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Hands-on: Monitor LCD Philips Brilliance 288P Ultra HD

Monitor 4K de 28 polegadas da Philips é um equipamento bem interessante, com recursos voltados para o que realmente interessa e sem apelar para muita frescura.

Com o padrão de tela Full HD (1.920 x 1.080 pixels) já bem estabelecido no mercado e a tecnologia 3D meio que perdida numa crise existencial, muitos fabricantes de TVs e monitores já partiram para o próximo salto tecnológico: os modelos com resolução 4K. Um dos primeiros a chegar ao mercado brasileiro é o monitor Philips Brilliance 288P Ultra HD (modelo 288P6LJEB/57):

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Como já explicamos em um post anterior, a resolução desses monitores não chega a ser realmente 4K (4.096 x 2.160 pixels) e sim 3.840 x 2.160 pixels (256 pixels a menos na largura) o que, em termos práticos, não faz muita falta. Mas, por causa disso, muitas empresas classificam esse tipo de produto como Ultra HD ou UHD usando moderadamente o termo 4K apenas nas suas campanhas de divulgação.

Tecnicamente falando, o Brilliance 288P vem equipado com um painel LCD-LED com tecnologia IPS de 28 polegadas com área de visão de aproximadamente 62,1 x 34,1 cm (LxA) no formato de tela de 16:9.

Sua resolução nativa é de 3.840 x 2.160 a 60Hz e seu tempo de resposta típico é de 5 ms, mas pode cair para 1 ms graças ao uso da tecnologia SmartResponse. Seu brilho máximo chega a 300 cd/m² e o nível de contraste varia de 1.000:1 (típico) até 50.000.000:1 por meio da tecnologia SmartContrast. Só o monitor mede aproximadamente 65,9 x 39,5 x 4,9 cm (LxAxP) e 5,24 kg de peso ou 65,9 x 57,3 x 27,3 cm e 8,04 kg de peso com sua base instalada:

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O pacote que recebemos para testes veio com o monitor e sua base, CD de drivers/utiliários, guia de instalação rápida e diversos cabos de energia, som e vídeo:

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Segundo a fabricante, o seu consumo de energia é de 50,5 watts (segundo o método do Energy Star 6.0) no modo normal, 41 watts no chamado modo ECO e 0,5 watt no modo stand-by e zero watt se desligarmos sua chave geral (mais sobre isso abaixo). Curiosamemente, o modelo que recebemos para testes veio com um selo europeu de eficiência energética, parecido com aqueles que temos aqui no Brasil:

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Na base da tela, existe outro selo que apresenta os principais atrativos desse modelo:

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Uma característica bem interessante desse monitor é que ele ainda possui entradas de vídeo para praticamente todos os padrões que ainda circulam no mercado: A partir da esquerda vemos uma porta DVI Dual Link (digital, HDCP), MHL-HDMI (digital, HDCP), DisplayPort 1.2, SVGA (analógico), uma saída de som para fone de ouvido (preto) e uma entrada de som do PC (verde) sendo que este último é usado normalmente em conjunto com as entradas SVGA e DVI já que nessas interfaces não trafega som.

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Para quem não sabe, a tecnologia MHL-HDMI é uma interface que permite conectar um dispositivo móvel compatível (smartphone ou tablet) diretamente no monitor na porta HDMI por meio de um cabo compatível, permitindo assim reproduzir conteúdo de áudio/vídeo diretamente na tela do Brilliance 288P (mais detalhes aqui).

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Fora isso, esse monitor ainda conta com um Hub USB 3.0 na sua lateral direita, onde o usuário pode conectar diversos dispositivos USB 2.0, 3.0 sendo que um deles é do tipo “Powered”, mais indicado para recarregar dispositivos móveis como tablet e smartphones. Outra sacada bem legal desse produto é que ele possui um botão físico de liga/desliga, o que garante consumo zero de energia quando não estiver em uso.

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Já a saída dos alto-falantes (2x 3 watts cada) estão montadas na base da tela numa posição meio oculta. Também note que tanto a entrada de força quanto as de som/vídeo estão voltadas para baixo, o que até pode ser um inconveniente na hora de conectar os cabos…

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… se não fosse pela flexibilidade da sua base de sustentação — batizada de SmartErgoBase — que permite diversos movimentos e ajustes…

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… como de altura que pode subir ou descer até 15 cm…

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… girar na base até 65° para ambos os lados…

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… e é claro girar a tela até 90° na vertical, permitindo assim que ele trabalhe no modo retrato (portrait):

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Fora isso, essa base possui uma abertura oval que pode ser usada para organizar os cabos que são ligados ao monitor.

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Para permitir todo esse show de contorcionismo, essa base é montada sob uma sólida estrutura de metal…

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…recoberta com uma capa de policarbonato, o que resulta num conjunto ao mesmo tempo firme e visualmente atraente.

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O interessante é que essa base se fixa no monitor por meio de quatro parafusos cujo posicionamento segue o padrão VESA (100 x 100 mm) o que permite o uso de suportes alternativos que permitem, por exemplo, fixar esse monitor na parede ou num suporte para múltiplas telas.

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Mesmo assim, a traseira do Brilliance 288P é bastante limpa e sem muitos detalhes, o que pode ser interessante em alguns ambientes onde esse lado fica na direção de alguma pessoa ou mesmo do público em geral, como por exemplo numa demo em uma exposição/feira/evento ou na recepção de um prédio ou de uma empresa.

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E se nesses casos existe o receio de que algum amigo do alheio goste tanto desse produto ao ponto de querer levá-lo para casa sem o seu consentimento, o monitor conta com um slot para trava antifurto padrão Kensington:

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Em uso:

Antes de mais nada, o detalhe mais importante que o consumidor precisa ter certeza — mesmo antes de decidir pela compra de qualquer monitor Ultra HD — é certificar-se que a interface gráfica do seu PC/Notebook é capaz de trabalhar na resolução nativa — 3.840 x 2.160 pixels. Algumas aceleradoras gráficas mais simples ou mais antigas são até capazes de chegar nessa resolução, porém numa taxa de atualização mais baixa (~30 Hz). A Philips recomenda pelo menos 60 Hz:

E apesar desse monitor ainda possuir uma porta de vídeo analógica (SVGA) é recomendável que o usuário dê preferência para as interfaces digitais (quem permite o ajuste automático da resolução da tela) sendo que quanto mais moderna/veloz, melhor. Numa escala ascendente: DVI -> HDMI -> DisplayPort.   Fora isso, o uso da porta SVGA não permite usar o monitor no modo MultiView, ou seja, apresentar o conteúdo de duas telas ao mesmo tempo (mais sobre isso adiante).

Philips_288P6_modos_multiview1Para esse teste ligamos o Brilliance a um PC de referência equipado com um processador uma APU AMD A6-5200 “Kabini” que incorpora uma aceleradora gráfica Radeon HD 8400. Optamos pelo uso da porta HDMI e — para nossa surpresa — o sistema funcionou de primeira…

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… sendo reconhecido automaticamente pelo Catalyst Control Center sem a instalação de nenhum driver adicional da Philips:

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Sob o risco de estar dizendo o óbvio,  3.840 x 2.160 pixels é muito muuito ponto para ser espremido mesmo numa tela de 28 polegadas — que já é uma tela bem grande para o padrão PC. Para se ter uma idéia da resolução dessa tela apresentamos abaixo uma comparação do desktop do Windows 7 na resolução Ultra HD 3840p com uma Full HD (1080p) e uma HD 720p:

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Clique para ampliar em outra janela (se tiver coragem!)

Isso é possível graças ao uso de pontos de imagem bem menores — ou mais exatamente, de um pixel-pitch de apenas 0,16 mm — o que resulta numa maior concentração de pontos num mesmo espaço disponível o que resulta em elementos gráficos cada vez menores como podemos ver nos exemplos abaixo, cujas telas de  na resolução Ultra HD 3840p, Full HD (1080p) e HD 720p ocupam a mesma área de tela:

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Embaixo uma amostra de uma área física do painel LCD do monitor da Philips UHD de 28″ …

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… com um painel Full HD de 24″ de um monitor SyncMaster P2470HN da Samsung, cujo pixel-pitch é de 0,277 mm. Note que menos da metade do ícone cabe neste mesmo espaço:

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O lado bom dessa tecnologia é que, com uma maior densidade de pontos, é possível reproduzir imagens com maior precisão de contornos e cores (via dithering) a exemplo do que muitos usuários da Apple já conhecem das telas Retina. Porém, esse efeito pode levar a problemas indesejados — em especial no tamanho dos icones textos e janelas do Windows (no seu modo padrão) que de tão pequenos chegam a dificultar a sua uso/leitura nas tarefas do dia a dia, como ler o seu blog de tecnologia favorito:

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Apesar que de que já existem sites que já estão preparados para trabalhar com telas UHD como o Netflix:

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Sob esse ponto de vista, fica claro que inicialmente o público-alvo desse tipo de produto são aqueles profissionais que podem/precisam tirar proveito dessa imensa resolução, como profissionais das áreas técnicas de desenho de projetos, arquitetura e engenharia, artes gráficas e edição de vídeo/imagens.

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Outras categorias de profissionais das áreas financeiras ou de programação também poderiam tirar proveito de uma tela UHD, mas o tamanho dos textos deve ser um importante fator a ser considerado, apesar de que eles poderiam tirar proveito dos seus modos de apresentar mais de uma tela ao mesmo tempo (recurso MultiView) como o chamado PbP (Picture by Picture)…

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… e o PiP (Picture in Picture). Cada um desses modos possui diversas opções de tamanho, posicionamento e troca de fonte de imagem.

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Também acompanha o produto o SmartControl Premium, um software que ajuda a calibrar as cores do monitor e tirar melhor proveito dela, como criar áreas de trabalho, ajustar controle e brilho, rotacionar a tela etc.

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Já o painel de controle do monitor é do tipo touchscreen e funciona tanto para acessar diretamente algumas opções de configuração rápida quanto para acessar o menu de configuração do sistema (veja todas as opções aqui).

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No geral, nossa impressão desse monitor foi bastante positiva, já que como dissemos na introdução deste post, o Brilliance 288P pode até ser até considerado um monitor mais utilitário do que um bibelô de mesa.

Isso porque a maioria dos seus recursos são focados na facilidade de uso, boa ergonomia, versatilidade e qualidade de imagem ao mesmo tempo que abre mão de recursos que chamam mais a atenção do que serem realmente úteis como suporte para 3D, TV digital embutida ou acabamento esmerado como o notório black “não olha feio que risco” piano.

Pelo preço sugerido de R$ 3.850, o Philips Brilliance 288P não é um equipamento barato, mas é o preço que se paga para se ter acesso a uma tecnologia nova e que, com certeza vai durar bem mais que o seu atual (e até sua próxima) CPU.

Sob esse ponto de vista, o Brilliance 288P não deixa de ser uma preservação de investimento.

Desde o século passado Mario Nagano analisa produtos e já escreveu sobre hardware e tecnologia para veículos como PC Magazine, IDGNow!, Veja e PC World. Em 2007 ele fundou o Zumo junto com o Henrique assumindo o cargo de Segundo em Comando, Editor de Testes e Consigliere.

  • Marcelo Neubert

    SmartResponse? aloooo Intel! 😛