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Let’s Note MX: O Ultrabook “Yoga” da Panasonic

Além da tela rebater 360° para virar tablet, o novo conversível da Panasonic consegue espremer um gravador de DVD num gabinete com apenas 2,1 cm de espessura.

Mais conhecida por aqui pela sua linha de computadores e tablets ToughBook, a divisão de sistemas pessoais da Panasonic também possui uma linha de notebooks corporativos que representam bem a tradição nipônica de produzir equipamentos muito bons, porém com nomes em inglês bem peculiares, como essa que se chama “Let’s Note” (Engrish alguém?)

Recentemente, o pessoal de Osaka anunciou sua nova linha 2014 de portáteis Let’s Note, todos equipados com processador Intel Core ix de quarta geração (codinome “Haswell“) …

Let's note linha 2014

… entre os modelos, o que mais me chamou a atenção foram os Let’s Note AX e MX, sendo este último um Ultrabook conversível com tela de 12,5″  que consegue a façanha de ter um gravador de DVD embutido.

Isso pode parecer um paradoxo nos nossos dias de computação na nuvem, mas fato é que já ouvimos de vários fabricantes (inclusive aqui no Brasil) que muitos consumidores ainda preferem portáteis com esse recurso, mesmo que seja por uma questão de segurança psicológica — algo como “se um dia precisar, taí!”

Let's note MX_DVD

Fora isso vale a pena lembrar que a a Panasonic é especialista na fabricação desse acessório, de modo que nada que mais justo eles incorporem o mesmo nos seus sistemas. De fato, reza a lenda que ela só entrou nesse negócio de PCs porque, na época, ninguém fabricava e vendia notebooks com esse item embutido.

Uma das marcas registradas dos Let’s Note é seu gabinete feito todo em liga de magnésio e carbono sem pintura, o que faz com que o prata seja o tom predominante. E por causa disso ele são tão leves (neste caso 1,2 kg com a bateria) que a impressão que temos é de estar segurando um brinquedo de plástico.

Let's note MX_overall2

E como era de se esperar de um equipamento corporativo, a linha MX é um produto voltado pra produtividade, de modo que seu design é bastante utilitário e sem muita frescura. E neste caso, o MX adota o sistema de dobradiça bi-articulada  muito parecida com a usada pelo Ideapad Yoga da Lenovo, o que permite que sua tela LCD gire 360° em relação a sua base…

Let's note MX_convertible

… podendo assim ser usado como um tablet com Windows 8.1.

Let's note MX_tablet_mode

Ele também conta com uma caneta digitalizadora embutida na sua lateral, o que permite entrar com dados com mais precisão como por exemplo, uma rubrica ou assinatura.

Let's note MX_pena2

Pausa para um momento Zumo de Reflexão:

Interessante notar que depois da Lenovo, outros fabricantes além da Panasonic também adotaram essa mesma solução, como a Dell com seu novo XPS-11 revelado no ano passado durante a Computex. Isso levanta questões de quem está copiando quem e por quais motivos.

Dell_XPS-11

Já conversei sobre isso com alguns colegas da indústria e o que me disseram é que esse sistema de dobradiça bi-articulada é a solução mais simples e barata de ser implementada em um portátil para que ele se torne um híbrido, sendo que alguns até já me disseram na época que a tendência era que mais e mais empresas adotem essa solução (caso da Dell e Panasonic). E alguns foram ainda mais adiante — que no futuro, todo notebook terá esse recurso.

O curioso é que essa idéia de tela rebatível é até mais antiga que o Yoga e até mesmo que a própria Lenovo, já que em 1996 a HP lançou o OmniGo 100 um handheld com sistema GEOS que explorou esse conceito.

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E apesar de não ser um Toughbook, o Let’s Note não deixa de ser um equipamento duro na queda incorporando boa parte do DNA do seu irmão mais casca-dura, o que faz dele um equipamento bastante resistente aos maus tratos e acidentes do dia a dia das pessoas. De fato, a Pananonic divulgou alguns vídeos que mostram os diversos testes de resistência que esses equipamentos são submetidos:

Queda livre de 76 cm de altura:

Queda de canto a 30 cm de altura:

Teste de vibração com carga de pressão de 100 kg que, segundo a empresa, simula o transporte do mesmo num trem lotado em movimento (algo como andar de metrô no horário de rush).

Teste de desgaste da dobradiça bi-articulada:

Teste de pressão sobre o gabinete. Segundo a Panasonic, o sistema resiste porque a placa-mãe fica montada sob uma estrutura flutuante, de modo que a pressão e as distorções absorvidas pelo gabinete não passam para o circuito.

Inicialmente o Let’s Note MX estará disponível em três versões, o topo de linha CF-MX3TEABR equipado com um processador Intel Core i7 4500U, 8 GB de RAM, SSD de 256 GB e dois modelos mais mainstream CF-MX3SEBJR  e CF-MX3SEGJR (versão com MS Office incluso) com Core i5-4200U, 4 GB de RAM e SSD de 128 GB. Todos os modelos vem com tela de LCD IPS de 1.920 x 1.080 pixels com touch, Webcam Full HD, rede Gigabit Ethernet, Bluetooth 4.0, saídas de som, video HDMI e SVGA (uia!), três portas USB 3.0 (sendo duas Powered), slot para cartão SD, SDHC, SDXC, Wi-Fi 802.11 a/b/g/n e Wi-Max.

Let's note MX_modelos

Segundo a Amazon.co.jp  os preços sugeridos variam de 199.800 ienes (~R$ 1.914) para o CF-MX3SEBJR, 224.800 ienes (~R$ 5.077) para o CF-MX3SEGJR e 269.800 ienes (~R$ 6.093) para o CF-MX3TEABR.

A previsão é que esse modelo e os outros Let’s Note cheguem no mercado japonês em meados de fevereiro de 2014. Mais informações aqui.

Desde o século passado Mario Nagano analisa produtos e já escreveu sobre hardware e tecnologia para veículos como PC Magazine, IDGNow!, Veja e PC World. Em 2007 ele fundou o Zumo junto com o Henrique assumindo o cargo de Segundo em Comando, Editor de Testes e Consigliere.