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Hands-on: Kingston MobileLite Wireless G3

Nova versão do dispositivo de compartilhamento de conteúdo MobileLite agora vem com Wi-Fi 802.11 ac e bateria mais potente.

No ano passado, tivemos a oportunidade de testar o MobileLite Wireless G2  (modelo MLWG2), um produto que melhorou — e muito — se comparado com seu antecessor, já que este deixou de ser um simples compartilhador de mídia com porta Wi-Fi para se tornar um dispositivo multifunção capaz de funcionar como roteador (com e sem fio), leitor de cartões, hub USB e até recarregador de bateria de celular.

MobileLite_G2_overall

A novidade é que a empresa já colocou no mercado a sua terceira geração de desse produto, o MobileLite Wireless G3 e uma variante chamada MobileLite Wireless Pro:

kingston_-mobilelite_wireless_g3_pro

Na sua essência, o novo modelo faz praticamente as mesmas coisas, ou seja, cria uma rede local para compartilhar arquivos via Wi-Fi entre diversos dispositivos móveis sem perder o acesso à Internet (ligada por meio de uma segunda interface Wi-Fi), vem equipado com slot para cartão SD/SDHC/SDXC (ou suas verões mini e micro via adaptador) uma porta USB 2.0 padrão (tipo A) para conectar memory keys e uma USB micro para trocar dados com o PC/recarregar sua bateria interna, que também pode ser usada como bateria de emergência para smartphones.

mobilelite_g3_box

mobilelite_g3_unbox

E qual a diferença entre o modelo G2 e o G3/Pro?

mobilelite_g3_empilhado

MobileLite Wireless G2
(MLWG2)
MobileLite Wireless G3
(MLWG3)
MobileLite Pro
(MLWG3/64)
 mobilelite_g2  mobilelite_g3  mobilelite_pro
Dimensões físicas
(LxAxP em cm)
12,9 x 1,9 x 7,9 11,5 x 2,4 x 8,0 11,5 x 2,4 x 8,0
Peso em gramas 171 192 194
Cor do gabinete Preto e branco Branco Preto
Painel de LED de estado Sim Sim Sim
Slot para cartão SD Sim Sim Sim
Aceita cartão Micro SD sim (via adaptador) sim (via adaptador) sim (via adaptador)
Padrões compativeis SD, SDHC, SDXC SD, SDHC, SDXC SD, SDHC, SDXC
Mídia inclusa n/a n/a SDXC de 64 GB
Formato de gravação FAT, FAT32, NTFS, exFAT FAT, FAT32, NTFS, exFAT FAT, FAT32, NTFS, exFAT
Porta USB A Sim Sim Sim
Porta USB micro Sim Sim Sim
Porta de rede Ethernet Sim Sim Sim
Wi-Fi 802.11 g/n 802.11 b/g/n/ac 802.11 b/g/n/ac
Bateria Li-Ion 4.640 mAh Li-ion 5.400 mAh Li-ion 6.700 mAh
Saída máxima 3,8V x 1,4A. 3,7V x 2,0A 3,7V x 2,0A
Autonomia estimada até 13 horas até 11 horas até 12 horas

 

No geral, o novo modelo vem equipado com uma nova interface Wi-Fi 802.11 ac e uma bateria mais potente, o que permite alimentar dispositivos mais fominhas que exigem fonte de alimentação de 2 amperes, informação que bate com as medições que fizemos com nosso monitor de potência (~2,1 A):

mobilelite_g3_power_g3

Fazendo a mesma medição no modelo G2 a potência chegou em torno de 1,4 A:

mobilelite_g3_power_g2

Fora isso, o chamado modelo Pro além do gabinete na cor preta, vem equipado com uma bateria ainda mais potente (6.700 mAh) e mais um cartão SDXC de 64 GB já incluso no pacote o que, de um certo modo, faz o papel do disco SSD (interno e não removível) em outros modelos.

Isso para nós agrada muito, pois ela permite que o usuário possa copiar arquivos e conteúdos do PC direto para o cartão SD (ou vice-versa) via slot SD ou adaptador USB…

mobilelite_g3_slot_sd

… ou até mesmo um disco externo, graças a maior potência (= energia)  da sua porta USB.

mobilelite_g3_hdd

Observamos porém que neste caso específico por se tratar de um disco rígido (HD) de verdade, o seu tempo de resposta deixa a desejar em especial nas operações de streaming que sofrem engasgos bem significativos ao ponto de não recomendarmos o seu uso desse tipo de periférico (incluindo os modelos com porta USB 3.0)

Em contrapartida, o G3 funcionou muito bem conectado num disco SSD cujo tempo de acesso é bem mais veloz e até consome menos energia:

mobilelite_g3_ssd

Vale a pena observar que apesar da bateria interna do MobileLite oferecer uma autonomia de até 11~12 horas de uso contínuo (dependendo do modelo) poderá haver situações imprevistas em que o usuário tenha que utilizar o dispositivo mas sua bateria estará descarregada. Neste caso, o MobileLite até pode funcionar ligado num adaptador de rede elétrica ou no PC por meio da sua porta USB micro. Neste último caso, esta conexão também pode ser usada para transferir dados do PC para o MobileLite e vice-versa como se ele fosse um leitor de cartões externo, mas para isso o dispositivo deve estar desligado.

O estado da carga bateria também pode ser monitorado pelo seu LED de estado:

Outro recurso bem interessante introduzido no MobileLite Wireless G2 e mantido no G3 é a porta de rede padrão Fast Ethernet que permite usá-lo como um mini-roteador para viagem. Para isso, basta conectar o MobileLite na porta de rede da casa, da empresa ou mesmo do quarto de hotel por meio de um cabo de rede (não incluso) que o sistema desativa automaticamente a sua interface Wi-Fi que faz a “ponte” entre a rede local (= internet) e o dispositivo da Kingston e ele começa a se comportar como se fosse um ponto de acesso (ou access point) compatível com o padrão 802.11 AC.

mobilelite_g3_slot_rede

E como o seu antecessor, sua funcionalidade foi reduzida ao essencial — ou seja , ele só funciona como roteador protegido ou não por senha (via WPA2) e só! Nada de modo repetidor, ponto de acesso (AP),  Z, Port Forwarding, configuração de IP fixo e coisas do tipo.

Fora isso, a rede do MobileLite não se integra a rede principal formando assim um grupo isolado, o que pode ser uma solução interessante para alguns grupos de usuários que trabalham fora do escritório.

Isso é bom de um lado porque facilita — e muito — a vida dos usuários não iniciados na arte de configurar redes locais (onde alguns termos e definições beiram o exoterismo), mas de outro pode frustrar aqueles entusiastas que gostam de configurações mais personalizadas e/ou precisam integrar esse dispositivo à um ecossistema de rede diferente daquele que ele foi projetado.

No geral é comum encontrar nesses tipos de produtos algumas informações básicas sobre a configuração da sua rede pré-configurada da fábrica (como o nome da rede e sua senha de acesso) impresso na sua etiqueta de certificação/número de série — o que não é o caso do MobileLite:

Pelo que pudemos observar, a única informação relevante é o seu endereço MAC. Mas segundo o seu manual do usuário, esse endereço (no nosso caso 00-26-B7-0C-3D-42) é usado pela empresa para criar seu nome de rede (SSID) padrão (no nosso caso dois, já que se trata de uma rede AC) que sempre começa com “MLWG3-XXXX” (2,4 GHz) e “MLWG3-5G-XXXX” (5 GHz) sendo que “XXXX” são os quatro últimos dígitos do endereço MAC do dispositivo. Assim os endereços de rede do nosso modelo testado são “MLWG3-3D42” e “MLWG3-5G-3D42

Isso pode ter sido uma decisão do fabricante de simplificar ao máximo a operação e uso do Mobilelite, já que o mesmo vem configurado com sua rede aberta cujo nome é automaticamente localizado pela app do produto (disponível para plataforma iOS e Android). Porém, não confunda essa nova versão (MobileLite Wireless 4.4.0.0  à direita) com a antiga (Kingston MobileLite 3.0.1.22 à esquerda) voltada para o modelo G2 e que até funciona no G3 mas não dá acesso à tela de configuração do dispositivo.

Nosso palpite é que essas apps coexistem porque cada uma foi desenvolvidas para um modelo específico do MobileLite existindo até um certo nível de interoperabilidade entre entre ambos os programas o que permite por exemplo, que o usuário do modelo G2 consiga acessar o conteúdo do G3 de um colega/conhecido.

Para colocar o MobileLite em funcionamento, basta pressionar o seu botão de liga/desliga até que o LED de conexão com a Internet e da bateria comecem a piscar indicando que o sistema está sendo inicializado, seguido pelo LED do ponto de acesso que também pisca ocasionalmente, indicando que existe atividade na rede.

Quando ligado pela primeira vez, pode ser que o LED de conexão com a Internet não permaneça ligado, mas isso apenas indica que o MobileLite não conseguiu se conectar automaticamente a rede local, de modo que seja preciso informar alguns dados como o nome da rede local e senha. No caso de conexão via cabo o acesso a Internet é praticamente imediato caso a rede conte com um servidor DHCP ativo.

Se comparado com a versão anterior, o MobileLite Wirelles ganhou uma interface mais polida que combina um visual limpo com comandos bastante simples e intuitivos. De fato com um simples olhar é possível checar o estado do dispositivo, sua conexão local e da Internet e ter acesso aos seus principais recursos com um simples toque na tela:

Em termos gerais, esse sistema é compatível com o seguintes formatos de aquivos:

  • Audio: mp3, wav
  • Vídeo: m4v, mp4 (com codec H.264)
  • Imagens: jpg, tiff
  • Docsumentos: pdf

Ao contrário do seu antecessor que enfatizava esse produto como um provedor de mídia, a nova interface põe destaca mais seus recursos de armazenamento/compartilhamento de arquivos, além de uma nova ferramenta de backup para o conteúdo da câmera, da lista de contatos e do calendário que não existia na versão anterior.

No geral, tanto o player de musica quanto de vídeo funcionam essencialmente como gerenciadores de aquivo (o que não é algo ruim, diga-se de passagem) só que com a função de reprodutor integrado.

A desvantagem dessa abordagem é que os recursos mais sofisticados como o gerenciamento de playlists, ajustes de áudio, letras, etc. estão ausentes no player de musica, restando apenas modo de reprodução (aleatório ou contínuo), compartilhar o conteúdo (no sentido de reproduzir o mesmo em outra app) e marcar como favorito, permitindo assim criar um tipo de playlist:

… o mesmo pode ser dito do player de vídeo onde o máximo que se pode fazer é compartilhar e ligar/desligar a legenda:

Talvez a maior mudança que vimos nesta nova versão da App seja o seu menu de configuração que precisou se adaptar aos novos recursos implementados no modelo G3.

A mais importante delas é o suporte para sua interface de rede 802.11 ac que, ao contrário da b/g/n opera em duas frequências — 2,4 GHz e 5 GHz — o que faz com que o MobileLite trabalhe com dois SSID. O interessante neste caso é que também é possível conectar-se com o dispositivo por meio de uma interface 802.11/a de 5 GHz um padrão relativamente comum em notebooks corporativos de classe global (como os ThinkPads e EliteBooks) mas nem tanto nos modelos voltados para o mercado de consumo.

Na tela acima também é possível mudar o nome da rede do MobileLite e/ou cadastrar uma senha limitando assim o seu acesso/segurança do dispositivo. Também entendemos que o modo roteador do MobileLite possui um servidor DHCP interno, mas novamente — em nome da simplicidade — o usuário não pode reconfigurá-lo.

No menu de configurações também é possível definir os parâmetros de acesso à rede Wi-Fi da casa/escritório. E como já dissemos antes, caso o usuário opte por usar a conexão via cabo é preciso que a rede local disponha de um servidor DHCP, já que ele não é possível atribuir-lhe um IP fixo.

Curiosamente a nova App não oferece mais suporte para dongle 3G que podia ser conectado na porta USB do MobileLite o que permitia que o mesmo se conectasse diretamente numa rede de dados de celular.

Bonus Track:

Apesar de não estar descrito no manual do usuário, é tecnicamente possível acessar o MobileLite usando um notebook/tablet/smartphone com Windows bastando para isso localizar seu SSID e conectar-se com o mesmo como se fosse um ponto de acesso comum:

Primeiro  é preciso conectar-se ao aparelho como se fosse um ponto de acesso normal (dica: o nome da rede sempre começa com MLWG2-…). Na primeira vez é bem provável que as redes não esteja protegida por senha:

Feito isso, basta entrar no programa navegador web e digitar na barra de endereço http://mobilelite.home que a(s) pasta(s) com o conteúdo armazenado no MobileLite — no nosso caso o slot para cartão SD (ou SD_Card1) — que aparece na tela na forma de uma árvore de diretórios:

Uma alternativa mais geek é entrar no modo de comando do Windows e executar o programa ipconfig. Feito isso, basta anotar o endereço do “Deafult Gateway” — no nosso caso 192.168.202.254 — e transcrever esses números na barra de endereço do navegador.

Essa aplicação apesar de simples oferece o essencial ou seja, permite visualizar o conteúdo do MobileLite (incluindo arquivos de áudio e vídeo) e transferi-los de e para o computador via download. E como nos dispositivos móveis, é possível navegar normalmente pela internet mesmo conectado com o dispositivo da Kingston:

Nossas conclusões:

Ao contrário das mudanças da primeira para a segunda geração do MobileLite que, na época, achamos “revolucionárias” para nós as novidades trazidas pela terceira geração seriam “evolucionárias” ou seja, fora a ferramenta de backup, o novo dispositivo não trouxe grandes novidades no sentido mais exato da palavra e sim melhorou/modernizou algumas já existentes como a bateria de maior capacidade e a nova porta de rede 802.11 ac.

Sob esse ponto de vista, na nossa opinião o G3 não apresenta grandes vantagens se comparado com seu antecessor ao ponto de motivar os usuários do G2 a migrarem para o novo modelo. Mas no caso de novos usuários, o MobileLite G3 pode ser uma opção mais atrativa pelas melhorias apresentadas, a não ser que o preço do G2 caia como uma pedra.

Sob um certo ponto de vista, o fato do modelo G2 não ser sido obsoletado com a chegada do G3 é uma prova de que a Kingston acertou em criar um dispositivo compartilhador de arquivos sem memória embutida o que permite que seu usuário defina o quanto de memória ele terá instalado de acordo com a sua necessidade e o seu orçamento permitir.

O preço sugerido no Brasil é de R$ 350 para o G3 e R$ 700 para o modelo Pro.

Mais informações aqui. Informações sobre revendas aqui.

Desde o século passado Mario Nagano analisa produtos e já escreveu sobre hardware e tecnologia para veículos como PC Magazine, IDGNow!, Veja e PC World. Em 2007 ele fundou o Zumo junto com o Henrique assumindo o cargo de Segundo em Comando, Editor de Testes e Consigliere.

  • Não acho que alguns mAh a mais e um cartão mSD64Gb justifique o preço em dobro, mas pelo menos existe a opção de quem quer a solução pronta.

    E esse sistema funcionária só ele, apenas com o celular? Pois é uma forma interessante de distribuir mídia numa festa infantil apenas informando o link via mensageiros, já que a molecada já tem tablet/smartphone desde cedo.

    E que o sucesso do Ztop+Zumo continue e cresça ainda mais em 2017!
    e sempre nos brindando com excelentes matérias. Kudos

  • marcelomartins

    Não existe opção desse produto com HD interno? Faltou um com uns 256GB hem..

  • Fabio Silva Lima

    E ai Mario blz! Quanto tempo, não consigo entrar em contato com você…. abraço Fabio Silva Lima

    • Mario Nagano

      E ai Fábio, tudo bem?

      Não me esqueço até hoje daquele dia q vc me convidou pra ir no jogo do Corinthians dizendo “não se preocupa Mário, no nosso canto ninguém morre, mesmo você sendo São Paulino” X-D

      Ah bons tempos aqueles…