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Hands-on: Olympus 9mm f/8.0 Fisheye Body Cap Lens BCL-0980

Simples e acessível, a nova super grande angular “olho-de-peixe” da Olympus é diversão garantida para donos de câmeras Micro Four Thirds.

Quase dois anos atrás, junto com o lançamento das câmeras Pen E-PL5 e E-PM2, a Olympus colocou no mercado um daqueles acessórios intrigantes (ou seriam estrambóticos?) que chamam a atenção pela sua originalidade: uma tampa de corpo de câmera com uma pequena lente embutida, também conhecida como BCL-15 mm f8.0 Body Lens Cap BCL-1580.

Olympus_15mm_body_lens_cap

Trata-se de uma objetiva de plástico, equipada com uma lente “normal” (ou meia grande angular) de uso geral, bastante simples de apenas três elementos (aparentemente um triplete de Cooke) de 15 mm (equiv. 30 mm) com abertura fixa em f/8.0, cuja proposta é de permitir que o fotógrafo possa tirar fotos casuais com sua câmera, mesmo que ela não esteja com uma objetiva instalada. Além do desenho compacto, seu sistema de foco é manual e o preço sugerido nos EUA fica na faixa dos US$ 50, bem mais em conta que a M.Zuiko 17mm f2.8 de US$ 300.

Pelo visto, essa tampinha deve ter vendido bem  ao ponto da empresa resolver repetir a façanha, lançando uma nova versão desse acessório, só que dessa vez equipado com uma lente super grande angular do tipo olho-de-peixe: a Olympus 9mm f/8.0 Fisheye Body Cap Lens modelo BCL-0980:

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A grande diferença neste caso é que o seu ângulo de visão é de 140°, o que faz com que ela seja capaz de capturar bem muuito mais imagem que a sua antecessora de 15mm:

Olympus_9mm_fish_dimensoes1aMas o que significa esse “muuito mais imagem”? Embaixo uma cena noturna, tirada com a BCL-1580 de 15 mm (ângulo de visão de 70°) :

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E aqui a mesma cena tirada na mesma posição, porém com a nova BCL-0980 de 9 mm (angulo de visão de 140°):

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Aqui podemos ver que o ganho de imagem dentro do mesmo quadro é significativo (para não dizer dramático), o que pode ser uma opção atraente para fotógrafos de paisagens, turistas e até fotógrafos mais criativos interessados em novas maneiras de ver o mundo ao nosso redor.

Outra aplicação bem popular das super grande angulares é a de fotografar em ambientes fechados sem muito espaço disponível. Aqui com uma “normal” de 15 mm:

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E aqui na mesma posição com a lente de 9 mm. Esse tipo de lente por sinal é muito apreciada por fotógrafos de interiores, arquitetos, decoradores, peritos e até corretores de imóveis.

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Porém, existe uma desvantagem nessa lente em relação à sua antecessora, já que o preço sugerido da BCL-0980 quase que dobra, chegando a US$ 99.

Isso pode parecer um valor alto, mas ela pode até ser uma pechincha se levarmos em consideração que seu concorrente mais próximo no padrão Micro Four Thirds é a notória lente Samyang 7.5mm f/3.5 (também vendida com as marcas Bower ou Rokinon), uma olho de peixe com ângulo de visão ainda mais amplo (180°), foco manual e preço sugerido de US$ 350

Samyang_fisheye

… e se o usuário fizer questão de uma lente de grife com autofoco, a única opção é a Panasonic 8mm f/3.5 ED cujo preço sugerido é de apenas US$ 800!

Panasonic_fisheye

Ns especificações técnicas, a BCL-0980 é uma objetiva olho de peixe de 9 mm (equiv. 18 mm) formada por 5 elementos em 4 grupos — sendo dois elementos aesféricos. Seu fator de ampliação é de 0,046x (equiv. 0,092x).

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E, assim como a BCL-1580, sua abertura é fixa em f/8.0 — o que a coloca na categoria das lentes pouco luminosas — mas até por causa disso é que essa lente consegue ser tão leve (apenas 30 gramas) e compacta (5,6 cm de diâmetro x 1,28 cm de espessura), principalmente se comparado com uma lente “de fato” como a Olympus 8mm f/3.5 Zuiko Fisheye (embaixo a direita) cuja abertura máxima é f/3.5, pesa 485 gramas  e tem preço sugerido de US$ 800.

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Quando colocadas lado a lado, podemos ver que apesar da apresentação, o uso de materiais e o padrão de construção da BCL-0980 (à esquerda) e da BCL-1580 são praticamente os mesmos…

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… a versão de 9 mm incorpora um conjunto óptico bem mais complexo e sofisticado, o que reflete na maior espessura. Note também a diferença de tamanho entre o elemento de trás da lente de 9 mm (esquerda) que é bem maior que a de 15 mm (direita).

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Fora isso, também podemos ver que o plástico foi usado até no encaixe da baioneta na câmera o que ajuda a manter baixo o seu custo de produção. Isso a princípio não deveria preocupar o fotógrafo já que — pela nossa experiência — mesmo optando pelo uso intensivo dessa matéria prima na fabricação das suas lentes de menor custo, a Olympus não costuma abrir mão do desempenho óptico das mesmas — o que é algo muito louvável, diga-se de passagem. 🙂

E como já dissemos antes, essas lentes seguem o padrão Micro Four-Thirds, o que significa que elas também podem ser usadas nas DSLM Lumix da Panasonic. Note na imagem acima a inexistência de contatos elétricos na parte de trás da lente o que faz com que ela não troque informações (como distância focal/abertura) com o corpo da câmera. Isso faz com que o usuário precise fazer alguns ajustes na câmera para que elas funcionem corretamente.

Aqui podemos ver a diferença de espessura entre a nova BCL-0980, 2,9 mm a mais que a BCL-1580. Ah sim, a tampinha traseira (modelo LR-2) já acompanha o produto.

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Seu único controle é uma pequena alavanca na  base, cujo movimento abre e fecha uma portinha deslizante que protege a lente quando fora de uso e a ajusta para três posições de foco: O “infinito” para cenas muito distantes (como montanhas, horizonte, orla da praia, etc.), o chamado “deep focus” que tira proveito da sua grande profundidade de campo para colocar qualquer coisa a partir de 0,5 m da lente até o infinito em foco e um ajuste “macro” que permite focar um assunto a partir de 20 cm ou 0,2 m:

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Quando comecei a experimentar essa lente eu particularmente achei o movimento dessa alavanca muito macio para o meu gosto, com leves indicadores de posição (= click stops)  para o ajuste de infinito e deep focus. Porém, um comentário na web disse que esse movimento suave pode ser usado em favor do usuário para fazer ajustes finos no foco, como em algumas rangefinders de foco manual como a Canon QL17 GIII ou a Olympus XA.

Mas como as super grande angulares costumam ser bastante tolerantes no que se refere erros de foco, a dica neste caso é manter o ajuste sempre no deep focus e se preocupar com isso apenas na hora de fotografar temas a menos de 0,5 m.

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Fora isso, como era de se esperar (duh!) o uso dessa lente nas câmeras da Olympus é bastante simples e direta, já que o único ajuste necessário é informar para o sistema de estabilização de imagem (IS 1), a distância focal da lente (no nosso caso 8 mm). Isso porque, como vimos acima, a lente não se comunica eletronicamente com o corpo.

Com relação ao modo de uso, o ideal é setar a câmera para o modo “P” (= Programa) ou “A” (= Prioridade de Abertura).

Olympus_9mm_fish_na_camera1

Já no caso da Panasonic, é preciso fazer com que ela ignore a falta de comunicação entre a câmera e a lente, o que é feito por meio de uma opção no menu de configurações chamada FOTO SEM LENTE que deve ser ativada e o modo de uso deve ser passado para Prioridade de Abertura (“A“).

Observe porém que, como nas câmeras da Panasonic o recurso de estabilização de imagem fica nas suas lentes e não no corpo, o usuário deve ficar de olho nas baixas velocidades para evitar fotos borradas ou tremidas.

Olympus_9mm_fish_na_camera1a

Feito isso, as câmeras se encarregam de calcular a exposição correta (já que sua abertura é fixa em f/8) restando para o usuário apenas enquadrar a imagem e pressionar o botão de disparo — como numa “point-and-shoot”.

A vantagem neste caso é que como essa lente já está pré-focada, o processo de tirar uma ou diversas fotos ainda é mais rápido, o que faz com que essa solução seja particularmente interessante para fotos casuais, flagrantes e coisas do tipo.

Fora isso, como essa lente não adiciona muito peso e volume ao conjunto, isso torna o seu uso bem mais ágil e discreto, já que a câmera pode entrar e sair facilmente do bolso do casaco, bolsa ou até mochila de maneira rápida e sem chamar muito a atenção.

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E como ela se comporta na prática? Devido as suas características técnicas é uma lente que performa bem em ambientes bem iluminados. E devido a sua grande profundidade de campo não é melhor opção para retratos com efeito de desfoque de fundo (= bokeh).

Outra dica é o usuário sempre ficar atento as bordas do visor já que, devido ao grande ângulo de visão, não é raro o dedo do fotógrafo aparecer  na foto (duh!):

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Com relação ao ajuste do foco, fotografamos a cena abaixo nas três posições pré-ajustadas na lente para ver como ela se comporta:

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Aqui um detalhe de 100% da imagem feita com o ajuste no infinito:

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Aqui o detalhe de outra imagem no modo Deep-Focus. Note a melhora no foco nas árvores e no prédio em construção à direita:

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E aqui o detalhe de uma imagem tirada no modo de distância de foco mínimo (20 cm). Como era de se esperar os elementos mais distante ficaram totalmente fora de foco:

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Aqui um bom exemplo do modo Deep Focus

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Com alguns detalhes em 100% da imagem acima:

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Finalmente, aqui temos uma imagem tirada na distância mínima, com os tufos de espinhos localizados a 20 cm de distância da lente, apesar das distorções da imagem passarem a impressão estarmos bem mais afastados do que isso.

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No detalhe em 100% podemos ver que o tufo está realmente em foco, mas não sei se isso poderia ser chamado de modo macro:

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Nossas conclusões: 

No geral, ficamos bastante impressionados com essa lente-tampa já que ela oferece uma excelente relação de custo x benefício x divertimento, produzindo imagens muito boas para um acessório de 99 doletas (ou até mais, dependendo da oferta x demanda).

É fato que ela possui algumas limitações, já que sua construção e acabamento em plástico, abertura fixa em f/8.0 e sistema de foco por alavanquinha que até lembra uma Lomo LC-A (por sinal, uma cópia meio capenga da Cosina CX1/CX-2) pode até nos passar a impressão de estarmos usando uma lente de brinquedo como a Wanderlust Pinwide ou a Holga HL(W)-OP, o que acredito não ser o nosso caso, já que imagens ruins artísticas fazem parte do charme dessas lentes, ao contrário da  da BCL-0980 que, com um pouco de treino e conhecimento de causa, os resultados podem ser interessantes.

Nós enfatizamos o fator custo x benefício, porque antes dessa nova tampa-lente da Olympus, o fotógrafo que quisesse se aventurar no mundo das olho-de-peixe sem recorrer a adaptadores ou gambiarras mirabolantes tinha que desembolsar de 3,5 a 8 vezes mais dinheiro para obter as mesmas imagens — talvez até um pouquinho melhores e mais abertas (já que o ângulo de visão de algumas delas chega a 180°). Só que, a não ser que o fotógrafo seja algum fanático/especialista em ângulos extremos, existe o risco de a pessoa investir pesado numa lente “de verdade”, tirar uma dezena de fotos e depois encostá-la no fundo do armário para voltar a usá-la de vez em nunca.

Valeu a pena o investimento? Difícil dizer, já que nesta conta pode entrar outros fatores como o retorno comercial da foto que, em alguns casos, pode até pagar a lente e sobrar um lucro para passar o mês. Mas se considerarmos essencialmente o segmento amador / entusiasta / paraquedista / wannabe, a BCL-0980 é  uma opção a ser considerada.

Ainda em tempo:

O produto está disponível nas cores preto e prata e a Olympus não está cobrando a mais pela diferença de tom.

Olympus_9mm_fish_cores

Apesar de que — com o passar do tempo — acredito que novas cores “exclusivas” ou de “tiragem limitada” possam aparecer no mercado — em especial no japonês — como branco e/ou vermelho, a exemplo do que já aconteceu com a versão de 15 mm:

Olympus_15mm_coresWai-wai!

 

Desde o século passado Mario Nagano analisa produtos e já escreveu sobre hardware e tecnologia para veículos como PC Magazine, IDGNow!, Veja e PC World. Em 2007 ele fundou o Zumo junto com o Henrique assumindo o cargo de Segundo em Comando, Editor de Testes e Consigliere.