Moto Edge+ chega ao Brasil, pronto para 5G (mais ou menos)

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A Motorola lança hoje (02) os smartphones Moto Edge+ e Moto Edge no mercado brasileiro. É a volta da marca ao mercado super premium, tentando criar alguma concorrência para Apple e Samsung na faixa mais alta de preço.

O mais curioso do anúncio? A Claro anuncia hoje também uma rede 5G (mesmo sem termos frequências leiloadas ainda), mas ela é compatível apenas com o Moto Edge, com processador Qualcomm 765 (confuso? eu também estou).

Moto Edge+

Fabricado no Brasil, o Motorola Edge+ vem com processador Qualcomm Snapdragon 865 (chipset com 5G que não funciona na rede da Claro, mais sobre isso no final deste texto), 12 GB de RAM e 256 GB de armazenamento interno. Tem preço sugerido de R$ 7.999 e virá apenas na cor Thunder Grey, que tem um acabamento muito elegante.

Os lançamentos da Motorola entram em pré-venda hoje (2) até 13 de julho – quem comprar leva de brinde um par de fones sem fio Motorola VerveBuds 100 (preço sugerido no varejo dos fones: R$ 349).

É o Motorola mais bonito dos últimos tempos (exceção, claro, feita ao dobrável razr), com uma tela OLED na proporção 21:9, curvada nas bordas de 6,7 polegadas (compatível com HDR10+, resolução FHD+) e taxa de atualização de 90Hz. Tem som estéreo (com direito a entrada para fones de ouvido padrão) e bateria grande de 5.000 mAH. O sensor de digitais é integrado à tela e o aparelho tem conectividade Wi-Fi 6.

Sua câmera também tem uma configuração interessante, com um sensor de 108 megapixels na lente principal (fotos podem ser feitas na resolução máxima, o que não é aconselhável para tudo como no Galaxy S20 Ultra), mais um zoom bem decente de 3x com 8 megapixels de resolução e uma grande angular com recurso Macro Vision de 16 megapixels (já estou com o aparelho e empolgado com algumas fotos, nem tanto com outras).

Completam o conjunto um sensor Time of Flight para profundidade e um flash LED. A câmera frontal é de 25 megapixels.

O Moto Edge+ já vem com Android 10 instalado e conta com um novo pacote de software chamado My UX, com gestos nas bordas e notificações nas laterais. E é o primeiro smartphone da Motorola em anos a ser compatível apenas com um SIM card de operadora.

Moto Edge

O Motorola Edge é a “versão de entrada” do Edge+ com alguns recursos a menos. A tela e o som são os mesmos, mas o aparelho vem com plataforma Snapdragon 765, 6 GB de RAM/128 GB de armazenamento (expansível com cartões microSD), bateria de 4.500 mAH e câmera principal de 64 megapixels.

moto edge

Vem nas cores Solar Black e Midnight Red e começa a ser vendido pelo valor sugerido de R$ 5.499. [Motorola]

E o 5G?

Perguntei para a Motorola sobre a questão do 5G e, bem, a resposta foi que “a experiência do Edge não é o 5G, mas sim os elementos entregues no dispositivo, como a tela imersiva, o áudio, a câmera e a velocidade do aparelho”. O Edge+ é compatível com redes Sub6, que a Motorola diz esperar funcionar na banda habilitada no Brasil (em algum momento de 2021, se o leilão sair).

Só que a Claro, aproveitando o anúncio dos Edge/Edge+, disse também que vai implantar a tecnologia 5G DSS na sua rede, usando frequências já alocadas no Serviço Móvel Pessoal.

DSS significa Compartilhamento Dinâmico de Espectro e, na prática, é uma gambiarra que permite implementar o 5G (que ainda não existe por aqui porque o Governo Federal ainda não fez os leilões das frequências, já deveria ter feito e ficou para 2021) usando as mesmas frequências do 4G ao mesmo tempo, na mesma banda. Nos EUA, a AT&T já usa a mesma tecnologia para agilizar o 5G para os consumidores.

Segundo a Claro, “os clientes que adquirirem smartphones aptos já poderão ter as primeiras experiências com a tecnologia 5G, com conexões 12 vezes mais velozes que o 4G convencional”. Mas a operadora não disse ainda preço do serviço para os assinantes nem se vai precisar de um novo SIM card para utilizar o “5G Brasileiro”. É uma linda jogada de marketing da operadora: ganha a Claro por ser a “primeira com 5G”, ganham os parceiros de rede e infra-estrutura, que marcam no mapa-múndi “5G no Brasil”.

Só tem um problema no anúncio da Claro e da Motorola: o 5G DSS só é compatível com o Moto Edge, o modelo mais “barato” dos dois. Apenas a plataforma Qualcomm Snapdragon 765 é compatível com DSS, já que tem modem 5G integrado ao chipset. Argh. Mas é um começo.

Os parceiros da Claro no projeto, além da Motorola, são a Qualcomm (meio óbvio) e a Ericsson, que fornece a infra-estrutura de rede. Um teste inicial foi feito no já distante fevereiro deste ano e vale lembrar que, apesar da maior velocidade da rede (o maior “atrativo perceptível do 5G” para um consumidor leigo), ficam de fora outros itens importantes do 5G, como menor latência de rede (essencial, no caso do consumidor, para melhor experiência em games online), ou qualquer menção a internet das coisas, computação em borda, carros autônomos, smart cities e por aí vai – que são a “revolução”, digamos assim, de verdade do 5G.

Velocidade no 5G é apenas para vender serviço mais caro para o consumidor, como foi com o 3G e 4G. Nunca vou esquecer o dia que consegui fazer minha primeira video-chamada com o Nokia N95.

Vale notar que a própria Claro cita, no seu comunicado de imprensa, que “a jornada rumo à solução definitiva e esperada do 5G, portanto, será longa e ainda vai requerer muito investimento, trabalho e tempo para implantação em todo o país“. Essa história vai longe, Claro. Vai longe.

Moral da história

Se você quer um smartphone super-premium da Motorola, o Moto Edge+ é o seu caminho ideal, com câmera de 108 megapixels, RAM e armazenamento interno enormes.

Mas se você quer um smartphone super-premium da Motorola com 5G (mais ou menos) que funciona no Brasil, tem que escolher o Moto Edge, que é quase igual ao Edge+, com câmera mais simples e menos RAM/armazenamento. Pelo menos é mais barato.  ¯\_(ツ)_/¯

Sobre o autor

Henrique Martin

Henrique Martin é o criador do ZTOP e da newsletter de tecnologia Interfaces. Já escreveu na PC World, PC Magazine, O Estado de São Paulo, Folha de S. Paulo e criou o ZTOP em 2007, referência em conteúdo original sobre tecnologia em um mundo pós-PC.

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