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Entrevista: Mais 30 minutos com o pai do ThinkPad

[ThinkPad 25 anos] Tive a oportunidade de conversar mais uma vez com David Hill, ex-Chief Design Officer da Lenovo que se aposentou neste ano.

Conheci pessoalmente David Hill durante a CES 2012 em Las Vegas, época em que ele nos concedeu uma entrevista super bacana onde falou sobre suas idéias, conceitos de design, trabalho e da sua responsabilidade como guardião da imagem do ThinkPad, o computador portátil que ele ajudou a criar e que nos últimos 20 anos continuou a aperfeiçoá-lo ano após ano.

Mas para quem não sabe, ele anunciou recentemente sua aposentadoria e ainda teve a oportunidade de indicar o seu sucessor Brian Leonard (abaixo à esquerda) que passou a ser o novo Vice-Presidente de Design de PC e Smart Devices da Lenovo.

Mesmo assim, ele continuará a trabalhar com a Lenovo como uma espécie de consultor de design, além de compartilhar suas idéias com sua antiga equipe sobre assuntos relacionados a direcionamentos estratégicos.

De fato, dai vem sua declaração bem humorada de que ele não está se “aposentando” (em inglês “retiring“) e sim apenas “refazendo seus contatos” (em inglês “rewiring“) com a empresa que ele tanto ama.

E é neste período de transição que tive o privilégio me encontrar pela segunda vez com Hill (thanks Mariano!) que excepcionalmente concedeu um horário extra e fora da sua agenda durante o evento de 25 anos do ThinkPad em Yokohama no Japão para este ztop+zumo.

Até por causa disso, não perdemos tempo com perguntas óbvias e/ou genéricas do tipo “de onde você tira suas idéias?” de modo que a idéia deste post é de ampliar/atualizar aquela entrevista de 2012, sendo que reproduzimos abaixo os melhores trechos dessa nova conversa.

Ainda em tempo:
Observe também que esse diálogo aconteceu horas antes da Lenovo anunciar oficialmente o ThinkPad Anniversary Edition 25 de modo que — naquele momento — ele era um “rumor” conhecido apenas como Retro ThinkPad.

Mário Nagano — Quais são as suas novas atribuições na Lenovo como um executivo “rewired?” 

David Hill – Bom, isso para mim foi uma grande decisão pessoal, porque investi muito do meu tempo pessoal e energia nessa marca, mas senti que tinha a oportunidade de fazer outras coisas, já que desenhei computadores por mais de 30 anos, o que é um monte de computadores! — Eu amo desenhar, é uma paixão minha, mas senti que poderia fazer outras coisas com meu talento.

Fora isso, esta foi uma grande oportunidade, já que pude indicar a dedo o meu sucessor — Brian — que eu pessoalmente contratei ainda na época da IBM e que trabalhou comigo por uns 10 anos, ai ele nos deixou por um tempo e depois voltou, sendo que ele pegou muito bem a idéia do que é um ThinkPad e eu vou estar por aí para ajudá-lo como consultor quando for preciso, uma idéia por sinal que eu gosto muito, já que isso para mim é uma oportunidade de eliminar parte do stress associada com esse trabalho ao mesmo tempo que mantenho a parte divertida!

OK… Então o senhor será algo como um wise old man (velho sábio)?

Sim, algo parecido.

E agora que tem tempo, o que você pensa em desenhar agora?

Por incrível que pareça, ando fazendo algumas coisas na minha própria casa que eu mesmo desenhei anos atrás, mas que na época, tive que abrir mão de algumas coisas tanto por questões financeiras quanto de tempo disponível e agora que tenho tempo, estou fazendo essas melhorias.

Fora isso tenho outros interesses como motocicletas. De fato, ando brincando agora de restaurar velhas motos nas minhas horas vagas.

Sim, eu me lembro que na última vez que conversamos, eu perguntei o que você gostaria de desenhar além de computadores e sua resposta foi “MOTOCICLETAS!” 

Sim, na verdade eu adoraria desenhar uma motocicleta! (risos) Eu também gosto de desenhar móveis além de outras coisas e eu acho que encontrarei meios de realizá-los, já que eu não quero ficar na varanda de casa sentado numa cadeira de balanço fazendo nada.

Alguns dias atrás você postou umas imagens no Instragram…

… que me chamaram a atenção por ser o mesmo nome de um restaurante localizado aqui perto do Yamato Labs em Yokohama…

… daí me surgiu a dúvida se isso não seria um desses novos trabalhos que você sempre quis fazer além de computadores, é isso mesmo?

Ah, o Shake Shack? — (risos) — Aquilo foi uma brincadeira! 😆

É que nesta semana estive numa reunião por aqui e tivemos uma espécie de almoço com o time e trouxeram hamburgers do Shake Shack. Só que na nossa agenda do encontro estava escrito “Almoço — Sake Shack” (risos) como saquê, a bebida.

Ai pensei comigo mesmo:  “Opa! Esta vai ser uma bela refeição porque vamos ter saquê no almoço!” 😃 — Mas aquilo foi só uma brincadeira.

Se você olhar para a sua carreira na Lenovo, qual seria o trabalho, produto ou desenho que você mais gostaria de ser lembrado?

Oh, definitivamente o ThinkPad. Eu trabalhei em muitos outros produtos como o ThinkServers (servidores), ThinkCenters (desktops), ThinkVisions (monitores)…

Algum modelo em especial?

Existem alguns que eu tenho uma grande afeição, um deles foi o ThinkPad X300 (embaixo) que foi um marco para a Lenovo e até para mim mesmo, já que trabalhei duro para fazer um ThinkPad que fosse melhor do que aqueles fabricados na época da IBM…

E isso em um momento bastante crítico tanto para você quanto para a empresa…

Sim, para todos. Foi uma época de bastante ceticismo por parte do mercado que temia que a Lenovo iria arruinar o ThinkPad, que ela ira transformá-lo num produto barato, que ela iria mudar o seu design e coisas do tipo — mas conseguimos provar que todos estavam errados e que éramos capazes de produzir o melhor ThinkPad com as pessoas que fizeram isso antes, de modo que nada tinha mudado.

E isso foi uma grande façanha já que essa história virou tema de capa da revista Businesweek, Steve Hamm escreveu um livro e, no fim das contas, foi uma grande diversão já que eles colocaram o design na vanguarda do que estávamos fazendo e funcionou.

E na época ainda fomos bater de frente com o Macbook Air, sendo que alguns até  achavam que nós copiamos (a Apple) o que é ridículo já  que trabalhávamos no nosso design havia mais de um ano e isso não é algo que a gente faz em, digamos, um dia.

E isso sem falar que o X300 foi o precursor de um conceito que a Intel chamou posteriormente de Ultrabook.

Sim, ele foi um precursor e também acho que ele, de um certo modo, levou para o desenvolvimento de produtos como o X1 Carbon que, por sinal, também sou um grande fã, já que ele também foi um divisor de águas para a Lenovo e para a marca ThinkPad.

Fora isso, existem outros tipos de coisas ligadas ao ThinkPad de que também tenho muito orgulho de ter feito, e vou te contar uma delas que foi como a marca ThinkPad apareceria no produto.

Quando a Lenovo estava comprando a divisão de sistemas pessoais da IBM, esta nos chamou para uma reunião onde eles fizeram uma apresentação sobre como seria a “nossa estratégia de marca”. 😯

Eu olhei para eles e disse — “não estou entendendo, por que é que vocês estão dizendo como nós vamos trabalhar com a marca?” — já era do meu entendimento que nós (Lenovo) éramos donos da marca ThinkPad. Além disso, nos foi mostrado um diagrama onde a IBM removeu marca “IBM ThinkPad” e colocou “Lenovo” no lugar. 😮

Ai eu levantei minha mão no meio da reunião e disse que “eu tenho uma pergunta: No exemplo que você (na verdade um cara da IBM) está me apresentando, mostra que vocês retiraram a marca IBM, retiraram a marca ThinkPad e colocaram o da Lenovo no lugar?” — A resposta dele foisim! e ai questionteiPor quê? E o que mais vocês irão fazer?

Ai eu pedi um tempo para tentar entender qual era o status legal do uso dessas marcas e quem de fato era a dona da marca ThinkPad e sua resposta foi “Lenovo é a dona” — “Ok, muito obrigado! — Então acho que não precisamos de você!” (risos)

Ai eu fiquei doido (de raiva) e quando voltei, fui criar um modelo de design, onde retirei logotipo da IBM e coloquei no seu lugar o nome ThinkPad utilizando a mesma grafia e a fonte do original (só que um pouco maior), adicionei o pingo vermelho no “i” para lhe dar mais vida e foi o que fizemos.

Eu tenho muito orgulho disso, já que de um certo modo evitei que a IBM arruinasse tudo.

A respeito das histórias sobre a criação do primeiro ThinkPad é sempre dito que uma das inspirações para o 700C foi a caixa de bentô. Mas você já ouviu falar — ou saberia me dizer — se o TrackPoint vermelho no meio do teclado do ThinkPad poderia ser uma metáfora visual do tradicional bentô feito só com arroz e um umeboshi por cima?

Bom… Richard Sapper foi a pessoa que quis que o TrackPoint fosse vermelho, mas não me lembro dele alguma vez ter feito essa comparação. Apesar de que sim — é uma idéia bem interessante — mas não creio que ele tenha pensando nisso quando estava concebendo o produto.

Muitos dos produtos que Sapper criou eram na cor preta com alguns detalhes em vermelho — como a luminária Tizio que tinha um pequeno interruptor e manopla vermelha — o que é uma marca registrada do seu estilo de design.

A propósito, Richard era uma pessoa fascinante. Eu trabalhei com ele por décadas e, na realidade, ele costumava ter mais de uma história sobre a inspiração para o ThinkPad (risos).

Uma era a caixa de bentô e a outra era a caixa de charuto, que eu acho uma idéia bem interessante devido ao fato das suas proporções serem bem similares ao do ThinkPad da época, e isso sem falar que essa caixa abre do mesmo modo que a tela de um notebook…

… mas a resposta de Sapper realmente dependia do seu estado de humor. Eu particularmente gosto mais da idéia da caixa de bentô porque primeiro, ela é preta e segundo, porque ela é mais saudável! (risos)

A propósito, a equipe de designers que desenvolve a linha de acessórios ThinkPad é a mesma que trabalha nos notebooks?

Nós costumamos ter uma equipe separada para o desenvolvimento de acessórios que  varia de dispositivos externos, passando por mouses e até bolsas e mochilas o que exigem um esforço próprio.

A exceção fica por conta das opções de docking que são desenvolvidas pela mesma equipe dos ThinkPads porque ambos são componentes altamente integrados.

Mas os princípios de design são os mesmos?

Ah sim, absolutamente. 🙂

Na hora de criar um ThinkPad Conversível seu grupo experimentou diversos sistemas no ThinkPad Twist e no ThinkPad Helix antes de adotar definitivamente a tela multimodos do Yoga no seu ThinkPad X1 Yoga. Existe algum motivo para vocês terem demorado tanto para fazer isso?

Bom, acho que no começo éramos céticos com relação a idéia do Yoga porque o seu teclado ficava para baixo quando você dobrava a tela — ou seja — as teclas ficavam do lado errado!

De fato nós resistimos a essa idéia até que, com o passar do tempo, nós resolvemos esse problema com a invenção da tecnologia “lift and Lock frame” que é a base do “wave keyboard” usado no X1 Yoga que eu acho muito bacana.

Mas a grande força do sistema de dobradiça do Yoga é que ela é uma solução muito simples. Já que o conceito em si de dobrar e virar uma tela e travá-la numa posição é algo bem complicado de se fazer.

As últimas versões do Yoga adotam um sistema de sobradiça bastante sofisticado baseado em engrenagens intertravadas que controlam o movimento da tela. Existe a possibilidade do ThinkPad também adotar essa solução?

Nós temos outras idéias. Mas não posso contá-las neste exato momento! (risos) — Havia uma vantagem na espessura se criássemos em cima do novo sistema do Yoga mas ela não existe mais.

Na época em que testamos o ThinkPad X1 Yoga eu estudei seu manual técnico e notei que não existiam muitas diferenças entre o X1 Yoga e o X1 “não-Yoga” (Carbon) no que se refere a sua configuração (processador, memória, disco etc.) Dai existiria algum motivo para vocês oferecem dois modelos que são, na sua essência, o mesmo computador?

É que existem usuários que não tem nenhum interesse pela tela de toque, de modo que trata-se apenas uma questão de escolha. Pois não há nenhum sentido em ter uma tela rebatível se não for pela interface de toque. Eu pessoalmente não uso toque, de modo que tenho uma versão “não-Yoga”.

Mas existem outras pessoas que tem outros pontos de vista sobre isso, como Jerry Paradise, que falou (no evento) um pouco sobre personalização e eu vejo valor nisso.

Ainda hoje existem diferenças notáveis entre os produtos da linha Idea e Think. Você acha que Brian (Leonard) irá um dia unificar esses dois grupos?

Na verdade Brian já é responsável pelo design de ambos os grupos e eu também.

E você acredita que no futuro elas poderão se unir dentro de uma única filosofia de concepção e design?

Bom, é difícil dizer. Neste exato momento existe um intenso tráfego (intencional) de informações entre ambos os grupos, mas eles trabalham com diferentes tipos de clientes, diferentes  níveis de preço e a gente nunca vai saber como isso vai ser o futuro já que o foco pode mudar, é difícil dizer.

Falando em preço, eu me lembro que no painel de ontem um jornalista indagou sobre a possibilidade de se criar um “ThinkPad mais barato” o que me fez lembrar do ThinkPad Edge de 2010 que acho que foi um modelo especificamente voltado para o segmento de SMB…

Sim, ele foi um modelo voltado para SMB mas gostaria de observar que existem coisas associadas ao baixo custo que não se adequam aos critérios do ThinkPad.

Para mim o fato deless custarem um pouco mais não é apenas porque eles tem nome ThinkPad, não é que queremos extrair um pouco mais de valor e sim porque nos custa mais prodizir um.

E você sabe que ter um ThinkPad é um grande negócio, já que se um dia você for viajar para Marte, você vai querer levar um ThinkPad. Caso contrário, você vai ter que andar muito se precisar de peças para consertar qualquer outro modelo! (risos)

Outra pergunta que surgiu no painel de ontem e acredito que você ja deve ter respondido um milhão de vezes é porque o seu grupo nunca desenvolveu um “ThinkPad-phone”. Pelo meu entender eu nunca imaginei algo que o seu grupo poderia colocar num smartphone convencional que mereceria receber o nome ThinkPad — ou estou errado?

Bom, já brincamos com isso no passado. Nós temos uma caixa cheia de modelos de design que chegamos a experimentar, mas nunca avançamos para além disso.

Eu acho interessante a idéia de desenhar um smartphone com a marca Think, mas eu não tenho uma idéia clara do que isso significaria em termos de produto.
Para mim ele teria que ter os mesmos atributos que a gente espera de um ThinkPad ou seja, ele teria que ser muito útil, robusto, etc. — ou seja — ele não deveria ser apenas um telefone preto e quadrado. Caso contrário, você só estaria tirando proveito da marca o que eu acho algo muito perigoso para a reputação da marca.

De fato não temos feito nada nessa área por um bom tempo.

Isso significa que na época em que vocês brincaram com essa idéia, o aparelho não era apenas um tabletinho com uma tela por cima. Vocês chegaram a desenvolver diferentes padrões de formato?

Sim, tivemos algumas idéias, mas não desenvolmemos nenhuma delas.

Perguntinha nerd: Estava conversando ontem a noite com Kevin (Beck) sobre um problema que já vi em alguns ThinkPads antigos da série 700 onde sua pintura emborrachada começou literalmente a derreter, formando assim uma espécie gosma preta e grudenta que é muito difícil de ser removida. Ai perguntei para ele se ele sabia por que isso ocorria e se havia algo que poderia ser feito para evitar esse fenômeno.

Sua resposta foi “Hum… Pergunta pro David amanhã!” (risos)

Bom… O uso daquela tinta emborrachada na série 700 original foi algo bem pioneiro para época e era algo relativamente novo. De fato ela foi criada originalmente para pintar o interior de telescópios porque ela absorvia a luz.

Mas em pouco tempo começamos a ter problemas porque a superfície começou a descascar ou ficar grudenta depois de algum tempo. Mas com o passar dos anos nós conseguimos resolver esse problema com fórmulas mais avançadas.

Eu não sei mais o que lhe dizer além de tentar remover essa tinta e começar de novo. Eu não conheço nenhuma técnica capaz de recuperar ou mesmo preservar a pintura original.

Por acaso você tem algum equipamento com esse problema?

Na verdade eu tive duas oportunidades de ter um 701C Butterfly, mas desisti do negócio porque a pintura estava deteriorada. Uma pena ☹️

O Butterfly é um grande design, eu tenho o meu. Ele ainda liga e está totalmente funcional. Acho que tem o Windows 98 instalado nele.

Algo que descobri ao ler o livro de Naitoh-san é que ele diz que uma das pessoas responsáveis pelo desenvolvimento do Butterfly foi Tim Cook — atual CEO da Apple.

Sim, Tim Cook na época era funcionário da IBM e trabalhava no laboratório de Raleigh (na Carolina do Norte). Eu acho que ele era da área de marketing, mas nunca me encontrei com ele.

Agora falando sobre o futuro, no último capítulo do livro de Naitoh-san ele diz que, um dia, a tela do notebook poderá ser substituída por pico-projetores. O que você acha dessa idéia?

Ah… Eu odeio dizer “nunca” já que eu fizer isso alguém vai provar que estou errado.

Mas para mim o uso de projetores no lugar de telas ainda é um desafio já que alguns problemas precisam ser resolvidos, entre elas o brilho da imagem e o contraste.

E as telas flexíveis?

As pessoas tem falado sobre telas flexíveis por um longo tempo e já tem brincado muito com esse negócio… Quem sabe?

Mas você acha que essa tecnologia é viável?

Eu acho que ela é sim viável, só que quando eu não sei. Ela poderia até estar disponível hoje, mas não tenho certeza se as pessoas estariam dispostas a pagar por ela, nenhuma tecnologia nova pode se transformar em produto se não for acessível.

Em outro encontro que tive com Kevin ele falou que a próxima grande novidade tecnológica que poderá chegar nos ThinkPads é a incorporação de sensores e sistemas de inteligência artificial capazes de auto-reconfigurar o sistema de acordo com o contexto. O que você acha dessa idéia?

Eu acho que esse tipo de recurso é muito bom desde que o sistema de IA se comporte de acordo com o esperado. Se algo acontecer no computador de uma maneira que o usuário não tem idéia do que está acontecendo, isso pode parecer estranho e pode até causar um mal-estar já que pode passar a impressão de ele pode estar sendo invadido ou coisa do tipo.

A minha impressão pessoal é que as pessoas não gostam de ser muito surpreendidas e deveriam ter, pelo menos, a opção reverter uma decisão tomada pelo sistema.

Por exemplo, o meu carro possui um GPS cuja tela passa para o modo noturno toda vez que eu ligo o farol independente de ser dia ou noite. Eu não gosto disso por que a tela fica escura e não consigo enxergá-la direito, principalmente de dia. Eu gostaria de, pelo menos, ter a opção de reverter esse procedimento.

Acompanhando o seu blog, nos últimos anos você tem trabalhado em um projeto que foi chamado de Retro ThinkPad e que ele estaria pronto para chegar no mercado. Em retrospecto, que lições você poderia tirar dessa experiência, já que falamos tanto sobre o futuro e, no fim das contas, o que o consumidor está querendo comprar é um ThinkPad à moda antiga?

Eu dei inicio a esse projeto já fazem dois anos quando percebi que a marca ThinkPad é tão forte que poderíamos brincar neste espaço.

Existem tantos produtos do passado que voltaram a moda como os discos de vinil, modelos de carros que voltaram a ser reintroduzidos como o Mustang, o Volkswagen Beetle, o Mini etc. Ao mesmo tempo senti que tínhamos uma herança tão forte de essência na marca que nós poderíamos fazer isso, que poderíamos satisfazer um certo grupo de clientes que poderia variar de fãs super leais que adorariam ter um ThinkPad da série 600 com um “motor novo” até usuários mais jovens que curtem essa moda retrô

Foi ai que a coisa começou a rolar e até existe um rumor de que vamos fazer um um desses (risos).

E pode até ser que isso seja verdade ou não! — Eu acho isso super bacana porque acredito que nenhuma outra empresa poderia realmente lançar um computador como esse e vender uma única únidade.

Mas eu acho que a gente poderia vender um monte deles — se um dia fizermos um (risos)

Eis aqui uma estatística interessante: Nós conduzimos algumas pesquisas para saber qual seria o perfil do usuário que estaria interessado em comprar um Retro-ThinkPad achando que seriam pessoas de mais idade que passam o dia sentados na varanda de casa ou na casa de repouso e a média das pessoas que responderam estavam abaixo dos 30 anos — millenials!

Eles gostaram da proposta por que ele é autêntico, é diferente, é tipo anti-empresa com nome de fruta.

A propósito, você compraria?

Claro!

E quantos deles?

Apenas um, porque ThinkPads nunca quebram! (risos)

Disclaimer: Mario Nagano viajou para Yokohama a convite da Lenovo Brasil. As fotos bacanas, observações inteligentes e piadinhas infames são dele mesmo.

Desde o século passado Mario Nagano analisa produtos e já escreveu sobre hardware e tecnologia para veículos como PC Magazine, IDGNow!, Veja e PC World. Em 2007 ele fundou o Zumo junto com o Henrique assumindo o cargo de Segundo em Comando, Editor de Testes e Consigliere.

  • dflopes 16/10/2017, 10:53

    Entrevista maravilhosa, bem fluida.
    O cara sabe o valor do produto que fez!

  • Adriano De Lima 16/10/2017, 11:46

    Uma salva de Tocantins aos envolvidos!

  • Browningate 02/12/2017, 20:41

    Fascinating interview. I wonder what he thinks about the new T25 ThinkPad model these days.