fã. O Milestone é um dos poucos aparelhos da Motorola no mercado com relativa facilidade de hackear. É claro, a prática não é recomendada, mas eu precisava ver o que o bichinho era capaz. Fiz root e daí um novo mundo se abriu. usei um monte de versões experimentais do Android, coloquei a função de modem nele – que agora está na versão 2.2 – e me diverti horrores mexendo no pequeno cérebro eletrônico dele.

Tive que mudar a versão do Android principalmente pela limitação de uso de aplicativos. A memória do Milestone não aguenta um monte de coisas – é o suficiente para seres normais, mas uma aberração geek como eu precisava de muito mais -, mas agora no 2.2, os apps podem ser instalados direto no cartão de memória. Depois disso, espetei um SD de 16 GB e nunca mais passei aperto por falta de memória. Mesmo pendrives, nunca mais precisei usar pois o Milestone serve bem na maioria dos casos. É só carregar um cabinho e ele vira uma unidade de armazenamento bem decente.

O Milestone também enterrou minha necessidade de um aparelho de navegação GPS. A antena dele é boa e no começo tinha bons navegadores, como o Motonav, que davam uma surra no meu aparelho GPS, que ficou com a esposa. Depois que a navegação pelo Google Maps foi liberada, nunca mais precisei usar nenhum outro programa. Mesmo usando a rede 2G (para economizar bateria), o navegador do Google resolve super bem.

A bateria do Milestone é meio chata. Em uso hardcore, com bluetooth, GPS e 3G ligados, ela dura umas 4 horas. Depois que descobri o truque de usar a rede Edge na maioria do tempo e só habilitar o 3G quando precisava navegar para valer, a bateria esticou para 5:30 de uso. No começo fiquei meio chateado, mas depois de ver o quanto a bateria dos outros Androids durava, fiquei menos preocupado pois estava na média. Antes do Milestone sempre usei Windows Mobile (é, eu acreditei. Coisas de viúva do Windows CE) e a bateria durava umas 3:30 no máximo.

Mas o smartphone maravilha da Motorola não passou incólume por esse período. Ele vivia no bolso, e depois de 9 meses de agressão uma parte pequena do lado direito da tela parou de funcionar. Inclusive, antes da garantia acabar, vou levá-lo para resolver esse probleminha. O teclado deu uma engasgada semana passada, mas isso também se resolve na assistência técnica. Ele está meio raladinho na moldura da tela, mas o vidro nunca ficou riscado. Aliás, só vi um Gorilla Glass riscado depois de ser esmagado em uma máquina de costura industrial – minha irmã fez a proeza com um Defy – e ainda assim foi só na parte de fora da tela.

A bateria foi bem cuidada e ainda segura super bem a carga. É claro, precisa sempre de uma carguinha durante o dia, mas só se eu estiver agredindo o 3G. Ah, um lance bacana: a carga é bem rápida, em 1:30 ou no máximo 2:00 com o aparelho espetado no carregador de parede ou no veicular, que vem na caixa, consigo carga máxima.

O Milestone também se revelou um fenomenal aparelho multimídia. Jogo um monte de games nele, inclusive muitos clássicos dos videogames que tinha em versão original. Com o Game Gripper, o Milestone se transforma no melhor smartphone Android para games que temos hoje em dia. E ainda assisti a qualquer vídeo em definição padrão usando o RockPlayer (disponível no Android Market). Sem reconverter, sem esperar um minuto. É baixar e rodar. E isso só acontece por causa da GPU do Milestone.

O balanço do ano com o Milestone foi muito positivo. Ele sobreviveu muito bem ao período, deu uns probleminhas, mas nada fora do normal. E como eles serão consertados dentro da garantia, ninguém saiu ferido. Se eu recomendo? Com certeza. E falando com muita sinceridade, achei que nunca mais ia usar um Motorola depois de 3 aparelhos ruins que usei de 2000 a 2002.

Então, agora que saiu o Android 2.2, se você achar o Milestone por um preço bacana, pode comprar sem medo. Ele vale cada centavo, e com o dinheiro que você economizar, faça uma reserva para o ano que vem. Teremos um caminhão de novos aparelhos nas lojas que justificarão a troca. Com o que temos hoje nas lojas, só um ou outro é melhor que o Milestone, e ainda assim custam bem mais caro.

 

Sobre o autor

Jô Auricchio, editor convidado

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