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Microsoft muda em nome da interoperabilidade

A Microsoft anunciou hoje que vai fazer mudanças em suas “práticas tecnológicas e de negócios para aumentar a ‘abertura’ de seus produtos e levar a uma maior interoperabilidade, aumentando as oportunidades para desenvolvedores, parceiros, clientes e concorrentes“, de acordo com um comunicado.

A mudança se baseia em quatro pilares:

  1. garantir conexões abertas;
  2. promover a portabilidade de dados
  3. aumentar o suporte a padrões da indústria
  4. aumentar o comprometimento com consumidores e a indústria, incluindo as comunidades open source.

Basicamente, o que a Microsoft quer é garantir transparência em seus processos de negócios. Depois de anos e anos apostando em formatos fechados e proprietários, mais cansativas guerras e guerras por formatos, o anúncio de hoje parece um aviso de novos tempos de Microsoft, agora com Ray Ozzie no comando do software na companhia.

Na prática, o que vai acontecer:

Produtos de ‘alto volume’ da Microsoft terão conexões mais “abertas”. Na prática, a Microsoft vai publicar a documentação de todas APIs e protocolos de comunicação usados em seus produtos. Isso acaba com a necessidade de licenças ou pagamento de royalties. Com isso, desenvolvedores de outros produtos podem integrar seus produtos aos da Microsoft de uma maneira mais fácil (e barata).

Por “alto volume” entenda Windows e Office, basicamente, mas incluem no total Windows Vista (com o framework .NET), Windows Server 2008, SQL Server 2008, Office 2007, Exchange Server 2007 e Office SharePoint Server 2007 e futuras versões desses produtos.

Ray Ozzie diz: “Microsoft está seriamente comprometida em seguir padrões da indústria”. Começa com o Windows Server e 30.000 páginas de documentos de protocolos cliente e servidor serão liberadas no site. Nos próximos meses, chegam os documentos do Office.

A Microsoft também vai documentar como apóia padrões e extensões de mercado – tudo em nome da interoperabilidade.

A empresa vai ampliar a flexibilidade de formatos usados pelo Office 2007. Word, Excel e PowerPoint terão novas APIs para tornar mais fácil para os desenvolvedores adaptarem seus formatos ao Office e permitir que os usuários salvem documentos nele (podiam matar o maldito DOCX e similares, que só serve pra reenviar documentos em RTF ou Word 2003!).

Lançamento da Open Source Interoperability Initiative: a Microsoft quer que a iniciativa forneça recursos, informações e até laboratórios para promover a interoperabilidade entre produtos Microsoft e iniciativas open source.

Ampliar o diálogo com a indústria, clientes e desenvolvedores, além das comunidades open source. Para isso, será criado um fórum de interoperabilidade online. E, para completar, será criada uma iniciativa de interoperabilidade de documentos, para garantir a troca de dados entre os diversos formatos adotados hoje.

Basicamente, pelo tom da teleconferência, a Microsoft expande ao mercado – com um recado forte ao mundo open source – o que já fez com a Novell no passado. “São princí­pios que se aplicam ao futuro da Microsoft“, disse o CEO Steve Ballmer.

Curiosamente, não se fala em nenhum momento em ODF. Já até existe um plug-in para Office 2007 para permitir a compatibilidade desse formato com o sistema de produtividade da Microsoft – acredito que nessa hora o povo da IBM deve estar dando risada.

O anúncio de hoje não significa, entretanto, que a Microsoft vá abrir o código de seus produtos ou abraçar o open source de vez. É um meio de admitir, entretanto, que o mundo de TI mudou e eles precisam de alguma ajuda externa. Afinal, o futuro da empresa, nas palavras de Ballmer, está nas mãos da comunidade.

Henrique Martin já escreveu na PC World, PC Mag, Folha de S. Paulo e criou o Zumo em 2007. Em 2011, o Zumo se transformou no ZTOP, referência em conteúdo original sobre tecnologia em um mundo pós-PC. Siga-o no Twitter: @henriquemartin

  • Não conseguiu comprar o Yahoo!(muito bom e legal por sinal!) e agora ta querendo enganar os clientes … eu duvido!

  • Manoel Antônio

    Aí, Fred, por acaso vc é CLIENTE da Microsoft? Se é, alguma vez vc já foi enganado por ela? Continue com suas dúvidas e eu continuo com minhas certezas de que a MS está melhorando progressivamente. Sou cliente assíduo dessa empresa e nunca fui enganado ou lesado.

    » PS: é fácil “meter o pau” na Microsoft, vê-la como vilã, né.

  • Parece que a Microsoft finalmente está abrindo os olhos e em vez de nadar contra a maré vai contribuir para melhora-la. Espero que este rumo que ela esta tomando seja definitivo e mude algumas atitudes/opiniões que alguns de dentro da empresa demonstram de vez em quando (leia-se Steve Ballmer e algumas de suas declarações).

    Quanto a documentação, ela é ótima, pois faz com que desenvolvedores de ótimas ferramentas como o SAMBA possam melhorar ainda mais suas soluções. Imaginem como vai vir o SAMBA 4/5 depois disso? Será uma mão na roda para quem administra domínios utilizando este programa.

  • ASF
  • João Marcus

    Sou meio cético em relação a isso. A Microsoft lança as especificações sob uma “promessa”, ao invés de uma licença propriamente dita. Ora, uma promessa não tem valor legal. Portanto, a tal promessa é engana-trouxa. Como os desenvolvedores não são trouxas, pode ser que eles simplesmente ignorem as especificações e continuem fazendo tudo por engenharia reversa para evitar que a Microsoft mude de idéia e diga “ah, a promessa não tinha valor legal”.

    Não sou anti-Microsoft nesse caso. A questão aqui é a de sempre lembrar que a Microsoft é uma empresa, não uma entidade beneficente. Ela não faz caridade. Ela faz o que precisa fazer para ganhar dinheiro, e é esse o objetivo de uma empresa. É um direito da Microsoft fazer o que bem entender com suas especificações. É um dever de todos manter os olhos abertos e não acreditar em promessas vazias.

  • Pingback: Repartir para multiplicar - Jukebox()

  • Fulano Detal

    Microsoft “boa”? “má”?

    o que eles querem é $$$ e poder … continuar os monopólios que estão sendo arranhados (não digo quebrados, pois estarão ainda por um bom tempo no mercado) …

    estão perdendo e estão, mesmo que a contra vontade, tendo que seguir e melhorar sua estratégia mesmo que desta forma, abrindo a interoperabilidade …