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Lingodroids: robôs que falam na sua própria lingua

Um robô como o R2D2 pode ainda ser ficção-científica, mas a maneira como ele se comunica já é uma realidade.

Pesquisadores da Universidade de Queensland na Austrália desenvolvem uma curiosa pesquisa onde dois robôs são capazes de usar um dialeto em comum para se conversar e trocar informações sobre os locais onde estiveram.

Nela, dois robôs exploradores — chamados Lingodroids —  são programados para explorar de maneira autônoma um certo ambiente, acumulando assim conhecimento que pode ser expressado na forma de palavras especiais batizadas de Toponyms (= topônimos?). No exemplo as palavras  pize”, “rije”, “kuzo” e “reya” representam os quatro cantos e “jaya” o meio da sala que localizada no centro da planta abaixo:

A grande sacada nesse caso é que, quando os robôs se encontram em algum canto, eles são capazes de estabelecer um diálogo baseado em um dialeto (ou um conjunto de palavras) em comum e com isso, criar sentenças simples para ensinar e compreender a relação de distância e direção entre os diversos locais. Por exemplo:

kuzo reya duka” = “O canto inferior esquerdo (kuzo) é perto do canto inferior direito (reya)”

ou:

“kuzo pize reya hiza” = “Se eu estiver no canto inferior esquerdo (kuzo) na direção do canto superior esquerdo (pize) então o canto inferior direito (reya) está à minha direita (hiza) ”

E acumulando esse bate-papo, cada robô é capaz de ampliar a sua própria visão de mundo — incluindo locais para eles antes inacessíveis (como uma sala com porta fechada) — e que podem ajudá-lo a se orientar nas suas futuras explorações.

“reya rije duka hiza heto” = “Se estiver no canto inferior direito (reya) na direção do canto superior direito da sala (rije), então perto da direita (duka) existe um local onde não posso entrar que estou chamando de heto

Um vídeo que mostra esse experimento está disponível  no YouTube:

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A idéia é que com o passar do tempo, esses robôs aprendam palavras mais complexas e no futuro sejam capazes de expressar idéias ainda mais complexas, como descrever como chegar num local. O objetivo final dessa pesquisa é de criar meios de comunicação mais eficientes entre robôs e quem sabe até criar novas maneiras de como um robô poderia se comunicar com humanos, como por sinal já fazia R2D2 a muito tempo atrás, numa galáxia muito muito distante…

Mais informações aqui.

Ainda em tempo:

Não é a primeira vez que vejo dois “robozinhos” baterem um papinho furado no seu próprio dialeto. De um certo os Furbys já faziam isso desde 1998, mas não sei se esses diálogos podem ser considerados “inteligentes”:

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Desde o século passado Mario Nagano analisa produtos e já escreveu sobre hardware e tecnologia para veículos como PC Magazine, IDGNow!, Veja e PC World. Em 2007 ele fundou o Zumo junto com o Henrique assumindo o cargo de Segundo em Comando, Editor de Testes e Consigliere.

  • dflopes 26/05/2011, 01:36

    só eu fico preocupado com a skynet?

    ou as "profecias" de Asimov? E Matrix?