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Com Moto G, Motorola eleva o nível do “primeiro smartphone”

O Moto G, anunciado hoje em São Paulo, marca a reinvenção da roda dentro da Motorola em busca do público que procura seu primeiro smartphone. Saem os modelos com entrada para dois chips com configurações básicas, entra uma linha nova de produtos que, por acaso, também tem dois chips – e um custo/benefício muito atraente.

“Estamos investindo na franquia Moto, que ninguém conhecia até poucos meses atrás”, comentou Dennis Woodside, CEO da Motorola, em uma conversa em grupo após o lançamento do Moto G (veja as diferenças entre Moto X e Moto G).

A afirmação veio depois de eu perguntar sobre a venda (boa? ruim?) de Moto X desde o lançamento (tem uma análise boa em inglês sobre números não-confirmados no Unwired View).

“O histórico da indústria de smartphones segue um padrão, e uma marca leva tempo para ser reconhecida. Os produtos Moto (G e X) não são únicos, mas um investimento ao longo do tempo”, afirmou. “Não posso confirmar números de vendas, mas consigo dizer que estamos aqui para o longo prazo”.

Woodside, porém, tomou uma posição polêmica (e louvável) para dizer quem é o público-alvo do Moto G durante sua apresentação. Consumidores  que buscam seu primeiro telefone e acabam caindo em dispositivos mais antigos, com tela menor, configurações ruins e sem capacidade de atualização de software (caso rodem Android). Gente que é, além de tudo, sensível ao preço.

Um exemplo foi o Samsung Galaxy Fame (tela de 3,5″, 512 MB de RAM, 4 GB internos), outro foi o iPhone 4, “com tela de 3,5″ e com mais de 3 anos de idade”.

O Moto G tem tela grande (4,5″ HD), mais espaço interno (8/16 GB), um processador quad-core básico de última geração (e com software altamente otimizado pela Motorola para melhor desempenho) e câmera de 5 megapixels, além de 1 GB de RAM. E Android 4.3, com atualização já em janeiro para Android 4.4 (lembrei agora que a tela tem proteção com Gorilla Glass).

Talvez a única grande reclamação do comprador seja o uso de microSIM cards (no lugar de SIM cards tradicionais) e a ausência de um slot de expansão de armazenamento com cartões microSD (mas, por outro lado, estarão disponíveis 65 GB no Google Drive).

Dennis Woodside, CEO da Motorola

O Moto G, com suas configurações, chega com diversas opções. Só o telefone, com 8 GB/1 SIM card, é vendido desbloqueado pelo preço sugerido de R$ 649. Em uma versão dual-SIM com 16 GB internos e três capas coloridas adicionais, sai pelo preço sugerido de R$ 799. E uma versão chamada Moto G Music Edition sai por R$ 999 (só em dezembro) com 16 GB e fones de ouvido Bluetooth da SOL Republic.

Para mim, o Moto G – que, diferente do Moto X, será vendido na Europa e outros mercados também – vai em busca do consumidor que quer gastar pouco e ter uma boa experiência de uso com seu smartphone.

Vai bater de frente com os Nokia Asha (que ainda estão em outra faixa menor de preço), com os Windows Phone mais baratos (Nokia Lumia 520) e os pobres Androids com 512 MB de RAM (LG, Samsung, Huawei, ZTE, Gradiente, Positivo, CCE e mais qualquer um que tenha smartphones de entrada com Android 4x). É mesmo uma corrida de longo prazo – ou uma grande maratona.

Vale sempre lembrar que não compensa (mesmo, nunca) comprar qualquer Android com 512 MB de RAM. É dor de cabeça na certa.

Woodside também respondeu minha pergunta sobre como é a influência do Google nos processos da Motorola. Apesar de reafirmar que as duas operações são distintas, o CEO disse que o Google provê coisas essenciais para a Motorola: “Dinheiro para investir, para poder pensar grande em uma missão de longo prazo e criar uma estratégia de produtos globais, como o Moto G”.

E o Brasil nisso? “Eu conheço o Brasil faz tempo, já que vim várias vezes para cá quando trabalhava para o Google. A Motorola está há décadas aqui, e é nosso segundo mercado mais importante depois dos Estados Unidos. Então faz mais sentido lançar um produto como o Moto G aqui do que na Califórnia, por exemplo”, disse.

Sobre o futuro da Motorola e do mercado de smartphones, algumas previsões interessantes feitas por Woodside. Primeiro, questionei sobre a evolução dos foblets, smartphones de tela grande.

“Estamos observando muito esse mercado de telas e tamanhos. As formas estão mudando, vêm aí as telas plásticas e com dobras em torno das bordas, que vão quebrar menos. Também acredito que existe a oportunidade dos relógios, veja os relógios inteligentes surgindo já. Tudo que está em um celular pode estar em um foblet, e quando o custo começar a cair, as pessoas vão ter mais de um dispositivo no bolso”.

E em cinco anos? “No Brasil, a maioria das pessoas vai ter smartphones, conectadas constantemente. E tablets, smartphones, vestíveis vão falar uns com ooutro. O Android cria uma grande oportunidade para isso acontecer”, concluiu.

Outra comparação interessante durante a apresentação do Moto G foi feita por Punit Sony, gerente de software de produto da Motorola, que mostrou números internos da companhia que comparam o Moto G (Snapdragon 400, 1,2 GHz quad-core) com o Samsung Galaxy S4 (Snapdragon 600, 1,9 GHz quad-core). Não me surpreendo se os resultados nos testes forem rápidos quanto os do Moto X (leia o review).

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Depois, em uma mesa redonda, Punit Sony (foto acima) disse que “o Moto G não tem mágica. Botamos foco nos recursos do produto: desempenho, tela, duração da bateria, estável, com grandes números para sua categoria”.

Ah sim, de nada adianta ter configurações bacanas e um preço atraente se o público não souber disso. Mínimo esperar uma campanha massiva de marketing da Motorola nas próximas semanas.

Já estou com uma unidade do Moto G, com publicação do review prevista para a próxima semana.

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Bônus track: os sapatos e meias coloridas estilo “Silicon Valley” de Dennis Woodside, CEO da Motorola. Dá pra ver que muita coisa mudou desde os tempos do saudoso Ed Zander 🙂

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Henrique Martin já escreveu na PC World, PC Mag, Folha de S. Paulo e criou o Zumo em 2007. Em 2011, o Zumo se transformou no ZTOP, referência em conteúdo original sobre tecnologia em um mundo pós-PC. Siga-o no Twitter: @henriquemartin