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Review: Moto Edge+

Moto Edge+ marca a volta da Motorola aos aparelhos topo de linha (o razr não conta, pois é um dobrável). É um smartphone com coisas incríveis para um telefone premium e outras que não são tão premium assim. E é compatível com redes 5G, algo meio inútil para o Brasil por enquanto.

Moto Edge+: o que importa?

  • É o primeiro aparelho topo de linha da Motorola desde a linha modular Moto Z, de 2016. Desde então, o foco da marca tem sido as linhas intermediárias e de entrada (Moto G, Moto One)
  • No final do ano passado, a Motorola anunciou o novo razr, modelo dobrável que começou a ser vendido antes da pandemia – e meio que ninguém viu o aparelho no mundo selvagem ainda.
  • O Edge+ e o Edge são os dois modelos da linha premium da marca. E pela primeira vez em anos, as linhas Samsung Galaxy S/Note e, por que não, os iPhones 11 Pro, têm algum tipo de concorrência na gama alta.
  • Eu compraria um? Sim, pelo hardware, mas não pela câmera. As configurações do Edge+ são incríveis, a tela é uma delícia de usar e é um smartphone com acabamento incrível.
  • A câmera segue, porém, o velho padrão Motorola de produzir imagens irregulares (algumas muito boas, outras nem tanto) somado ao fato de ninguém (eu disse ninguém) saber usar direito os 108 megapixels. Além, claro, do pessoal marketing que vende o número alto como câmera de muita resolução.

Design, especificações

A tela OLED do Moto Edge+, na proporção 21:9, deixa o aparelho fino e comprido, com uma pegada boa nas mãos. A tela tem 6,7 polegadas (resolução FHD+ e compatível com HDR10+) e taxa de atualização de 90Hz. É menos que os 120 Hz do Galaxy S20 Ultra, mas deixa transições e vídeos uma delícia de ver. Tudo fica mais fluido e veloz.

A tela tem as bordas laterais curvadas, trazendo a Motorola para um mundo que a concorrência explora desde 2014 (Samsung Galaxy Note Edge), e com bordas mínimas em cima e embaixo da tela.

A câmera frontal é do tipo “furo” e fica discreta no canto esquerdo do display.

Por dentro, o Edge+ conta com um chipset Qualcomm Snapdragon 865,, 12 GB de RAM e 256 GB de armazenamento interno, não aceita cartões de memória externos nem múltiplos SIM cards (só um). O aparelho é compatível com o novo Wi-Fi 6.

O Snapdragon 865, vale lembrar, é compatível com redes 5G, mas não com o serviço 5G DSS anunciado pela Claro junto ao anúncio do Moto Edge (é confuso, eu sei: o aparelho mais caro, Edge+, não funciona no serviço 5G DSS que funciona em meia dúzia de bairros ricos de SP e RJ. Só o menos caro funciona, o Moto Edge. Culpe a Qualcomm nessa).

Veio com Android 10, poucos apps externos (basicamente o pacote Google, como sempre).

E uma nova interface chamada MyUX, cheia de gestos nas bordas e nas laterais da tela. É fácil e simples de usar. A parte mais visível da MyUX é essa barrinha de atalhos que pode ser puxada do canto, com atalhos que podem ser personalizados…

Os clássicos atalhos da Motorola, como chacoalhar o aparelho para ativar a câmera ou a lanterna, seguem por lá. Muita coisa do aparelho é customizável pelo app Moto:

Incluindo a animação usada na área do sensor de impressão digital embaixo da tela:

Em cima, o Moto Edge+ vem com uma entrada para fone de ouvido, algo positivo em um mundo em que os fones 3,5 mm estão sendo extintos pelos fabricantes.

Embaixo, a gaveta do SIM card e o conector USB-C. Descobri só depois de ver a foto editada que as marcações de IMEI e modelo da Anatel estão ali também.

Na lateral direita, o botão de liga/desliga e o controle de volume:

Na base da tela, o leitor de impressões digitais, bem rápido.

Atrás, as câmeras e o logotipo da Motorola.

Câmeras

O Moto Edge+ tem três câmeras: uma principal de 108 megapixels (que acabam sendo 16 megapixels na prática) que também tira fotos em zoom de 3x (a 8 megapixels), uma grande angular de 16 megapixels que também funciona como lente macro e um sensor de profundidade.

O desempenho da câmera de 108 megapixels (usando o padrão de 16 mp) é mediano para bom. É melhor que outras câmeras da Motorola, mas acredito que é a clássica câmera que precisa de iluminação perfeita para bons resultados. De dia, OK – incluindo macros, fotos com HDR automático e fundos desfocados (as fotos do review do Powerbeats foram feitas com o Edge+).

Algumas fotos, porém, me pareceram lavadas ou com foco muito difícil. Entra aqui o meu questionamento sobre os 108 megapixels: ele está lá, vai gerar arquivos enormes (18+ megabytes), sem muito pós-processamento ou recursos de IA para melhorar a imagem. Vale a pena? Prefiro deixar no modo automático mesmo.

Outras incríveis e cheias de detalhes (o modo retrato para selfies é ótimo):

À noite, o resultado é bom também – não excepcional nível Huawei P30 Pro, porém.

Acessórios na caixa

O Moto Edge+ vem com uma capinha plástica daquelas que ficam amarelas com o tempo e você vai tentar fazer os tutoriais do TikTok para deixar limpa, mas não vai ficar. Para um produto premium, pareceu meio pedestre a escolha do plástico transparente – poderia ser couro, plástico colorido reforçado, algo que tirasse a cara de Moto G do acessório. É um produto com preço sugerido de R$ 7.999, afinal.

O aparelho vem com um carregador Turbo Power de 18W, cabo USB-C e fones de ouvido/microfone bem simples. De novo, por ser um produto caro, poderia ter ao menos fones melhorzinhos (como os do razr). O telefone é compatível com carregamento sem fios também.

Vale lembrar que a gaveta para SIM card do Moto Edge+ permite apenas um cartão. E vem protegido por um pedaço de plástico bem chato de tirar.

Bateria, desempenho

Mais um review de quarentena sem usar o smartphone na rua. Mas com bateria de 5.000 mAH, difícil demais acabar a carga durante um dia (42-47% em média). Com configuração avançada, chipset de última geração e RAM para burro, o Edge+ é um foguete no desempenho. Vai rápido em games, não trava nas tarefas do dia-a-dia e até mesmo no pós-processamento da câmera (um problema em Moto G, por exemplo) parece que nada aconteceu: clicou e pronto. Ponto para a Motorola nesse quesito: em desempenho, o Moto Edge+ é excelente.

Moto Edge+: resumo

O que é isso? smartphone Android topo de linha
O que eu gostei? design lindo, tela incrível, desempenho veloz e furioso
O que eu não gostei? câmera tende a deixar imagens lavadas,  capa e fone poderiam ser mais premium. O 5G é golpe de marketing – até termos redes compatíveis no Brasil, o aparelho estará obsoleto.
Algo mais? compatível com carregamento sem fios (anos depois do Moto Maxx)
Avaliação: 8,5 (de 10). Entenda nosso sistema de avaliação.
Preço sugerido: R$ 7.999 (preço pode ser menor no varejo)
Onde encontrar: Motorola

Sobre o autor

Henrique Martin

Henrique Martin é o criador do ZTOP e da newsletter de tecnologia Interfaces. Já escreveu na PC World, PC Magazine, O Estado de São Paulo, Folha de S. Paulo e criou o ZTOP em 2007, referência em conteúdo original sobre tecnologia em um mundo pós-PC.

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