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Kingston: o futuro do SSD passa pela diversidade

Durante a apresentação da Kingston dos novos discos SSD V Series aqui no Brasil, tive a oportunidade de conhecer Louis Kaneshiro, gerente técnico sênior do grupo de SSDs da empresa que fez a parte técnica da apresentação. Mas, como sempre, as informações mais interessantes ficaram para depois num papo informal durante o intervalo do cafezinho.

Louis afirma que o uso do SSD como uma solução de alto desempenho já é algo consolidado, citando como exemplo empresas como Adobe e Electronic Arts que utilizam intensamente essa tecnologia, principalmente para compilar seus programas. Esse esse ganho de desempenho pode ser tanto (algo em torno de 48%)  que a da Kingston defende a idéia que uma empresa, profissional liberal ou mesmo usuário final  poderia postergar o upgrade de sua máquina simplesmente substituindo seus discos convencionais por SSDs. Isso em parte explica a estratégia da Kingston em oferecer kits de atualização em alguns de seus produtos.

Apesar disso, muitos já procuram os discos SSDs também por outros motivos, como sua resistência a choques e trepidações. Isso torna esse dispositivo especialmente útil em aplicações de campo — como no setor de transportes — e como esses sistemas embarcados trabalham apenas com uma ou mais aplicações dedicadas não é necessário o uso de um disco de meio terabyte, o que abre uma janela de oportunidade para os SSDs de 30 ou 64 GB. De um certo modo, ele não acredita que os SSDs possam ameaçar a supremacia dos discos magnéticos quando o assunto é custo por MB armazenado.

Quando perguntei como anda a confiabilidade dos SSDs, Louis disse que algumas empresas especializadas em recuperar dados de discos magnéticos também começam a oferecer o mesmo serviço para os modelos de estado sólido. De qualquer modo ele também declarou que os atuais SSDs — mesmo quando chegam ao fim da sua vida útil e param de funcionar — ainda permitem que seus dados sejam lidos como num CD-ROM (hein???)

Quando pedi mais detalhes sobre essa bruxaria, ele explicou que os novos controladores de memória Flash monitoram os ciclos de gravação dos chips de memória flash (a operação que realmente desgasta o chip) de modo que, quando o nível de confiabilidade chega perto de níveis perigosos, o controlador impede que novas gravações sejam realizadas, preservando assim sua capacidade de ler/recuperar dados.

Com relação ao futuro, Kaneshiro diz que entre as próximas novidades estarão no suporte para SATA 600 (ou SATA 3.0) o que deve ocorrer até o final deste ano à medida que empresas como AMD e Intel consolidem seu suporte a esse novo padrão. De qualquer modo, ele se diz muito mais empolgado com a chegada do USB 3.0 o que facilitará — em muito — o uso de discos externos e memory keys de altíssima capacidade que hoje perdem bastante tempo para transferir grandes massas de dados de um lado para outro. Curiosamente, ele não mostra o mesmo entusiasmo em relação aos SSDs ligados diretamente no barramente PCIe devido a limitaçõs técnicas, em especial o fato deles não poderem ser usados como dispositivos de boot.

Outra novidade que podemos esperar para breve serão os discos SSD mais especializados, como por exemplo, modelos otimizados para oferecer um melhor desempenho em operações de leitura e gravação sequencial ou para fazer buscas aleatórias mais rápidas. E como nos discos magnéticos, também haverá SSDs com encriptação por hardware. Além disso, podemos esperar dispositivos mais exóticos como dois discos SSDs montados na mesma placa ou mesmo no mesmo gabinete já pré configurados em RAID, resultando assim em discos ainda mais velozes ou mais seguros graças a redundância de dados.

Com relação aos desenho dos SSDs, outra tendência é que esses dispositivos se libertem da aparência de “disco rígido” assumindo novos padrões de formatos, como os discos de 1,8 polegadas, SSDs na forma de placa de expansão e até mesmo “discos SSD” (ou mais exatamente chips controladores e de memória Flash) soldados diretamente na placa-mãe, algo que até faz sentido, já que economiza-se no uso de componentes principalmente nos modelos de entrada.

E para não dizer que a vida de gerente técnico é chata, Louis nos mostrou um divertido vídeo promocional estrelado por ele mesmo e seus amigos botando pra quebrar em cima de seus SSDs.

Vale a pena notar que eles só usaram modelos de 256 GB que a Amazon.com vende pela bagatela de US$ 709 cada.

Mas vamos ao que interessa:

Versão pá-pum! (literalmente falando) (link do vídeo):

Versão super estendida do diretor (link do vídeo):

Crianças, não façam isso em casa! — A Kingston não dá garantia para esses tipos de uso.

Desde o século passado Mario Nagano analisa produtos e já escreveu sobre hardware e tecnologia para veículos como PC Magazine, IDGNow!, Veja e PC World. Em 2007 ele fundou o Zumo junto com o Henrique assumindo o cargo de Segundo em Comando, Editor de Testes e Consigliere.